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Publicado em: 29 de setembro de 2026

Atualizado em: 06 de outubro de 2026

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Do dado à decisão: o que o CESAR levou para a ROG.e 2026

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Uma indústria como a de óleo e gás reúne, em uma mesma operação, diferentes sistemas, disciplinas, informações e conhecimentos especializados. Um dado pode precisar ser relacionado a um modelo físico, uma nova tecnologia precisa conversar com estruturas legadas e uma decisão automatizada depende da leitura de diferentes variáveis do contexto. É uma realidade em que tecnologia, conhecimento e experiência precisam trabalhar juntos para que uma solução funcione de fato. Foi a partir dessas interseções que o CESAR esteve na ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, entre 21 e 24 de setembro. Durante o evento, especialistas da organização participaram de discussões sobre o futuro da indústria, compartilharam cases e levaram à programação 12 trabalhos desenvolvidos em parceria com a Petrobras, seis vezes mais do que na edição de 2024.

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Quando a inteligência artificial precisa entender o contexto

Na ROG.e, a inteligência artificial esteve presente em diferentes problemas da indústria, assumindo funções que vão da análise de dados à redução de tarefas manuais. Em cada aplicação, a tecnologia se conecta ao conhecimento de quem entende a operação e ao contexto em que aquela decisão precisa acontecer. Um exemplo está no trabalho apresentado por Fernando Baptistella, Senior Data Scientist do CESAR, sobre o uso de Large Language Models (LLMs) e agentes inteligentes na busca conversacional em óleo e gás (Detecção de Termos de Domínio-Específicos na Busca Conversacional em Óleo e Gás Usando Large Language Models e Agentes Inteligentes).

Em uma indústria que reúne grandes volumes de dados estruturados e não estruturados, a informação está espalhada por diferentes fontes e contextos. Encontrá-la exige reconhecer o vocabulário do setor, identificar poços, campos e plataformas e compreender as relações entre essas entidades. A partir dessa percepção, a pesquisa de Fernando combina LLMs, agentes inteligentes, regras de domínio, dicionários de dados, engenharia de prompts e enriquecimento de metadados para tornar essa busca mais precisa e contextualizada. A ideia é aproximar a linguagem da máquina da linguagem de quem trabalha com engenharia e operações.

📌 Saiu na mídia: Chinesa CNOOC aposta em IA para operações no pré-sal 

Essa mesma preocupação aparece no trabalho Agentes Inteligentes para Automação da Avaliação de Complexidade na Concepção de Poços de Petróleo, assinado por Alan da Silva, cientista de dados do CESAR, que se debruça sobre a solução SAVIA, na qual agentes de IA interpretam dados dos projetos e respondem às questões que antes dependiam do preenchimento manual de formulários. O ganho está não apenas em automatizar uma etapa, mas em reduzir esforço e subjetividade sem perder a informação necessária para a decisão.

Já no campo do refino, a inteligência artificial aparece por outro caminho. Trabalhos sobre hidrotratamento de diesel exploram modelos capazes de apoiar a previsão de propriedades do produto, o consumo de hidrogênio e a definição de condições operacionais. Em uma das pesquisas, intitulada PINNs no hidrotratamento de diesel: rede neural informada pela física para prever a remoção de enxofre, nitrogênio e aromáticos em regime pseudo-homogêneo, redes neurais informadas pela física combinam dados experimentais e conhecimento físico-químico para construir modelos mais interpretáveis e generalizáveis.

🎯 Em comum, essas iniciativas mostram uma IA que não está isolada do processo industrial. Ela precisa conhecer o domínio, conversar com os dados disponíveis e fazer sentido dentro da decisão que precisa ser tomada.

Uma indústria que também precisa enxergar o que ainda não aconteceu

Se a inteligência artificial apareceu como uma forma de ampliar a capacidade de análise, os gêmeos digitais mostraram outro caminho: usar dados e modelos para acompanhar o comportamento de ativos e antecipar cenários. Dois trabalhos apresentados pelo CESAR abordaram a aplicação da tecnologia à integridade de estruturas submarinas – Gêmeos Digitais para Fadiga e SCC-CO2 em Dutos Flexíveis: Aspectos de Implementação e Oportunidades para a Indústria, e Digital Twin de Fadiga em Risers Rígidos: Uma Plataforma Escalável Orientada a Eventos para Gerenciamento de Integridade.

O primeiro aborda o Digital Twin para monitoramento de fadiga em risers rígidos. A plataforma integra dados operacionais reais a modelos físicos e automatiza simulações estruturais em larga escala. O objetivo é transformar essas informações em subsídios para decisões relacionadas à segurança, sustentabilidade e custos. Enquanto o segundo trata de fadiga e corrosão sob tensão induzida por CO₂ em dutos flexíveis. Nesse caso, um dos desafios está em fazer a tecnologia funcionar no ambiente industrial: integrar sistemas legados, bases heterogêneas e dados de sensores, além de garantir que a arquitetura consiga crescer para atender múltiplos ativos.

As designers Vanessa Machado e Mayara Magalhães participaram da sessão “Acessibilidade, Bem-estar e Inclusão no Trabalho”

E se inovação também for tornar a indústria mais acessível?

Quatro designers do CESAR estiveram nos palcos da ROG.e 2026 para apresentar análises sobre como o design focado na experiência das pessoas pode otimizar a indústria de óleo e gás e se tornar um diferencial competitivo. 

Um deles, Visualização Inclusiva de Dados Geológicos: Uma Abordagem de Design Centrado no Usuário para Mapas de Segmentação Semântica, parte do uso das cores em mapas de segmentação semântica, para discutir uma barreira que pode afetar profissionais com daltonismo. O trabalho propõe representações visuais mais acessíveis a partir de uma abordagem centrada no usuário.

“O estudo mostra que inclusão, nesse contexto, passa por recursos que ampliem a autonomia dos profissionais, como o ajuste dinâmico da transparência do mapa de segmentação e outros elementos de interação. São recursos que ajudam a tornar a ferramenta mais acessível sem comprometer a qualidade da interpretação e o rigor científico.”, pontua Mayara Magalhães, designer de interação do CESAR. 

Design Centrado na Pessoa Surda: Diretrizes para Acessibilidade Comunicacional na Indústria levou para o contexto industrial a perspectiva de pessoas surdas sobre comunicação e participação no trabalho. A pesquisa combinou entrevistas, imersão e workshops com colaboradores surdos e ouvintes, intérpretes de Libras e especialistas em acessibilidade para construir diretrizes voltadas à comunicação mais acessível e à participação efetiva dessas pessoas nas rotinas profissionais.

“Para mim, a experiência na ROG.e reforçou algo que vejo muito nos projetos que desenvolvemos no CESAR: o valor dos times multidisciplinares. Quando colocamos Design junto com Engenharia, Dados, IA e especialistas do domínio, conseguimos trazer outros olhares e perguntas para o projeto. No caso do nosso trabalho, olhar para a experiência da pessoa surda trouxe uma perspectiva que talvez não aparecesse naturalmente a partir de um olhar exclusivamente tecnológico. Acho muito massa levar esse tipo de discussão para um evento como a ROG.e e mostrar que, dentro de uma indústria tão técnica como óleo e gás, Design também tem um papel importante na construção de soluções mais inclusivas e centradas nas pessoas.”, destaca Vanessa Machado, pesquisadora de UX do CESAR. 

🎯Nesse conjunto, o design aparece menos como uma etapa estética e mais como uma forma de entender sistemas, pessoas e contextos antes de propor soluções.

Entre pessoas e máquinas, uma nova forma de construir produtos

Essa perspectiva também aparece em um trabalho sobre colaboração humano-IA para a construção de produtos digitais. A pesquisa apresenta um framework de análise qualitativa assistida por IA que combina processamento automatizado de entrevistas com interpretação humana. A tecnologia ajuda a identificar padrões e oportunidades em grandes volumes de dados, enquanto a análise especializada permanece responsável pela validação e contextualização dos resultados.

Em vez de colocar humanos e máquinas em lados opostos, o trabalho busca entender como cada um pode contribuir para produzir decisões de design mais fundamentadas.

Inovação também é construir capacidade para o futuro

A transformação digital não acontece apenas quando uma nova solução entra em operação, mas quando a organização passa a compreender melhor seus próprios problemas, testa hipóteses, constrói conhecimento e consegue transformar esse aprendizado em novas decisões.

Essa perspectiva aparece no trabalho sobre design estratégico para um sistema de apoio à decisão climática. O projeto combinou imersão, benchmarking, ideação, cocriação e experimentação para construir estratégias de operação em um cenário marcado pela complexidade e pelos riscos associados às mudanças climáticas. O processo resultou em recomendações e um roadmap para orientar decisões de curto e longo prazo.

📖 É também essa ideia de construção de capacidade que está por trás de outro destaque da ROG.e: o livro “100 em 5: jornada de Inovação CESAR Petrobras”.

No estande do CESAR, clientes que participaram do Programa de Experimentação puderam encontrar, em uma publicação impressa, parte do trabalho desenvolvido ao longo dessa jornada. Para quem ainda não conhecia o programa, o livro ajudou a mostrar que a iniciativa vai além da entrega de 100 projetos. Trata-se também de uma esteira de inovação, de construção de conhecimento e de desenvolvimento de capacidades que apoiam decisões de investimento em PD&I.

O Papel da Indústria

Antoanne Pontes, Gerente de Novos Negócios do CESAR

Além das apresentações técnicas, o evento contou com a participação de Antoanne Pontes, Gerente de Novos Negócios do CESAR, na sessão especial “O Papel da Indústria na Educação Ambiental, Social e Energética”. Em sua intervenção, Antoanne enfatizou a importância de preparar os profissionais para a volatilidade do mercado de óleo, gás e energia por meio do ensino fundamentado em bases sólidas e duráveis. Ele destacou a adoção do Problem-Based Learning (PBL) para conectar a teoria à resolução de desafios do setor e defendeu o desenvolvimento da autonomia no aprendizado, impulsionado pelo uso de inteligência artificial como aliada na formação contínua dos talentos.

Além disso, Antoanne ressaltou a importância de “usar a tecnologia a nosso favor” e defendeu que as empresas precisam abrir mais os seus desafios para os estudantes praticarem, substituindo os tradicionais exemplos de livros por problemas concretos e dinâmicos.

“Só assim teremos mais chances de criar soluções verdadeiramente inovadoras para o mercado, se distanciando dos vieses complexos já massificados e espalhados pelo mundo”, reforça.

O que fica depois da ROG.e

A presença do CESAR na ROG.e 2026 também foi uma oportunidade para trocar experiências, acompanhar os debates do setor e fortalecer conexões com diferentes atores da indústria. Entre trabalhos técnicos, discussões, encontros e conversas, a participação mostrou a amplitude das frentes em que inovação e tecnologia podem contribuir para os desafios de óleo e gás. 

 

 

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