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CESAR .
Publicado em: 29 de setembro de 2026
Design
Do dado à decisão: o que o CESAR levou para o ROG.e 2026

Uma indústria que opera em ambientes tão complexos quanto o setor de óleo e gás não lida com problemas que cabem em uma única disciplina. Um dado pode precisar conversar com um modelo físico, um sistema novo precisa se integrar a uma estrutura legada e, mesmo quando uma decisão é automatizada, ela ainda depende de contexto e conhecimento especializado.
Foi a partir dessas interseções que o CESAR esteve no ROG.e 2026, no Rio de Janeiro, entre 21 e 24 de setembro. Durante o evento, participou de um painel sobre o futuro da indústria, compartilhou cases e levou à programação 12 trabalhos desenvolvidos em parceria com a Petrobras, seis vezes mais do que na edição de 2024, quando foram dois.
O ROG.e 2026 recebeu 1.208 trabalhos técnicos, avaliados por 278 especialistas.
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Quando a inteligência artificial precisa entender o contexto
No ROG.e, falar de IA não significou apenas falar sobre modelos mais potentes ou automação. Em diferentes trabalhos, a tecnologia apareceu como uma forma de ampliar a capacidade de análise, reduzir tarefas manuais e aproximar informação e decisão.
Um exemplo está no trabalho apresentado por Fernando Baptistella, Senior Data Scientist do CESAR, sobre o uso de Large Language Models (LLMs) e agentes inteligentes na busca conversacional em óleo e gás.
Em uma indústria que reúne grandes volumes de dados estruturados e não estruturados, encontrar uma informação não é necessariamente apenas uma questão de busca. É preciso entender o vocabulário daquele domínio, reconhecer nomes de poços, campos e plataformas e relacionar essas entidades ao contexto correto.
A pesquisa combina LLMs, agentes inteligentes, regras de domínio, dicionários de dados, engenharia de prompts e enriquecimento de metadados para tornar essa busca mais precisa e contextualizada. A ideia é aproximar a linguagem da máquina da linguagem de quem trabalha com engenharia e operações.
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Essa mesma preocupação aparece em outro trabalho, sobre a automação da avaliação de complexidade na concepção de poços. Na solução SAVIA, agentes de IA interpretam dados dos projetos e respondem às questões que antes dependiam do preenchimento manual de formulários. O ganho está não apenas em automatizar uma etapa, mas em reduzir esforço e subjetividade sem perder a informação necessária para a decisão.
No refino, a inteligência artificial aparece por outro caminho. Trabalhos sobre hidrotratamento de diesel exploram modelos capazes de apoiar a previsão de propriedades do produto, o consumo de hidrogênio e a definição de condições operacionais. Em uma das pesquisas, redes neurais informadas pela física combinam dados experimentais e conhecimento físico-químico para construir modelos mais interpretáveis e generalizáveis.
🎯 Em comum, essas iniciativas mostram uma IA que não está isolada do processo industrial. Ela precisa conhecer o domínio, conversar com os dados disponíveis e fazer sentido dentro da decisão que precisa ser tomada.
Uma indústria que também precisa enxergar o que ainda não aconteceu
Se a inteligência artificial apareceu como uma forma de ampliar a capacidade de análise, os gêmeos digitais mostraram outro caminho: usar dados e modelos para acompanhar o comportamento de ativos e antecipar cenários.
Dois trabalhos apresentados pelo CESAR abordaram a aplicação da tecnologia à integridade de estruturas submarinas.
Um deles desenvolve um Digital Twin para monitoramento de fadiga em risers rígidos. A plataforma integra dados operacionais reais a modelos físicos e automatiza simulações estruturais em larga escala. O objetivo é transformar essas informações em subsídios para decisões relacionadas à segurança, sustentabilidade e custos.
O outro trata de fadiga e corrosão sob tensão induzida por CO₂ em dutos flexíveis. Nesse caso, um dos desafios está em fazer a tecnologia funcionar no ambiente industrial: integrar sistemas legados, bases heterogêneas e dados de sensores, além de garantir que a arquitetura consiga crescer para atender múltiplos ativos.
E se inovação também for tornar a indústria mais acessível?
Talvez uma das dimensões mais interessantes da participação do CESAR tenha aparecido onde, à primeira vista, tecnologia e indústria costumam ser menos associadas: no design e na experiência das pessoas.
Quatro designers do CESAR estiveram nos palcos do ROG.e 2026. Ao todo, o time participou da submissão e elaboração de seis artigos relacionados a design.
Um deles investigou a visualização inclusiva de dados geológicos. A pesquisa parte de uma questão aparentemente simples, o uso das cores em mapas de segmentação semântica, para discutir uma barreira que pode afetar profissionais com daltonismo. O trabalho propõe representações visuais mais acessíveis a partir de uma abordagem centrada no usuário.
Outro estudo levou para o ambiente industrial a perspectiva das pessoas surdas. A partir de entrevistas, imersão e workshops com colaboradores surdos e ouvintes, intérpretes de Libras e especialistas em acessibilidade, foram construídas diretrizes para melhorar comunicação e participação nos ambientes de trabalho.
Também houve espaço para discutir segurança. Um dos trabalhos apresentou uma solução para simplificar o registro de ocorrências em ambientes industriais, com uma aplicação para dispositivos móveis certificados para zona ATEX 0. O projeto nasceu da observação do processo e da escuta de profissionais de SMS e buscou tornar o registro mais ágil no momento em que a ocorrência acontece.
🎯Nesse conjunto, o design aparece menos como uma etapa estética e mais como uma forma de entender sistemas, pessoas e contextos antes de propor soluções.
Entre pessoas e máquinas, uma nova forma de construir produtos
Essa perspectiva também aparece em um trabalho sobre colaboração humano-IA para a construção de produtos digitais.
A pesquisa apresenta um framework de análise qualitativa assistida por IA que combina processamento automatizado de entrevistas com interpretação humana. A tecnologia ajuda a identificar padrões e oportunidades em grandes volumes de dados, enquanto a análise especializada permanece responsável pela validação e contextualização dos resultados.
Em vez de colocar humanos e máquinas em lados opostos, o trabalho busca entender como cada um pode contribuir para produzir decisões de design mais fundamentadas.
Essa lógica aparece também em outros trabalhos apresentados no evento, como a evolução do Painel de Métricas de Produtos Internos da Petrobras. O projeto deixou de ser apenas uma ferramenta de visualização de dados para se transformar em um ecossistema centrado no usuário, incorporando práticas de UX, pesquisas recorrentes, agente de IA e conteúdos de suporte. O resultado foi acompanhado por maior adoção e participação dos usuários.
Inovação também é construir capacidade para o futuro
A transformação digital não acontece apenas quando uma nova solução entra em operação. Ela acontece quando a organização passa a compreender melhor seus próprios problemas, testa hipóteses, constrói conhecimento e consegue transformar esse aprendizado em novas decisões.
Essa perspectiva aparece no trabalho sobre design estratégico para um sistema de apoio à decisão climática. O projeto combinou imersão, benchmarking, ideação, cocriação e experimentação para construir estratégias de operação em um cenário marcado pela complexidade e pelos riscos associados às mudanças climáticas. O processo resultou em recomendações e um roadmap para orientar decisões de curto e longo prazo.
É também essa ideia de construção de capacidade que está por trás de outro destaque do ROG.e: o livro “100 em 5: jornada de Inovação CESAR Petrobras”.
No estande do CESAR, clientes que participaram do Programa de Experimentação puderam encontrar, em uma publicação impressa, parte do trabalho desenvolvido ao longo dessa jornada. Para quem ainda não conhecia o programa, o livro ajudou a mostrar que a iniciativa vai além da entrega de 100 projetos. Trata-se também de uma esteira de inovação, de construção de conhecimento e de desenvolvimento de capacidades que apoiam decisões de investimento em PD&I.
O Papel da Indústria
Além das apresentações técnicas, o evento contou com a participação de Antoanne Pontes, Gerente de Novos Negócios do CESAR, na sessão especial “O Papel da Indústria na Educação Ambiental, Social e Energética”. Em sua intervenção, Antoanne enfatizou a importância de preparar os profissionais para a volatilidade do mercado de óleo, gás e energia por meio do ensino fundamentado em bases sólidas e duráveis. Ele destacou a adoção do Problem-Based Learning (PBL) para conectar a teoria à resolução de desafios do setor e defendeu o desenvolvimento da autonomia no aprendizado, impulsionado pelo uso de inteligência artificial como aliada na formação contínua dos talentos.
Além disso, Antoanne ressaltou a importância de “usar a tecnologia a nosso favor” e defendeu que as empresas precisam abrir mais os seus desafios para os estudantes praticarem, substituindo os tradicionais exemplos de livros por problemas concretos e dinâmicos. “Só assim teremos mais chances de criar soluções verdadeiramente inovadoras para o mercado, se distanciando dos vieses complexos já massificados e espalhados pelo mundo”, reforça.
A presença do CESAR no ROG.e 2026 também foi uma oportunidade para trocar experiências, acompanhar os debates do setor e fortalecer conexões com diferentes atores da indústria. Entre trabalhos técnicos, discussões, encontros e conversas, a participação mostrou a amplitude das frentes em que inovação e tecnologia podem contribuir para os desafios de óleo e gás.
O que fica depois do ROG.e
A presença do CESAR no ROG.e 2026 também foi uma oportunidade para trocar experiências, acompanhar os debates do setor e fortalecer conexões com diferentes atores da indústria. Entre trabalhos técnicos, discussões, encontros e conversas, a participação mostrou a amplitude das frentes em que inovação e tecnologia podem contribuir para os desafios de óleo e gás.
