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Publicado em: 18 de agosto de 2026

Óleo e gás


Como ter uma operação resiliente no setor de óleo e gás

Homem com capacete em planta de extração de petróleo

A indústria de energia opera sob alta volatilidade estrutural. Segundo pesquisa da DNV com mais de 1.100 profissionais do setor, a combinação entre volatilidade de curto prazo e transformações estruturais de longo prazo está criando novos desafios para as empresas de energia. Esse cenário exige uma operação resiliente, capaz de antecipar riscos e manter a integridade dos ativos sem abrir mão da segurança cibernética.

No setor de óleo e gás, a longevidade do negócio deixou de depender da capacidade de reagir a desastres. Torna-se necessário simular cenários críticos com precisão antes que causem paradas de produção ou impactos ambientais severos. Atingir esse patamar exige amadurecer o ecossistema digital. Contudo, integrar novas tecnologias em arquiteturas complexas de extração, refino e logística ainda é um dos principais obstáculos para muitas companhias.

Descubra como conectar pesquisa de ponta à execução técnica com segurança e escalabilidade:

Como IA, HPC e Gêmeos Digitais aumentam a resiliência operacional

A união entre Inteligência Artificial, Computação de Alto Desempenho (HPC) e Gêmeos Digitais (Digital Twins) redefiniu o planejamento de integridade estrutural na indústria energética.

A IA atua na identificação de padrões em volumes massivos de informações, enquanto o HPC oferece a capacidade computacional necessária para executar modelos geofísicos e de engenharia em grande escala, acelerando análises e simulações que apoiam decisões operacionais. Por fim, o Gêmeo Digital funciona como uma representação virtual dinâmica, atualizada com dados do ativo físico e capaz de subsidiar simulações, monitoramento e decisões operacionais.

Vantagens de investir na tecnologia de Gêmeos Digitais no setor O&G

A adoção de Digital Twins avança no setor de óleo, gás e produtos químicos. De acordo com a pesquisa Future of Energy Survey 2025, realizada pela EY, 50% das empresas de óleo, gás e produtos químicos já utilizam a tecnologia para gerenciar ativos. Além disso, 92% estão implementando, desenvolvendo ou planejando novas aplicações para os próximos cinco anos.

Contudo, o levantamento da consultoria traz um alerta: apenas 14% das companhias que utilizam a ferramenta afirmam que ela atende plenamente às expectativas. Esse dado evidencia que a simples adoção de softwares isolados não assegura retorno. Para capturar o valor estimado, a tecnologia deve estar conectada a:

  • Sensores de campo calibrados e integrados;
  • Modelos matemáticos refinados por equipes multidisciplinares;
  • Infraestrutura computacional capaz de suportar alta densidade de dados;
  • Processos de tomada de decisão alinhados à rotina de campo.

Nesse cenário, avaliar o papel dos Digital Twins na otimização de operações offshore é essencial para superar os obstáculos da escala.

O desafio da escala e os gargalos da resiliência operacional

Manter a continuidade dos serviços em plataformas offshore e unidades terrestres exige superar limitações históricas da engenharia de processos. Um dos principais desafios enfrentados pelas concessionárias e operadoras não é a escassez de ideias ou de softwares analíticos. O ponto de travamento real do setor está na capacidade de escalar soluções com alto TRL (nível de maturidade tecnológica). Tudo isso para conectar dados operacionais brutos a decisões estratégicas com confiabilidade e governança, sem comprometer a estabilidade do sistema.

Quando o monitoramento de equipamentos críticos depende de arquiteturas legadas e isoladas, a visibilidade sobre o desgaste dos ativos físicos se torna limitada. Sem a capacidade de simular estresses operacionais com precisão, as ações de contenção tornam-se reativas, elevando os custos com manutenção não planejada.

Para compreender de que forma a inteligência analítica atua na prevenção de paradas não planejadas, vale analisar de que modo os dados otimizam a inteligência operacional no setor de óleo e gás.

Digital Twin na Petrobras: integridade e segurança de dutos offshore

A viabilidade dessa abordagem integrada é demonstrada no projeto desenvolvido para a Petrobras pelo CESAR – Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife, em parceria com o laboratório LACEO da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A iniciativa focou em resolver um dos desafios mais complexos da extração de petróleo no Pré-Sal: o monitoramento da vida útil dos dutos flexíveis expostos a substâncias corrosivas, como o dióxido de carbono (CO₂), sob elevadas pressões marítimas.

Os dutos flexíveis ligam os equipamentos no fundo do mar às plataformas de superfície, estendendo-se por milhares de metros. A corrosão sob tensão por CO₂ e a fadiga mecânica representam riscos econômicos e ambientais severos. Para mitigar esses fatores, a equipe desenvolveu o FLEXBOARD, ferramenta que orquestra e publica os resultados de modelos de engenharia processados em tempo real.

O sistema cruza dados capturados por sensores no campo com simuladores de engenharia. Essa capacidade analítica gera ganhos diretos para a operação:

  • Predição automática da vida remanescente dos dutos flexíveis a partir da rotina real de operação;
  • Redução de intervenções e trocas prematuras de estruturas com alto custo de fabricação;
  • Mitigação de riscos de vazamentos, preservando vidas humanas e o ecossistema marinho;
  • Prevenção de perdas de produção causadas pela indisponibilidade de linhas vencidas.

O impacto técnico do projeto alcançou reconhecimento internacional. A tecnologia recebeu o troféu SPE Awards, foi finalista do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica em 2024 e venceu, em 2025, a categoria “Adoção Tecnológica” da premiação. O projeto também recebeu o Global Pipeline Award 2025, concedido pela ASME.

Resiliência cibernética: protegendo operações críticas de óleo e gás

A aplicação de práticas de cibersegurança — como criptografia e monitoramento contínuo — reduz a exposição da operação a acessos não autorizados e sequestro de dados em ambientes industriais críticos.

A transformação digital amplia a eficiência dos processos industriais, mas expande a superfície de contato para ameaças cibernéticas. À medida que mais equipamentos de campo trocam informações com a nuvem, a resiliência física passa a depender cada vez mais da resiliência cibernética. Por conta disso, faz-se tão necessário o investimento em cibersegurança.

O estudo Energy Cyber Priority 2025, conduzido pela consultoria DNV com 375 profissionais do setor, indica que 65% das lideranças consideram a cibersegurança o maior risco atual para os negócios. A transição energética e a expansão de ambientes de Tecnologia Operacional (OT) exigem que a segurança da informação seja incorporada à arquitetura dos sistemas industriais desde a concepção.

Para responder a essa exigência, o CESAR estrutura projetos de infraestrutura crítica com apoio de seu Centro de Competência em Cibersegurança (CISSA).

Como viabilizar projetos de inovação no setor de óleo e gás

O ambiente regulatório brasileiro oferece mecanismos consolidados para que empresas desenvolvam projetos de ponta em parceria com Institutos de Ciência e Tecnologia (ICTs). Os recursos provenientes da cláusula de investimentos em P&D, regulada pela ANP, representam uma das principais alavancas para o setor.

Além disso, a combinação com linhas de fomento de entidades como a EMBRAPII, financiamentos da Nova Indústria Brasil (NIB) e incentivos fiscais da Lei do Bem viabiliza projetos de grande porte, reduzindo os riscos financeiros da inovação aberta. Esses recursos permitem que corporações invistam no desenvolvimento de ferramentas aplicadas à sustentabilidade e à eficiência energética.

Acesse nosso e-book gratuito sobre descarbonização para um futuro sustentável: inovações no setor de óleo e gás.

Lidere operações resilientes com as dicas do nosso Guia Executivo

À medida que as operações no setor de energia ganham complexidade, identificar desvios e agir com rapidez torna-se uma exigência operacional. Pesquisas como a Value of Reliability, da ABB, indicam que mais de dois terços das empresas industriais lidam com paradas não planejadas ao menos uma vez ao mês, com custos médios estimados em US$ 125 mil por hora de indisponibilidade.

Para ajudar sua organização a superar a fragmentação de dados e atuar na prevenção de riscos, o CESAR desenvolveu o GUIA EXECUTIVO: Liderando operações resilientes. O material reúne dados de mercado e aprendizados práticos para apoiar decisões em ambientes críticos, abordando:

  • O impacto financeiro e operacional da indisponibilidade: mapeamento de perdas contratuais e produtivas;
  • Gargalos e vulnerabilidades: como identificar os pontos que mantêm a operação em modo reativo;
  • Priorização estratégica de investimentos: critérios para direcionar recursos com base na criticidade e frequência dos riscos;
  • Casos aplicados e tecnologias emergentes: uso de IA, visão computacional e cibersegurança para acelerar o tempo de resposta a falhas.

Acesse o Guia Executivo e prepare sua estrutura para operações de alto desempenho

Construa a resiliência da sua operação com o CESAR

Manter a longevidade dos ativos operacionais em cenários de alta complexidade exige o suporte de parceiros capazes de unir pesquisa de ponta a engenharia de software aplicada. O CESAR atua desde a fase de diagnóstico e concepção até a entrega de sistemas embarcados prontos para rodar nas condições severas do setor.

Se a sua organização busca superar os desafios de integração de dados, implementar Gêmeos Digitais com suporte a decisões em tempo real ou reforçar a proteção de suas redes industriais, conte com a experiência do nosso time de especialistas.

Conheça a página do setor de Óleo e Gás do CESAR para conhecer nossas soluções e falar com um consultor especialista.


Referências

DNV. Energy Cyber Priority 2025: Addressing evolving risks, enabling transformation. Høvik: DNV, 2025. Disponível em: https://www.dnv.com/cyber/insights/publications/energy-cyber-priority-2025/. Acesso em: 14 ago. 2026.

ERNST & YOUNG. Digital twins: how energy companies can drive value. [S. l.]: EY, 2025. Disponível em: https://www.ey.com/en_us/industries/oil-gas/digital-twins-how-energy-companies-can-drive-value. Acesso em: 14 ago. 2026.

INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Oil 2025: analysis and forecast to 2030. Paris: IEA, 2025. Disponível em: https://www.iea.org/reports/oil-2025. Acesso em: 14 ago. 2026.

ABB. Value of reliability: ABB survey report 2023: industry’s perspective on maintenance and reliability. Zurich: ABB, 2023. Disponível em: https://search.abb.com/library/Download.aspx?DocumentID=9AKK108468A6878_PT&LanguageCode=pt&DocumentPartId=&Action=Launch. Acesso em: 14 ago. 2026.


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