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CESAR .


2023-03-29T00:00:00

Negócios


Inovação Aberta: entenda o que é, para que serve e mais

Você já ouviu falar em Inovação Aberta? Ela é uma abordagem na qual as empresas contam com organizações externas para criar soluções inovadoras que resolvam problemas ou aproveitem oportunidades existentes no mercado. O conceito foi desenvolvido por Henry Chesbrough, mas é praticado há muito tempo.

Quer entender melhor sobre esse modelo de desenvolvimento corporativo? Então, continue sua leitura e venha descobrir o que é, como surgiu, suas características, tipos, objetivos e muito mais. Confira!

O que é Inovação Aberta?

A Inovação Aberta, também chamada de Open Innovation, é uma abordagem descentralizada e participativa, que visa promover um maior envolvimento das pessoas da empresa e de organizações externas.

Esse modelo de criação de soluções parte do pressuposto que as empresas não conseguem promover inovações sozinhas, pois os times internos, por mais que sejam compostos por pessoas extremamente habilidosas, essas podem possuir visões limitadas. Afinal, trata-se uma questão de cultura organizacional, já que existem grupos que não possuem a inovação em seu DNA. E com a Inovação Aberta, é possível trazer a percepção de outros atores que contribuirão para os processos ou soluções.

Diferentes organizações, como empresas, startups, universidades, fornecedores e até clientes abrem processos de co-criação visando promover uma inovação e se reinventar no mercado. Para isso acontecer, os desafios e oportunidades são abertos para atrair pessoas com habilidades complementares que possam contribuir com o core business da organização.

Pessoas em reunião olhando para um monitor

Quando surgiu o conceito de Inovação Aberta?

A base desse conceito surgiu ainda no século XVII, com as grandes navegações. Na época, os navegadores precisavam definir o sistema de coordenadas mais preciso para as viagens. Tendo em vista essa necessidade, muitas pessoas com áreas de conhecimento diferentes se uniram e desenvolveram o cálculo que determinava a longitude e resolvia os problemas das navegações daquele século, fazendo com que o objetivo inicial fosse atingido.

No século XVII, as seis potências marítimas da Europa iniciaram uma competição para encontrar uma maneira precisa de navegar pelos mares. Um método mais preciso de medir o tempo para encontrar a longitude, para ser exato. Essa competição inspirou as grandes mentes da época – incluindo Galileu Galilei e Christiaan Huygens – a encontrar soluções para o dilema.

Bem, o problema acabou sendo resolvido no século 18 por um relojoeiro inglês que acabou reinvendicando o prêmio da competição. Mas isso não vem ao caso. As inúmeras invenções inspiradas pela competição ainda hoje podem ser vistas em relógios clássicos.

Isso foi, acredite ou não, uma forma muito embrionária de Open Innovation.

Uma parte, ou melhor, partes juntas pensando em como resolver um desafio onde as pessoas podem propor ideias para resolver um problema geral. Claro, a natureza da colaboração no século 17 era bastante rudimentar, pois é improvável que os mentores por trás das invenções tenham trocado notas sobre seus trabalhos.

Independentemente disso, foi a utilização transparente de colaboradores externos para alcançar um bem maior.

Pelo que sabemos, indo ainda mais longe, os livros de história estão repletos de reis propondo competições para encontrar maneiras de melhorar o bem-estar do seu domínio.

Isso prova que, embora o termo “inovação aberta” tenha sido cunhado por Henry Chesbrough em 2003 em seu livro “Inovação Aberta: como criar e lucrar com a tecnologia” para explicar uma visão moderna dos benefícios da inovação colaborativa com terceiros, a ideia por trás da Open Innovation é muito mais antiga.

Em sua obra, Henry Chesbrough, o “pai da Inovação Aberta”, conceitualizou o termo da seguinte forma:

“A Inovação Aberta é o uso de fluxos de entrada e saída de conhecimento para acelerar a inovação interna e expandir os mercados para o uso externo da inovação, respectivamente.“

Para Chesbrough, professor da UC Berkeley e veterano do Vale do Silício, esta é a fonte ideal para insights de Open Innovation no contexto atual da organizações que trabalham com inovação e tecnologia.

Conceito de inovação

Quais são as características de Inovação Aberta?

Inovação é criar algo novo, seja para solucionar um problema ou aproveitar alguma oportunidade. Como comentado anteriormente, a modalidade aberta é um modelo disruptivo e descentralizador. Afinal, ela utiliza a presença de agentes externos para criar soluções inovadoras. Confira outras particularidades:

  • Comunicação constante e transparente;
  • Ambiente criativo;
  • A colaboração é mais importante do que a competição;
  • Os objetivos são bem estabelecidos desde o início;
  • Pluralidade de profissionais;
  • Foco no alcance das metas e objetivo final.

Ser disruptiva e descentralizada significa que é preciso compartilhar conhecimento e as informações sobre problemas e procurar pessoas fora da empresa em busca de soluções eficazes. Em vez do sigilo e da mentalidade de silo tradicional, a Inovação Aberta convida um grupo mais amplo de entidades a participar da solução de problemas e do desenvolvimento de produtos.

Qual o objetivo da Inovação Aberta?

A Inovação Aberta visa acelerar as inovações por meio do compartilhamento de informações com agentes externos. Com colaborações acordadas entre os as empresas, instituições e profissionais envolvidos, surgem soluções que resolvem adversidades e promovem inovação para o mercado. Juliana Queiroga, uma de nossas especialistas e Head de Empreendedorismo do CESAR, comenta:

“Com Inovação Aberta, a gente se propõe a ter acesso a uma rede de conhecimentos além dos nossos muros, e que agrega ao nosso trabalho e gera mais valor ao cliente final”.

Pessoas em reunião

Quais são os tipos de Inovação Aberta?

Apesar de existir apenas um conceito de inovação, existem alguns tipos de inovação. Conheça quais são:

– Inbound

Trata-se de situações nas quais a empresa busca profissionais e outras organizações externas para desenvolver novas soluções ou resolver problemas nos processos internos em desenvolvimento. Essas empresas podem recorrer a startups, universidades, incubadoras ou outras instituições do tipo.

– Outbound

A inovação outbound refere-se às empresas, instituições ou pessoas que desenvolvem novas tecnologias e solucionam problemas existentes no mercado e cedem suas soluções para organizações externas posteriormente.

Essa atividade permite que a instituição gere lucros com sua propriedade intelectual. Ou seja, a empresa realiza a inovação “de dentro para fora”, compartilhando suas ideias com outras instituições.

Por exemplo, uma startup desenvolveu uma tecnologia e fez um acordo comercial ou cedeu uma licença para um parceiro que irá comercializar a solução. O objetivo dessa ação é o lucro e a startup receberá seus royalties por ter concedido sua invenção. E a empresa aliada obterá ganhos com a aplicação e venda dos serviços ou produtos. Essa metodologia é considerada pró-ativa.

– Coupled

Também chamada de Inovação Aberta mista, nesse modelo duas organizações com problemas ou desafios em comum se unem em uma parceria. O objetivo dessa união é a troca de conhecimentos entre profissionais para o desenvolvimento de soluções que beneficiem ambos os lados.

Podemos considerar esse modelo como a união entre inbound e outbound, afinal, é um processo produtivo, em que a empresa busca as ideias externas, mas também oferece uma parte de sua propriedade intelectual ao desenvolver ideias para fora. É considerado um método altamente produtivo.

Exemplos de Inovação Aberta

Para entendermos melhor a Open Innovation, vamos olhar alguns exemplos de cases do CESAR. Confira!

– Bettcamp

A empresa Bett se juntou ao CESAR para realizar um Bootcamp, um programa que promove e fortalece a Cultura de Inovação na empresa.

Geralmente, o formato “Bootcamp” é utilizado internamente com a participação dos funcionários, mas, dessa vez, a Inovação Aberta foi o grande diferencial do programa, visto que ele contou com a participação de startups do setor de educação. Por meio de uma chamada pública para um concurso de ideias a serem aceleradas, o Bettcamp recebeu 125 inscritos, destes, 5 projetos foram selecionados.

Durante quatro semanas, os times se voltaram para o desenvolvimento, aperfeiçoamento e validação de suas ideias. O programa contou com workshops de modelagem de negócios, visão da solução e pitch. Tudo isso visando lapidar as ideias e otimizar as soluções.

Todo o processo envolveu a muitos feedbacks, trabalho em equipe e crescimento pessoal. Ao final, as soluções inovadoras que contribuem para a educação brasileira foram apresentadas. Esse projeto impactou positivamente o desenvolvimento das startups envolvidas e também fortaleceu a Cultura de Inovação da Bett.

– Grupo Boticário

  Equipe de estudantes do Summer Job na sede do Grupo Boticário.

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