5 min para ler
CESAR .
Publicado em: 17 de junho de 2026
Negócios
Web Summit Rio 2026: IA, governança e o trabalho de transformar tecnologia em impacto

Com palestra de Silvio Meira e masterclass sobre governança de IA, o CESAR levou ao evento uma discussão que passa menos pelo encantamento com a tecnologia e mais pela forma como ela entra, de fato, para transformar as organizações.
No Web Summit Rio 2026, a inteligência artificial apareceu em quase todos os lugares. Em painéis sobre negócios, energia, setor público, futuro do trabalho e ecossistemas de inovação, a IA deixou de ser tratada apenas como tendência e passou a ocupar outro lugar: o de uma tecnologia que já exige escolhas difíceis.
Silvio Meira propõe olhar para a IA além da ideia de ferramenta
Foi nesse terreno que Silvio Meira representou o CESAR com a palestra “AI is not a tool”. A provocação do título ajuda a escapar de uma leitura ainda muito comum, a de que a IA seria apenas mais um recurso a ser incorporado ao trabalho. Silvio propôs uma visão mais ampla, em que inteligência individual, inteligência social e inteligência artificial passam a interagir em um mesmo espaço.

Essa mudança de perspectiva importa. Quando a IA impacta as formas de aprender, decidir, trabalhar e inovar, ela não altera apenas tarefas, mas muda relações, redistribui responsabilidades e redefine a maneira como as organizações produzem valor. Por isso, a pergunta mais relevante talvez já não seja “qual ferramenta usar?”, mas que tipo de organização está sendo criada quando essas inteligências começam a operar juntas.
Governança de IA e cibersegurança entram no centro da estratégia
Essa discussão encontrou continuidade na masterclass do CESAR “From Anxiety to Advantage: AI and Cyber Governance”, voltada à governança de IA e cibersegurança. O ponto de partida foi uma inquietação comum a muitas empresas: existe pressão para adotar IA, mas ainda faltam estruturas maduras para lidar com riscos, contratos, dados, segurança, controles e responsabilidade.

A conversa tratou governança não como freio, mas como condição de escala. Sem critérios claros, a IA tende a ficar presa em pilotos, iniciativas isoladas ou usos pouco rastreáveis. Por outro lado, com método, ela pode sair da ansiedade e virar vantagem real para o negócio.
Durante a masterclass, o CESAR também apresentou o Guia Executivo Responsible Horizons, que reúne perspectivas práticas de especialistas da instituição sobre IA em produção, cibersegurança, contratos, gestão de riscos e controles para uma adoção mais segura e estratégica. É um material gratuito, que foi pensado para lideranças que já entenderam a urgência da IA, mas precisam organizar melhor o caminho entre intenção, implementação e impacto. Faça o download agora!
Empresas líderes em IA conectam tecnologia, cultura e execução
Fora da programação do CESAR, outras conversas ajudaram a compor o quadro. Na masterclass “AI Leaders — The 8% Playbook”, um dado chamou atenção: apenas 8% das empresas brasileiras são consideradas líderes em IA. O recado principal não estava na estatística em si, mas no que ela revela: Liderar em IA não depende apenas de escolher bons modelos ou contratar novas plataformas, depende de conectar tecnologia a processos, cultura, estratégia e capacidade de execução.
Esse mesmo desafio apareceu no painel sobre inovação em energia. Há recursos disponíveis, temas promissores e demandas claras em áreas como armazenamento, geração distribuída, contratos inteligentes, blockchain e IA. Ainda assim, muitas soluções não passam dos estágios iniciais de maturidade. Ou seja, o problema não é falta de ideia, é a travessia entre pesquisa, validação, mercado e escala.
Ecossistemas de inovação precisam ir além do discurso

A discussão sobre ecossistemas de inovação, conduzida por Chico Saboya (presidente da Anprotec e membro do conselho do Sebrae), trouxe uma das provocações mais úteis do evento: a diferença entre ecossistemas reais e “teatros da inovação”. Um ecossistema não se sustenta apenas com eventos, espaços bonitos ou discursos bem embalados. Ele precisa de circulação de conhecimento, empresas dispostas a testar, universidades conectadas a desafios concretos, startups com espaço para crescer e instrumentos de fomento capazes de reduzir risco.
No setor público, a transformação digital mostrou outra camada dessa conversa. Exemplos em educação, saúde e sistemas de controle indicaram como tecnologias já disponíveis podem melhorar processos e entregar valor ao cidadão. Mas também ficou claro que a IA no setor público exige atenção redobrada a soberania, privacidade, regulação e segurança dos dados.

O que o Web Summit Rio 2026 deixou para empresas e organizações
Ao final, o Web Summit Rio deixou menos respostas fechadas e mais bons incômodos. Discutimos que a IA está avançando, mas sua adoção séria depende de governança, porque a inovação envolve recursos, mas também precisa de articulação. Os ecossistemas existem, mas só produzem impacto quando conseguem conectar conhecimento, mercado e execução.
Para o CESAR, essa é uma conversa familiar. Tecnologia, sozinha, não transforma muita coisa – há trinta anos esse é o nosso posicionamento. O que transforma mesmo, é a capacidade de desenhar caminhos responsáveis para que ela encontre problemas reais, pessoas preparadas e organizações dispostas a mudar.
