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Publicado em: 24 de agosto de 2022

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Open Finance: a evolução da descentralização financeira do Open Banking

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É curioso imaginar que, há menos de 5 anos, a maior parte das informações financeiras não era amplamente visível para os clientes. O cenário era, na realidade, o oposto: os dados eram mantidos isolados e sob difícil acesso de seus titulares, restando aos grandes bancos decidirem, por si mesmos, se as informações seriam compartilhadas e como isso poderia ser feito.

Foi então que, em 2018, a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) determinou que os 9 maiores bancos do Reino Unido abrissem seus dados de transações financeiras para outras organizações e serviços de terceiros, mediante pedido e consentimento explícito. Este marco deu início a um movimento global em direção à descentralização do histórico de informações de clientes, o que hoje é conhecido como “Open Banking”.

No mesmo ano, o Banco Central (BC) iniciou discussões sobre o tema junto a entidades de mercado no Brasil, enxergando-o como uma oportunidade de melhorar a eficiência do setor financeiro nacional e de aumentar a competitividade do mercado. Hoje, o sistema Open Banking no país já é muito maior do que o do Reino Unido – cerca de nove milhões de concessões de usuários já decidiram compartilhar seus dados.

Como surgiu o Open Finance no Brasil?

A implementação do Open Banking no Brasil começou em 2021 e vem sendo executada de forma mista, com o apoio do Banco Central e das instituições financeiras participantes.  Ao BC, coube a regulamentação, definindo o escopo de dados, os participantes e as suas responsabilidades, além das diretrizes de experiência do cliente. Por sua vez, as instituições financeiras e demais entidades envolvidas ficaram responsáveis pela implementação, de forma padronizada.

O sistema se difundiu e popularizou tanto, que foi possível enxergar oportunidades além de informações de produtos e serviços financeiros mais tradicionais (como contas bancárias e operações de crédito), passando a englobar, também, dados sobre produtos e serviços de câmbio, credenciamento, investimentos, seguros e previdência. Foi assim que o Open Banking evoluiu para o Open Finance.

É importante destacar que somente as instituições reguladas pelo Banco Central podem participar do Open Finance, são elas:

  • Bancos;
  • Instituições Financeiras;
  • Instituições de Pagamentos;
  • Fintechs;
  • Corretoras de Investimentos;
  • Corretoras de Seguros.

Quais portas são abertas com o Open Finance?

É justo dizer que o tempo médio de relacionamento que um cliente tem com seu banco muitas vezes se iguala a um casamento duradouro. Além disso, a instituição bancária, por muito tempo, se sustentou como a única fonte de “consumo” para todos os produtos e serviços financeiros. Mas, graças ao Open Finance, esse cenário passa a ser outro.

As ofertas digitais no setor mudaram a maneira que interagimos com nossos bancos e gerenciamos nossas finanças. Ficaram para trás os dias em que mudanças de banco eram quase impossíveis, abertura de contas levava semanas ou solicitar empréstimos exigia uma enorme papelada.

Por isso, o Open Finance permite uma nova onda de serviços financeiros inovadores. É possível mapear ganhos como:

  1. Acesso dos consumidores a uma ampla gama de produtos/serviços financeiros;
  2. Maior controle sobre seus dados, podendo compartilhá-los de maneira mais fácil, porém segura;
  3. Mais envolvimento com suas finanças e capacitação para melhores decisões financeiras;
  4. Maior versatilidade no acesso a dados disponibilizados por conexões bancárias abertas;
  5. Serviços como empréstimos e soluções de pagamento são prestados com maior acessibilidade;
  6. Redução significativa de barreiras para bancos, empresas e consumidores interagirem com mais eficiência.
  7. Criação de novos produtos e serviços financeiros vinculados às contas bancárias dos usuários e mais adaptadas às suas circunstâncias e necessidades específicas.
  8. Avaliações de crédito podem ser automatizadas, garantindo menos erro humano, melhorando a eficiência geral dos empréstimos.

Cases que exploram as possibilidades do Open Finance

Yolt

A Yolt é um aplicativo de gerenciamento de dinheiro para smartphones que oferece uma ampla visão de toda a vida financeira do usuário: cada conta corrente, conta poupança, cartão de crédito, fundo de investimento, entre outros, pode ser adicionado ao painel pessoal por meio do Open Banking.

A solução digital cria gráficos simples da atividade de economia e gastos dos usuários, além de ferramentas de orçamento e categorização automática de suas transações (viagens, compras, contas, entretenimento).

Com a descentralização reforçada pelo Open Finance, também é possível movimentar dinheiro entre contas, tudo isso associado ao recebimento de um cartão gratuito projetado para seus gastos diários  (totalmente opcional).

Guiabolso

Um dos precursores do open banking no Brasil, o Guiabolso foi lançado em 2014, um site e aplicativo de gestão financeira e conexão bancária, cujo objetivo é melhorar a saúde financeira dos brasileiros e otimizar o sistema financeiro do país.

A proposta do app é que os usuários que compartilhassem o usuário e senha das contas bancárias poderiam ter acesso a uma planilha de orçamento doméstico de preenchimento automático.

Diferentemente do Open Banking, no qual as instituições financeiras compartilham os dados entre elas, o próprio Guiabolso é o responsável por recolher os dados junto aos bancos e compilar na ferramenta.

Qual é o cenário atual de Open Finance no país?

Atualmente, o país já conta com um ecossistema de Open Finance, com o compartilhamento de alguns dados entre as instituições, porém, a implementação ainda é gradual e demanda melhorias constantes, além de tempo para que mais pessoas e instituições passem a fazer parte, aumentando o número e qualidade de produtos e serviços oferecidos.

De acordo com Thiago Alvarez, Diretor de Open Finance do PicPay, o Brasil já possui o maior Open Finance do mundo, tanto em termos de escopo, quanto em quantidade de instituições participantes e consentimentos de consumidores.

A Belvo, plataforma de APIs de Open Finance, publicou um artigo com algumas previsões sobre a evolução do sistema na América Latina. De acordo com os especialistas da plataforma, o ano de 2022 terá um aumento na adoção de modelos de Open Finance, e esse impulsionamento acontecerá em razão de dois principais fatores:

  1. Ambiente regulatório mais favorável (particularmente no México e no Brasil);
  2. Mais visibilidade de usuários finais e empresas sobre os benefícios do sistema.

Ainda de acordo com a pesquisa, 90,2% dos profissionais da FinTech acreditam que as empresas devem se adiantar e se movimentar no sentido da implementação do Open Finance.Open Finance: a evolução da descentralização financeira do Open Banking

A tecnologia e estratégia data-driven habilitam o Open Finance

O avanço na disponibilidade de dados, possibilitado pelo Open Finance, pode mudar a maneira na qual empresas e consumidores interagem. Os benefícios para ambas as partes são surpreendentes e decorrem da melhoria na eficiência que a maior acessibilidade dos dados permitirá.

As empresas que adotam a estratégia data-driven para melhorar seus produtos e serviços se juntarão às muitas empresas inovadoras que estão revolucionando o setor financeiro a partir da transformação digital. A tecnologia será o caminho para criar as infraestruturas necessárias para tornar o Open Finance uma realidade, facilitando uma transição suave para esse novo cenário.

Quer continuar aprendendo sobre Open Banking? O CESAR preparou um e-book gratuito sobre o tema para te ajudar a entender as principais características, benefícios, correlação com a LGPD e maiores impactos no setor financeiro.


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