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Publicado em: 13 de agosto de 2022

Design


Metadesign: projetar perguntas é melhor do que projetar respostas?

Homem desenhando uma lampâda em um vidro

Frente a perguntas que desafiam seus negócios, empresas e instituições de setores diversos cada vez mais recorrem ao design. Apesar de uma crescente participação de designers na construção de soluções, instituições muitas vezes veem a prática de forma reduzida, como uma resposta para um problema.

Desafios impostos pelas novas tecnologias, pela percepção de consumidores e suas demandas e, no geral, por um mercado em constante transformação carregam diversas camadas de compreensão e são complexos – assim como deve ser a construção de soluções. Quando se aceita a complexidade, percebe-se o quanto é frágil a certeza de uma resposta assertiva.

Surge então a questão: não seria melhor projetar perguntas do que projetar respostas? Nesse cenário, o metadesign aparece como um conceito e uma prática que ajuda a compreender, analisar, propor, manipular e projetar a complexidade.

O que é e como surgiu o metadesign?

Helda Barros, coordenadora do Mestrado Profissional em Design da CESAR School, explica o metadesign a partir do prefixo “meta”, que se aplica a um movimento reflexivo de autoconhecimento ou auto-observação. Assim, metadesign é o design do design; é a criação dos processos de um projeto e de um caminho para gerar determinadas soluções.

Woman in a black lace top standing beside a colorful sign that says 'LIGA Laboratório de Inovação.'
Helda Barros, coordenadora do mestrado em Design da CESAR School.

“Ao invés de olhar para a área de design usando os frameworks que já são definidos e consolidados, a gente entende que alguns processos precisam dar passos atrás e ter essa estruturação mais específica e mais meta”, diz Helda.

O termo metadesign não é novo, foi cunhado em 1963, quando Andries Van Onck o definiu como o “processo de projeto do próprio processo de projeto”. Apesar de ser uma terminologia da década de 60, Helda lembra que há um amadurecimento em relação a seu entendimento e a aplicações.

O conceito pode ser aplicado em qualquer área do design, seja um projeto voltado, por exemplo, para design de artefatos ou design de serviços – o que muda de uma área para a outra e de um projeto para outro é a natureza da intervenção. O metadesign envolve ainda conhecimento transdisciplinar, de acordo com o objeto que está sendo trabalhado, e deve usar ferramentas que permitam o acesso à complexidade.

“O metadesign é absolutamente necessário para cenários de complexidade”, diz Helda.

Como o metadesign lida com a complexidade

A professora da CESAR School diz que no design é comum um movimento de redução, de olhar para determinado cenário ou problema e o reduzir à solução que será criada. Mas, pela ótica da complexidade, nem sempre essa solução é suficiente. Compreender algo envolve, quase sempre, sua redução, mas é problemático acreditar que essa redução da representação basta para produzir uma representação definitiva.

“Então a gente sai da ótica de redução e entra em abstração: de olhar um cenário absolutamente complexo e fazer um recorte do que você vai absorver”, explica.

Cenários complexos não têm um único problema e uma única solução, e sim um conjunto de elementos que interferem na regulação em si. Então, é importante entender que não é possível resolver todos os problemas com um único projeto.

Nesse contexto, uma abordagem de metadesign envolve um misto de entendimento dos problemas e de soluções de produtos e serviços sob uma ótica sociotécnica – ou seja, sai do desenvolvimento do produto e da interface e entra em uma abordagem que exige soluções tecnológicas ou tecnicistas dentro de algo que faça sentido para a sociedade.

A partir da prerrogativa de que ao olhar para a complexidade não somos capazes, individualmente, de entender todas as possibilidades de interpretação de um projeto dentro da sociedade, torna-se importante falar em colaboração. Assim, o design pode ser pensado inclusive como ferramenta de inovação social, que constrói esses processos junto com as pessoas, cocriadoras de uma solução que é feita para elas.

Helda lembra que, há pouco tempo, designers se fechavam em suas equipes, faziam ideação de solução e prototipação sem manter uma comunicação aberta com o público – algo que só acontecia no início do processo.

“Na nossa sociedade, não cabe mais o designer salvador. Agora, com o design colaborativo, em caráter de pluralidade, as pessoas estão mais inseridas nas tomadas de decisão do projeto. Quem sou eu para entender as necessidades de todas essas pessoas?”, questiona Helda.

A criação de processos de metadesign nas empresas

Em um contexto corporativo, o metadesign vem para apoiar projetos de natureza complexa. Para Helda, é um erro do mercado tratar problemas a partir de um framework simples. Enquanto algumas etapas do trabalho de design são universais e se repetem, como criar personas ou um mapa de usuários, outras não podem ser tidas como iguais para projetos de naturezas diversas, e devem ser elaboradas com mais especificidade.

Assim, há a necessidade de inventar novos métodos dentro do próprio design, que vislumbram demandas específicas, e isso pode ser feito por meio de metadesign. É possível desenhar todo o processo, etapa por etapa, ou, de forma mais simplificada, usar o conceito para criar as ferramentas que serão necessárias no projeto. Para além da construção do processo, é importante definir métricas de sucesso que avaliem o uso social da solução.

O processo e as ferramentas desenvolvidas ou selecionadas influenciam diretamente no resultado de uma solução e no valor que ela entrega à empresa e à sociedade. Helda argumenta que a maior vantagem desse desenho processual meta é desenvolver artefatos e soluções que fazem sentido para as pessoas – e quanto mais sentido elas enxergam em produtos ou serviços, mais elas os usam.

“É nosso papel como designers chegar a soluções que sejam aderentes ao que as pessoas precisam e que, por isso, elas não tenham que ressignificar o uso que estamos propondo. Quando você realmente envolve pessoas nesse processo e chega a uma escala ampla de pertencimento, o uso dessa solução amplia drasticamente. Ou seja, se você entende o que as pessoas querem, você entrega algo que faz sentido para elas e você vende mais”, diz Helda.

De forma crescente, os times do CESAR desenvolvem projetos com forte viés de pesquisa, que vai além da criação de soluções e artefatos – e, para isso, fazem uso intenso do metadesign.
Somos uma instituição design driven, orientamos nossos projetos a partir do design, e, assim, o conceito de metadesign faz parte do nosso trabalho de construção de produtos e serviços, especialmente em inovação. Com uma visão cada vez menos tecnicista e mais sociotécnica, nossos projetos entendem a tecnologia como meio para entregar melhores soluções para as pessoas.



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