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Publicado em: 03 de novembro de 2026
Mobilidade
Innovation Journey Trilha de Mobilidade aproxima indústria automotiva do ecossistema de inovação do Recife

O que uma montadora pode descobrir ao sair de seu ambiente habitual e se aproximar de pesquisadores, startups e empresas de tecnologia? Foi a partir dessa pergunta que o CESAR e o Hub Mobilidade reuniram lideranças do setor automotivo no Recife, nos dias 20 e 21 de outubro, para o Innovation Journey Mobilidade, uma imersão pelo ecossistema de inovação da cidade.
Participaram representantes de empresas como Volkswagen Caminhões e Ônibus, Stellantis, Iveco, Ford Motor Company, Scania Latin America, FormelD do Brasil e Frasle Automotive, além do Instituto de Qualidade Automotiva (IQA) e do Complexo Industrial Portuário de Suape. Durante dois dias, o grupo conheceu iniciativas em desenvolvimento, conversou com profissionais que estão à frente desses projetos e discutiu como novas tecnologias podem responder a desafios da indústria.
Realizada em parceria com o Hub Mobilidade, iniciativa do Learning Village, CESAR e Automotive Business, a jornada percorreu diferentes ambientes de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do Recife. A proposta era aproximar quem conhece os desafios do setor de quem pesquisa, experimenta e desenvolve soluções que podem fazer parte de sua transformação.

Do fomento à inovação
A programação proporcionou aos participantes uma conexão com ambientes de pesquisa, formação, desenvolvimento tecnológico e negócios. A jornada incluiu uma visita ao CIn-UFPE, onde puderam conhecer de perto o ambiente de pesquisa em que nasceu o CESAR, e à CESAR School.
Entre as discussões, um painel mediado por Georgia Barbosa, do CESAR, reuniu Breno Alencar, da Emprel, Rochester Costa, da Finep, e Ester Martins, da Embrapii, que participou remotamente, para debater caminhos de financiamento e viabilização de projetos de inovação e as possibilidades de fomento ao desenvolvimento tecnológico.
O encontro também abriu espaço para aproximar empresas e novos negócios. Quatro startups (Wings, LogiTwin, Stepps e Nimbloo) apresentaram suas soluções e iniciativas, compartilhando projetos que podem contribuir para novas perspectivas de mobilidade. A dinâmica favoreceu a troca com os empreendedores, criando oportunidades de conexão e colaboração.
A programação incluiu ainda visitas ao NERD e ao SENAI Park, além de showcases do CESAR e do ISI-SENAI, que apresentaram iniciativas de inovação para a mobilidade e aplicações tecnológicas voltadas à indústria.
Quando veículos, cidades e empresas passam a conversar
Na masterclass Ecossistemas Cognitivos de Mobilidade, André Neves, professor titular da UFPE e pesquisador associado à TDS.company, propôs olhar para a inteligência artificial para além de suas aplicações em um veículo ou sistema específico.
A discussão partiu de uma possibilidade: e se veículos, cidades e organizações pudessem compartilhar informações e coordenar suas decisões de acordo com o contexto? Nesse cenário, a inteligência artificial não atuaria apenas em tarefas isoladas. Poderia ajudar diferentes sistemas a interpretar situações, antecipar riscos e organizar respostas em conjunto.
Para ilustrar essa ideia, André apresentou um cenário em que uma falha no transporte de medicamentos ameaça o abastecimento de hospitais. Com sistemas conectados, seria possível identificar o problema, ajustar rotas, mobilizar outro veículo e coordenar a entrega. A resposta dependeria da comunicação entre diferentes agentes, da transportadora aos serviços urbanos.
A reflexão trouxe para a conversa um aspecto importante da transformação da mobilidade. As oportunidades não estão apenas nos veículos mais inteligentes, mas também na maneira como eles se relacionam com os serviços, as empresas e as cidades ao redor.
Sete grupos, diferentes ideias para o setor
No Workshop de Negócios e Parcerias do Hub Mobilidade, a discussão ganhou um caráter mais prático. Divididos em sete grupos, os participantes tiveram uma hora para imaginar aplicações de inteligência artificial no setor automotivo e discutir o que seria necessário para transformar essas ideias em negócios.
As propostas passaram por possibilidades como antecipar falhas mecânicas, usar veículos elétricos como ativos de energia, criar novos modelos de cobrança por quilômetro rodado e personalizar ofertas de crédito e seguro. Também surgiram ideias para transformar veículos conectados em canais de mídia e adaptar a produção às preferências dos clientes.
O exercício não ficou restrito às possibilidades. Os grupos também discutiram o que poderia dificultar a implementação dessas soluções, como a fragmentação dos dados, a integração entre sistemas e a necessidade de demonstrar retorno financeiro.
Esse contraponto ajudou a aproximar as ideias da realidade das empresas. Afinal, uma tecnologia promissora não se transforma automaticamente em um bom negócio. É preciso entender o problema que ela resolve, reunir as condições para colocá-la em prática e encontrar parceiros capazes de contribuir em cada etapa.
Uma pausa para olhar o Recife de perto
Entre as conversas sobre tecnologia e negócios, a jornada também abriu espaço para a cultura local. A apresentação Cultura + Mobilidade, conduzida por Vladimir Barros, e a visita ao Paço do Frevo trouxeram outro olhar para a experiência, aproximando os participantes da história e das expressões culturais do Recife.
Os momentos de convivência ajudaram a prolongar as conversas iniciadas durante as atividades. Foi também fora dos painéis e das apresentações que os participantes puderam trocar experiências e conhecer melhor o trabalho uns dos outros.
Ao longo dos dois dias, o Innovation Journey Trilha de Mobilidade aproximou empresas com desafios semelhantes de pesquisadores, empreendedores e profissionais que desenvolvem soluções em diferentes frentes. A experiência mostrou o que pode surgir quando esses encontros acontecem: novas perguntas, outras perspectivas para problemas conhecidos e oportunidades de colaboração que podem continuar depois da jornada.
