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Publicado em: 02 de setembro de 2016

Tecnologia


Carros: de conectados a integrados

Ilustração de uma mulher negra lendo um jornal em um carro autônomo, com uma tela mostrando a visualização da câmera do veículo.

por Adeilton de Oliveira, Engenheiro da Computação e Consultor em Sistemas Embarcados do CESAR

Uma vez dotados das tecnologias Auto IoT, os carros poderão “conversar” entre si e com a infraestrutura externa para estabelecer a dinâmica do tráfego de forma mais planejada e coordenada.

A indústria e o mercado automotivos estão mudando. Além das montadoras e sua usual cadeia de fornecedores, os gigantes da tecnologia, Apple, Google e Microsoft, têm anunciado iniciativas para carros conectados. Mas a que os carros estarão conectados?

Qual será o impacto dessas mudanças em nossas vidas? Como será o futuro que nos espera?

Nos últimos 125 anos, tem-se observado uma correlação entre os avanços na indústria automotiva e a evolução da tecnologia associada a ela, especialmente nas áreas de eletrônica e tecnologia da informação.

A eletrônica automotiva permite que a indústria desenvolva, ano após ano, veículos mais seguros, mais confortáveis, mais eficientes em termos energéticos, com maior desempenho e menos poluentes. Exemplos de sistemas eletrônicos amplamente difundidos na indústria vão desde injeção eletrônica, sistemas de air-bag e freios ABS aos sistemas de vidro elétrico. Sistemas eletrônicos cuja finalidade é auxiliar o motorista na tarefa de dirigir o veículo são chamados de ADAS — Sistemas Avançados de Assistência ao Motorista. São exemplos deles o piloto automático adaptativo, monitoramento de ponto cego, detecção de mudança de faixa, alerta de colisão frontal e estacionamento automático, para citar alguns.

A tecnologia automotiva também tem mudado a forma como os usuários interagem com o carro e, no futuro, mudará a forma como os carros irão interagir entre si e até mesmo com o ambiente. É aí onde entra a tecnologia da informação e comunicação. Há anos os carros dispõem de meios para se comunicar com outros dispositivos ou sistemas, como Bluetooth e GPS. Podemos dizer que os carros estão conectados e usam tecnologia da informação e comunicação para proporcionar funcionalidades até então inexistentes. Os sistemas ADAS conseguem, dentro do limite da tecnologia, evitar acidentes. Sua evolução, contudo, promete substituir o próprio motorista. O desenvolvimento dessas tecnologias é a base para o surgimento dos veículos autônomos. É o que aposta o setor, conforme o mundo assistiu durante a maior feira de tecnologia do mundo, a Consumer Electronics Show.

Durante a CES 2016, realizada em Las Vegas em janeiro passado, nove montadoras e 115 fornecedoras de componentes automotivos apresentaram inovações que prometem revolucionar a indústria (que vale atualmente US$ 2,4 trilhões) nos próximos anos: carros conectados, veículos elétricos e veículos autônomos, sem motorista.

Sistemas de conectividade, que hoje conectam os veículos a dispositivos ou satélites, irão conectá-los entre si (V2V ou “vehicle to vehicle”) e à infraestrutura do sistema de transporte (V2I ou “vehicle to infrastructure”): semáforos, placas de sinalização ou até mesmo avenidas. A conexão em rede entre veículos, e destes com a infraestrutura e com o próprio usuário é o que chamamos de Internet das Coisas Automotiva, ou Auto IoT.

De acordo com Gartner, consultoria americana na área de tecnologia, a expectativa é que as tecnologias de IoT e veículos autônomos levem de cinco a dez anos para estarem, individualmente, estabelecidas. Contudo, os maiores impactos para a sociedade serão resultado da integração dessas duas tecnologias, formando uma plataforma que será a base para as próximas mudanças na indústria e no mercado automotivos.

Atualmente, um dos principais problemas dos grandes centros urbanos é a falta de mobilidade causada pelo grande número de veículos para transporte de pessoas e de cargas. Em março de 2016, o Brasil contava com uma frota de 91.485.547 automóveis (mais de 20 tipos), segundo o DENATRAN — Departamento Nacional de Trânsito. As consequências negativas da falta de mobilidade vão desde o tempo gasto nos deslocamentos e o alto custo do transporte até o crescimento no número de acidentes de trânsito. Para a população, especificamente, além da perda de tempo na locomoção e perda financeira, existe ainda degradação da saúde coletiva e da qualidade de vida.

Infelizmente, não há alternativa para o transporte de cargas dentro das cidades ou dos centros urbanos, mas para o transporte de pessoas temos ao menos duas. A primeira delas é a maior utilização do transporte coletivo ou de massa (ônibus, trem ou metrô), que diminuiria o volume de automóveis trafegando pela cidade. A segunda é tornar o trânsito mais eficiente, em tempo e custo, o que seria válido mesmo com o aumento do número de veículos de transporte individual.

Partindo da premissa que as pessoas podem escolher a forma de locomoção que mais lhes convêm, e por ser este o pior caso, consideremos o transporte individual. Tudo indica que no futuro sua utilização crescerá, uma vez que, além de oferecer comodidade e conforto, ele atende às necessidades particulares de cada pessoa. Personalização de produtos e serviços é algo que vem sendo incorporado também em outros setores da economia.

O veículo autônomo, por si só, não é a solução para o problema da falta de mobilidade. Ele deve adquirir dados do ambiente à sua volta, tomar decisões e executar ações. Sabemos que a imprevisibilidade causada por automóveis guiados por motoristas humanos é um fator que aumenta as chances de acidentes de trânsito. Dessa forma, obter dados do ambiente torna-se essencial para que o veículo autônomo possa prever e evitar colisões. As tecnologias de V2V e V2I são, portanto, indispensáveis para um sistema de trânsito mais robusto.

Uma vez dotados das tecnologias Auto IoT, os carros poderão “conversar” entre si e com a infraestrutura externa para estabelecer a dinâmica do tráfego de forma mais planejada e coordenada. Os semáforos serão controlados de acordo com a circulação de veículos e poderão dar prioridade a veículos de emergência, em caso de necessidade. Os sentidos das vias serão alterados automaticamente para se adaptarem às condições instantâneas do tráfego. O sistema de trânsito poderá ser programado para otimizar recursos, como o tempo de deslocamento ou o consumo de combustível de uma frota.

Essas novas tecnologias também impactam a indústria, o mercado e a sociedade. Para as montadoras, será possível fazer o diagnóstico dos carros em campo continuamente, permitindo prever o desgaste de peças e informar ao proprietário a necessidade de uma manutenção não prevista antes que um problema ocorra. Para o proprietário, sendo o veículo autônomo, não haverá motivo para mantê-lo estacionado. O veículo poderá, sozinho, transportar outras pessoas enquanto não é usado pelo dono. Isso muda, inclusive, a necessidade de possuir um carro, o que vai gerar novos modelos de negócios para a indústria automotiva e um novo estilo de vida para o usuário. Para a sociedade como um todo, a Auto IoT e suas novas tecnologias podem ajudar a resolver o problema da falta de mobilidade nos centros urbanos, tornando o trânsito mais eficiente e seguro, o ambiente menos poluído e mais agradável e a qualidade de vida muito melhor.


Indústria

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