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Publicado em: 16 de abril de 2018

Negócios


A capacidade de transformar

Imagem do artigo A capacidade de transformar

por Laís Xavier

Empreender é executar a ideia, enfrentar a frustração, mudar de estratégia rapidamente quando o negócio e o mercado exigem.

Neste ano completamos mais de uma década desde os primeiros passos do grupo Mídias Educativas. Em 2008, éramos quatro amigos finalizando o mestrado em Engenharia de Requisitos no Centro de Informática da UFPE. Com um projeto de pesquisa financiado pelo CNPQ, formamos uma equipe multidisciplinar para validar no ambiente acadêmico o desenvolvimento de sistemas e conteúdos de tecnologia aplicada na Educação. Hoje atuamos em vários segmentos da área: na educação básica, no ensino superior, ensino técnico e corporativo, tanto público como privado, na gestão de desempenho, monitoramento de aprendizagem, ferramentas para melhorar índices, identificar deficiências do processo de ensino e de aprendizagem, entre outras frentes.

A empresa nasceu enxuta. Muito frisson, muita motivação, muitas certezas. Algumas dúvidas, muitos conselhos. Determinada, empreendedora de primeira viagem, eu acreditava que tudo daria certo: “Foca no que fazes melhor e entra de cabeça nisso”, alguém me diz. Eu mesma cuidava do financeiro, contábil, marketing, vendas, programação, troca de água no bebedouro, reposição de insumos para o banheiro… Tudo era novo e interessante. Conquistado o primeiro cliente, encaramos o desafio do portfólio. Não havia nada de concreto para mostrar, mas muitas ideias para executar. “Dou conta de toda essa execução”, penso. “Preciso de dinheiro para pagar o aluguel, energia, internet. Quero produto, mas o serviço pode alavancar o dinheiro”.

Ter cliente e usuário na base exige assumir riscos para que o negócio se concretize, chegue do outro lado e atenda a necessidade. Empreender é executar uma ideia e dar conta da frustração, mudar de estratégia rapidamente quando o negócio e o mercado exigem.

Grande parte do nosso ouro é o pool de habilidades pessoais que somamos, o feeling que nos conectou para criar a empresa e realizar os projetos. Isso foi muito importante na nossa estrada. Diferentes experiências e pontos de vista nos ajudam a manter os pés no chão.

No meio do caminho nasce uma nova empresa. Temos sempre um projeto novo lidando com um mercado novo, e cada trabalho traz uma bagagem diferente. Produto no mercado, suporte rodando. “E o marketing? Quanto gasto para conseguir um usuário a mais? O governo… dinheiro maior, volume grande de usuários. Estou preparada para essa venda? Investidores… um conto à parte”.

Todos os dias aprimoro o que aprendi nesses anos de trabalho. Quando passamos por problemas, encaramos de frente que outros próximos virão. A experiência empresarial precisa dessa capacidade de transformar rapidamente o que é necessário, precisa exercitar e refletir os problemas, agir. Não esperar. Seguir. Para executar bem, atender uma necessidade em ponto, é preciso muita dedicação, empenho, porque a realidade é muito diferente do mundo colorido pintado para futuros empreendedores.

Fiquei rica? De experiências. E a empresa rodando. Os desavisados diriam que foi sorte. Seguimos em crescimento, acumulando bagagem, experiências, histórias. Quem é empreendedor não para por aí, tem outras motivações. Mais uma startup, começa tudo de novo. Agora um pouco mais experiente — mas o mercado muda. Sempre. Resiliência.

Maternidade e acolhimento

Grande parte da minha carreira foi na área de Tecnologia na Educação, assim como a dos outros sócios. Minha experiência como professora e a formação técnica me trouxeram background, e ainda hoje dou aulas para estar sempre perto da sala de aula. Quando começamos a empresa, passamos a frequentar associações empresariais. Eu era a única mulher do grupo e a mais jovem, com 25 anos. Hoje, os ambientes de startups têm muito mais interlocutoras, a presença das mulheres aumenta progressivamente na área de TI. O acolhimento dos meus sócios no momento em que minha filha nasceu foi determinante para a minha carreira. Quando ela fez sete meses eu pude trazê-la para trabalhar comigo. Foi assim até ela completar 1 ano, quando já podia ir para a escola. Eu consegui executar meu trabalho e não deixei de estar ao lado da minha filha para viver a relação de proximidade que eu queria manter com ela. Estar presente na maternidade foi fundamental para realizar meus projetos com mais segurança, e realizar meus projetos me fortaleceu para assegurar uma relação saudável com a maternidade.


Laís Xavier é diretora de negócios da Mídias Educativas, empresa com 10 anos na área de tecnologia educacional, e da Mídias Criativas, startup de entretenimento infantil. Obteve mestrado em Engenharia de Requisitos na UFPE e é certificada PMP — Profissional de Gerenciamento de Projetos.


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