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Publicado em: 02 de setembro de 2026

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7 pontos para entender os novos desafios da cibersegurança no setor financeiro

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A transformação digital do sistema financeiro ampliou as possibilidades de serviços, negócios e experiências, mas também trouxe novos desafios para a segurança. No Febraban Tech 2026, o CESAR participou de dois debates que colocaram em evidência questões centrais para esse cenário, como o avanço da engenharia social, a exploração do comportamento humano, o uso estratégico de dados e a necessidade de fortalecer a privacidade e a confiança nas relações digitais.

Representado pelo CISSA, Centro de Competência em Segurança Cibernética, o CESAR, o mais completo centro de inovação e conhecimento do Brasil, esteve no painel “Engenharia social e o desafio da proteção do cliente”, com Milton Lima, pesquisador-líder em Cyber Threat Intelligence, e no debate “Dados, identidade e confiança: o pagamento como ativo estratégico”, com Claudia Cunha, DPO do CESAR e pesquisadora.

As discussões mostraram que os desafios da cibersegurança no setor financeiro já não podem ser tratados apenas como uma questão de infraestrutura ou de ferramentas de proteção. De um lado, criminosos exploram cada vez mais o comportamento humano para induzir vítimas a realizar ações legítimas do ponto de vista técnico, mas fraudulentas em sua intenção. De outro, a crescente utilização de dados transacionais, inteligência artificial e Open Finance amplia as oportunidades de inovação ao mesmo tempo em que exige novos níveis de governança, privacidade e responsabilidade.

1. Engenharia social: quando o alvo é a decisão humana

No combate às fraudes, uma das principais mudanças está na própria lógica do ataque. Em vez de necessariamente explorar uma vulnerabilidade técnica para invadir um sistema, criminosos podem usar tecnologia e manipulação psicológica para convencer o próprio usuário a ultrapassar uma barreira de segurança.

Durante o painel, Milton Lima destacou justamente essa mudança de perspectiva. Segundo o pesquisador, para o criminoso pode ser mais fácil “hackear uma decisão” do que um sistema. A provocação resume um dos principais desafios atuais da prevenção a fraudes: identificar não apenas comportamentos tecnicamente anômalos, mas situações em que uma pessoa está sendo conduzida a agir fora do seu padrão.

O cenário exige uma evolução dos modelos tradicionais de detecção. No CISSA, essa questão vem sendo investigada a partir de pesquisas voltadas à identificação de comportamentos anômalos e da degradação do comportamento humano, considerando fatores como motivação, ambiente, estresse e capacidade de desempenho. A abordagem amplia o olhar sobre a cibersegurança e coloca a compreensão do usuário no mesmo campo de atenção dedicado à identificação das ameaças digitais.

2. Mais do que detectar anomalias, é preciso compreender o contexto

A discussão também mostrou que a fronteira entre fraude e golpe está cada vez mais tênue. O usuário pode estar devidamente autenticado, utilizando seu próprio dispositivo e realizando uma transação aparentemente legítima, mas ter sido induzido por uma narrativa construída pelo criminoso.

Nesse contexto, soluções de segurança precisam ser capazes de identificar desvios de comportamento em tempo real e, ao mesmo tempo, intervir sem comprometer a experiência do cliente. Alertas, pausas e mecanismos adicionais de autenticação podem funcionar como momentos de interrupção capazes de fazer o usuário reconsiderar uma ação antes que o prejuízo aconteça.

Para Milton, entretanto, tecnologia isoladamente não resolve o problema. A pesquisa desenvolvida pelo CISSA incorporou profissionais de psicologia e análise de sentimento justamente porque o comportamento humano impõe questões que não podem ser respondidas apenas por algoritmos. A experiência relatada no painel reforçou a necessidade de equipes multidisciplinares, reunindo conhecimentos de tecnologia, psicologia, processos e outras áreas.

🎯 A cibersegurança precisa olhar para além do algoritmo. Compreender o comportamento humano é parte da construção de ambientes digitais mais seguros.

3. Segurança também passa pela experiência do usuário

Outro ponto recorrente no painel foi a necessidade de equilibrar proteção e fluidez. Uma camada adicional de segurança só é efetiva quando consegue interromper uma possível fraude sem criar uma experiência tão complexa que o usuário passe a ignorar os alertas.

Essa lógica aproxima cibersegurança e experiência do usuário. Mensagens claras, intervenções contextualizadas e mecanismos que permitam ao próprio cliente confirmar ou reconsiderar uma operação podem funcionar como parte da estratégia de prevenção.

O desafio, portanto, não é apenas criar mais barreiras, mas desenhar jornadas digitais capazes de incorporar a segurança ao comportamento esperado do usuário. À medida que pagamentos e serviços financeiros se tornam mais digitais, a segurança deixa de ser uma camada isolada e passa a fazer parte da própria experiência.

🎯 Segurança digital não é apenas uma barreira contra ameaças. Ela também precisa fazer parte da experiência que ajuda o usuário a tomar decisões mais seguras.

📌 Saiu na mídia: Privacy by design: a segurança começa antes do código

4. Dados: de registro da transação a ativo estratégico

No segundo painel, “Dados, identidade e confiança: o pagamento como ativo estratégico”, o debate avançou sobre outra dimensão dessa transformação. Se na discussão sobre engenharia social o comportamento é uma fonte de inteligência para prevenir fraudes, no universo dos pagamentos os dados transacionais aparecem como insumo para personalização, prevenção de riscos e criação de novos serviços.

O pagamento deixa, assim, de ser apenas o momento final de uma jornada financeira. Cada transação pode revelar informações sobre comportamento, contexto e necessidades do cliente, especialmente quando combinada a outras fontes de dados e tecnologias de análise.

Dados de pagamentos podem apoiar modelos de prevenção a fraudes, análise de crédito, previsão de liquidez e compreensão de cadeias de fornecimento. No painel, foi destacado como o uso de dados transacionais em tempo real pode permitir a identificação de comportamentos que fogem do padrão e contribuir para uma atuação preventiva. Esse potencial, porém, vem acompanhado de uma responsabilidade proporcional sobre a forma como essas informações são utilizadas.

5. Governança de dados é parte da segurança

Foi nesse ponto que a contribuição de Claudia Cunha trouxe uma perspectiva fundamental para o debate. Quanto maior a capacidade de utilizar dados, maior também precisa ser o cuidado sobre como, por que e para que eles são utilizados.

A governança não deve considerar apenas os dados diretamente fornecidos pelo titular, mas também as informações que podem ser inferidas a partir do cruzamento e da análise de diferentes bases. Um conjunto de dados aparentemente simples pode gerar novas informações sobre uma pessoa quando submetido a processos de perfilamento ou inteligência artificial. Por isso, segurança e privacidade não são dimensões separadas da inovação baseada em dados. Elas fazem parte da mesma equação.

A pergunta deixa de ser apenas “o que podemos fazer com esses dados?” e passa a incluir “o que devemos fazer, para qual finalidade e sob quais responsabilidades?”. Essa reflexão ganha ainda mais importância em um ecossistema financeiro no qual informações circulam entre diferentes instituições, empresas e fornecedores.

🎯 Quanto maior o potencial estratégico dos dados, maior precisa ser a responsabilidade sobre seu uso.

 

Essa discussão ganha ainda mais relevância com a inteligência artificial avançando dos experimentos para fluxos reais de trabalho e decisões de negócio. No Guia Responsible Horizons: Como governar a IA que já entrou na operação?, especialistas do CESAR reúnem dados, referências regulatórias e leituras de mercado que ajudam a entender por que a governança de IA entrou na agenda estratégica das organizações.

6. O desafio do novo ecossistema de pagamentos

Segurança também passa pela experiência do usuário

A discussão sobre Open Finance, pagamentos digitais e split payment reforçou ainda outra dimensão da segurança, relacionada à complexidade das relações entre diferentes participantes. Com o aumento do número de atores envolvidos em uma transação, torna-se fundamental definir responsabilidades, controles de acesso e limites para o compartilhamento de informações.

“No caso do split payment, a mudança não é apenas tributária. Ela implica alterações na própria arquitetura das transações e exige atenção à governança dos dados que circulam entre os participantes.” – Cláudia Cunha

Claudia destacou a importância de delimitar claramente os papéis de cada organização no tratamento das informações, incluindo as responsabilidades relacionadas à proteção de dados e eventuais transferências internacionais. Em uma cadeia cada vez mais distribuída, saber quem acessa quais informações, para qual finalidade e sob qual responsabilidade torna-se parte essencial da segurança.

Esse princípio ganha ainda mais relevância quando pagamentos, identidade, inteligência artificial e prevenção a fraudes passam a operar sobre as mesmas bases de informação.

7. Da tecnologia à confiança

Os dois painéis do Febraban Tech convergem para uma mesma mudança de paradigma. A segurança digital não pode ser construída apenas a partir da capacidade de detectar uma ameaça depois que ela acontece. É preciso antecipar comportamentos, compreender contextos, proteger dados e desenhar experiências que ajudem as pessoas a tomar decisões mais seguras.

É nesse espaço que a atuação do CESAR e do CISSA ganha relevância, ao aproximar pesquisa aplicada, tecnologia, formação de talentos e diferentes áreas do conhecimento para responder a problemas que não cabem em uma única disciplina.

No combate à engenharia social, isso significa olhar para o comportamento humano e para os fatores que influenciam uma decisão. Na gestão de dados e pagamentos, significa combinar inovação e inteligência com governança, privacidade e segurança.

Em um ambiente financeiro cada vez mais digital, confiança não significa apenas acreditar que uma transação será concluída, mas também saber que sistemas, dados e tecnologias estão sendo desenvolvidos para proteger as pessoas e permitir que a inovação avance de forma responsável.

 

No CESAR, apoiamos instituições financeiras no desenvolvimento de soluções que combinam tecnologia e pesquisa para corresponder aos desafios do negócio, considerando as exigências de segurança do setor e a experiência do usuário. Saiba mais sobre nossa atuação!


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