Business Agility: Atitude necessária para empresas em transformação digital

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A agilidade está muito conectada em situar usuário e consumidores no centro da busca pelo entendimento das funcionalidades de um software ou serviços prestados pela organização

 

Por Rodrigo Cursino

O mundo ao nosso redor está mudando muito rapidamente, e estas transformações são causadas principalmente pelas tecnologias e pela forma como as pessoas se relacionam com os mercados. Os consumidores assumiram um protagonismo imenso e acabam por ter um papel central na definição de requisitos e direção dos produtos. Além disso, um expressivo aumento no número de players nas indústrias gerou ainda mais concorrência e necessidade deles proverem serviços inovadores, relevantes e personalizados às necessidades dos clientes.

Olhando em perspectiva alguns anos para trás, considerando o desenvolvimento de projetos de software, temos um cenário de insucesso muito grande. Segundo o relatório CHAOS, do Standish Group, observamos que o número de projetos que falham ou são entregues com algum déficit totaliza cerca de 70% do total. Neste primeiro caso, os usuários nem chegam a ter o software demandado entregue ou não se beneficiam do mesmo. No outro, o projeto é entregue, porém com atraso ou com necessidade de aumento do custo.

Gráfico 1 – Falhas e sucessos de projetos de software

Segundo os estudos do grupo NaPiRE, podemos entender algumas das razões relacionadas a essas altas taxas de insucesso nos projetos:

  • Requisitos incompletos;
  • Baixa validação de requisitos;
  • Falta de envolvimento de usuários;
  • Mudanças frequentes dos requisitos;
  • Falhas de comunicação entre as partes envolvidas.

A busca por uma forma diferente de desenvolver software

Considerando essas e outras razões, em 2001 vários profissionais experts em engenharia de software se reuniram para discutir práticas e princípios de desenvolvimento de projetos de software. Eles queriam sair de um processo tradicional, alinhado a fases que levavam muito tempo para serem concluídas, para práticas que promovessem maior colaboração entre o time de produto e os clientes/usuários, com foco na oferta de valor para os usuários, através de entrega frequente de software com qualidade e que fosse flexível para responderem mais rapidamente às mudanças causadas por um mundo em constante transformação. Eles assinaram, na ocasião, o Manifesto para Desenvolvimento Ágil de Software, que contém 4 valores (abaixo) e 12 princípios “definidos para ajudar outros profissionais a pensarem sobre desenvolvimento, metodologias e organizações de software de maneiras novas e mais ágeis”.

Nas últimas duas décadas foram criadas várias metodologias e práticas de desenvolvimento centradas no Manifesto Ágil, inicialmente com foco em projetos de software. Alguns exemplos são o Scrum, Kanban e XP (Extreme Programming).

Estas metodologias têm o objetivo de ajudar as equipes a desenvolverem o que realmente o cliente precisa, sem excessos, além de ter feedback mais rápido e constante do que ele está achando do software entregue. Outro ponto central é o foco em melhoria contínua, tanto dos processos e ferramentas utilizados, quanto, principalmente, sobre a relação entre os indivíduos envolvidos: equipe técnica, gerentes de produtos, clientes e usuários. Para promovermos uma real mudança de atitude é preciso priorizar as pessoas e suas relações.

Outro ponto fundamental trazido pelo ágil, dado o mercado dinâmico que temos, está nas práticas de planejamento contínuo. É mais importante planejar que ter um plano! Precisamos ter um olhar permanente nas demandas dos clientes, na gestão de riscos, colocar os usuários como centro de nossas atenções e entender as mudanças de comportamento e tecnológicas. Com isso, será possível reagir às mudanças quando necessário.

Agilidade além da TI

Até pouco tempo, estes valores e princípios eram restritos às áreas de desenvolvimento de software e TI das organizações. Com o aumento dos movimentos de Transformação Digital dos negócios, as empresas precisaram entender como estabelecer uma nova cultura corporativa, com foco em entregar realmente o que o cliente necessita, e ter abordagens claras de colaboração entre suas diversas áreas. Lógico, também com o objetivo de obter melhores resultados para os negócios.

Este movimento de transformação tem sido chamado de Agilidade Organizacional ou Business Agility, e procura:

  • Promover maior colaboração entre os times e áreas da empresa;
  • Promover uma atitude centrada em reagir rapidamente às mudanças, dada as novas demandas dos clientes;
  • Ter uma organização menos hierárquica, evitando excesso de coordenação e centralização de decisões;
  • Reduzir a burocracia;
  • Dar mais autonomia para as equipes e os indivíduos;
  • Garantir que as missões e objetivos das equipes estejam alinhados à estratégia da empresa;
  • Ter mecanismos de medição para acompanhar se as ações estão gerando melhores resultados para o negócio.

Spotify, banco ING Belgium, e, no Brasil, Magazine Luiza e Natura, são alguns exemplos de empresas e organizações que promovem a agilidade organizacional. em certos níveis.

O Spotify já nasceu digital e ágil, o que tornou mais fácil a criação de processos otimizados e conectados com os valores e princípios ágeis. Eles consideram uma estrutura organizacional mais horizontal, onde as pessoas têm autonomia para agir e decidir. As equipes, chamadas de squads, são formadas por profissionais multidisciplinares responsáveis por realizar as atividades necessárias para alcançar seus objetivos, o que reduz a complexidade de passagens de bastão entre equipes ou setores e a necessidade de muita coordenação. Neste vídeo, a empresa condensou as principais características que definem sua cultura ágil: http://bit.ly/spotify-videos-pt

Por aqui, o Magazine Luiza é um exemplo de Transformação Digital e também de Transformação Ágil. Empresa consolidada e antiga do mercado do varejo que tinha uma estrutura tradicional, nos últimos anos percebeu que para inovar e liderar era preciso atender de outra forma a dinâmica de mercado. Neste episódio do podcast Hipsters.tech, Henrique Imbertti, Diretor de Agilidade Organizacional do Magazine Luiza, resume a forma como eles se organizam e disseminam os valores e princípios ágeis na empresa: http://bit.ly/case-magalu

Agilidade é realmente uma realidade?

Apesar dos vários benefícios e exemplos de empresas que passaram ou estão passando por transformações ágeis, podemos nos perguntar se agilidade é uma realidade ou apenas uma onda passageira. Segundo o State of Agile Report 2019, da VersionOne, podemos concluir que as organizações estão buscando cada vez mais a agilidade como parte de seus processos e negócios. A indústria da tecnologia ainda é a que mais utiliza agilidade (25%), e já é seguida por organizações com foco nas áreas de finanças (19%), professional services (10%) – considerando serviços de consultoria, engenharia e advocacia – e seguros (8%).

Gráfico 2 – Setores que vêm adotando agilidade e suas razões

Fonte: State of Agile Report 2019/ VersionOne

Conforme estes dados, as principais razões pelas quais as empresas afirmaram buscar agilidade estão ligadas a acelerar a entrega de software e produtos para os clientes (74%), melhorar a forma como lidam com mudanças de prioridades de negócio (62%) e aumentar a produtividade (51%).

Quando as empresas fazem um balanço do que realmente obtiveram de benefícios, elas destacam que conseguiram obter outras diversas vantagens além do que estavam buscando inicialmente, como por exemplo:

  • Melhor visibilidade dos projetos;
  • Maior alinhamento de TI com as demais áreas da empresa;
  • Aumento da moral das equipes, considerando maior empoderamento das mesmas;
  • Aumento da velocidade de entrega dos produtos e time to market.

Atitude para transformar

Quando olhamos os eixos da Transformação Digital, podemos ver interseções com agilidade em praticamente todos eles. A atitude ágil foca principalmente na cultura organizacional e em dar autonomia com responsabilidade para as pessoas, buscando torná-las protagonistas das transformações e ações dentro das empresas.

Figura 1 – Oito eixos da Transformação Digital

Fonte: ICTd – Índice CESAR de Transformação digital

A agilidade está muito conectada em situar usuário e consumidores no centro da busca pelo entendimento das funcionalidades de um software ou serviços prestados pela organização, além de estar em constante colaboração para coletar feedback sobre os produtos e poder revisar suas estratégias. Assim, entender a jornada destes atores e desenvolver empatia por eles é fundamental.

Inovação já é algo inerente à agilidade. Ela, em si, já é resultado da busca por novas maneiras de pensar, agir e se organizar. Ser ágil, então, é reagir às mudanças colocadas pelos mercados, concorrentes e novas tecnologias transformadoras. Para que as organizações tenham sucesso ao navegar neste mundo em constante transformação, uma coisa é certa: elas também precisam ser ágeis.

 

Rodrigo Cursino é Consultor de Testes do CESAR, com foco em qualidade e métodos ágeis e é professor da CESAR School. É organizador de eventos de relevância nacional como o Agile Brazil, Agilidade@Recife e Agile Testing Days (Alemanha) e Ministry of Testing Recife.

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