Uso de PBL (Problem Based Learning) como experiência inovadora de formação

Uso de PBL (Problem Based Learning) como experiência inovadora de formação

por Felipe Furtado

A necessidade do mercado por profissionais que possuam uma formação voltada para a prática profissional e o desenvolvimento de competências multidisciplinares têm justificado o uso de práticas de ensino inovadoras, como o PBL (Aprendizado Baseado na Resolução de Problemas).

O método PBL (Problem-Based Learning, ou aprendizado baseado na resolução de problemas) têm origem na área médica, mas seus princípios mostram-se alinhados às necessidades de ensino em qualquer área cujas atividades requeiram habilidades como o trabalho em equipe, a interação entre os envolvidos e a experiência prévia em projetos com condições reais de mercado.

Nesse sentido, durante o MPES (Mestrado Profissional em Engenharia de Software) o CESAR optou pelo uso de práticas pedagógicas que aceleram a apropriação de conhecimento por parte dos estudantes. Uma das práticas escolhidas foi a PBL, implementada por meio da criação de Fábricas de Software executadas por docentes e monitores que atuam como profissionais sêniores em suas áreas de conhecimento. Além disso, o SWEBOK (Software Engineering Body of Knowledge), documento criado pela IEEE Computer Society, organização profissional mundial dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade, foi utilizado como referência para definição de disciplinas e ementas do programa.

Em linhas gerais, através de aulas práticas, criadas a partir de projetos reais de mercado e da análise do perfil dos alunos, a fábrica de software dá suporte às disciplinas provendo um ambiente real de experimentação, inovação e prática dos conceitos adquiridos nas aulas teóricas.

Neste contexto, os estudantes são envolvidos em problemas reais de empresas de diferentes portes, aplicando os conhecimentos adquiridos ao longo das disciplinas e realizando a gestão das fábricas, apoiada pelos monitores e professores. Esta prática garante a transversalidade de conhecimento entre os conteúdos das disciplinas do projeto pedagógico, como sugere as diretrizes da LDB (Lei de Diretrizes e Bases) para o ensino.

O uso de PBL satisfaz três importantes critérios para uma formação inovadora, são eles:

  • O aprendizado acontece em um ambiente onde os estudantes estão imersos na prática e recebem feedback de outros estudantes e dos professores. Para isso, os estudantes fazem parte de equipes com papéis e responsabilidades bem definidas, focadas na solução de problemas reais;
  • Os estudantes recebem direcionamentos e suporte de seus pares, de maneira a promover um ensino multidirecional envolvendo outros estudantes, professores e monitores, prática que diverge do ensino convencional que é unidirecional (de professor para estudante);
  • O aprendizado é funcional, com foco na solução de problemas reais. Os estudantes trabalham em conjunto para identificar e analisar problemas gerando soluções, dentro de um ambiente colaborativo.

Quanto aos processos criados, a metodologia utilizada contempla um processo para a construção das Fábricas de Software, envolvendo desde a definição de equipes, à modelos de ciclo de vida de processos e negócios, e detalhes relacionados com a infraestrutura necessária ao seu funcionamento. Além disso, há um processo para o acompanhamento dos projetos por meio de avaliações do planejamento, dos artefatos gerados, e da evolução de satisfação do cliente.

Quanto ao processo de avaliação coletiva, o programa de Mestrado Profissional se dá pela composição de cinco componentes pedagógicos, são eles:

  1. Satisfação do cliente;
  2. Cumprimento de cronogramas e objetivos para a execução dos projetos;
  3. Avaliações independentes para avaliar a aderência do projeto às questões abordadas;
  4. Avaliação de alinhamento entre os membros do time; e por último,
  5. Banca de investimento: Avaliação final feita por um grupo de especialistas do mercado de software que simula uma situação de apresentação para investidores onde as equipes terão que apresentar os resultados do projeto sob quatro aspectos:

Negócios: Viabilidade de implantação do negócio, diferenciais de mercado da fábrica, conhecimento sobre a concorrência e modelos de negócios e conhecimento sobre o mercado (perfil de cliente/segmento) que pretende atuar;
Investimento de mercado: Atratividade do modelo de negócios apresentado e potencial de retorno do investimento;
Tecnologia: Desafios tecnológicos e adequação da tecnologia ao produto desenvolvido;
Inovação: Modelo de negócios da fábrica e abordagem da forma como o produto/serviço soluciona o problema proposto.

A partir deste modelo, desde 2007, o MPES-CESAR já recebeu 107 submissões de clientes reais, possibilitando a criação de 53 fábricas de software e a geração de ao menos um produto real de software por fábrica e diversos produtos para clientes do mercado.

Adicionalmente ao MPES, o CESAR utiliza há quase 10 anos a técnica de Problem Based Learning em “Residências de Software”, programas de formação acelerada de capital humano a partir de necessidades reais de um cliente, visando a qualificação de profissionais (residentes) acompanhada da entrega de artefatos de Tecnologia da Informação em padrão comercial.

A Residência é composta por treinamentos baseados na resolução de problemas, práticas assistidas e coaching. Profissionais experientes do CESAR realizam o acompanhamento, avaliação e direcionamento técnico dos residentes, a fim de garantir qualidade tanto da formação quanto das atividades práticas realizadas no programa, contribuindo para a formação dos profissionais e proporcionando os seguintes benefícios:

  • Inserção do residente no mercado de trabalho;
  • Formação integral do residente em um ambiente profissional que também desenvolve relações interpessoais e valores profissionais;
  • Concepção e implementação de soluções com qualidade comprovada pelo CESAR;

Ao participar de uma Residência CESAR, os alunos são inseridos em um ambiente de inovação e profissionalismo de classe mundial, resultando em um aprendizado mais efetivo.

Mais Informações em:
http://bit.ly/2Aqj9CK
https://www.youtube.com/watch?v=lOu5dU1R4Ik

Felipe Furtado fez pós-doutorado no Reino Unido / The Open University (2016), doutorado (2015) e mestrado (2010) em Ciência da Computação no CIn/UFPE, e realizou especialização em TICs também pela UFPE (2003). Atualmente, é Executivo Chefe de Educação do CESAR. Foi gerente de projetos, coordenador da área de qualidade, coordenador do SEPG (Software Engineer Process Group), consultor interno para melhoria de processo de desenvolvimento de software e engenheiro de qualidade de software.

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