Desenvolver o Plano B é essencial nas soluções de alto desempenho para escalar negócios

Desenvolver o Plano B é essencial nas soluções de alto desempenho para escalar negócios

Tecnologias emergentes como IoT habilitam os sistemas a trabalharem com praticamente tudo integrado via internet, mas também oferecem oportunidades para ataques virtuais de grandes potencialidades

 

O especialista em Tecnologia e Inovação no CESAR Tiago Barros foi o responsável pela palestra que abriu os trabalhos no terceiro dia de atividades da Trilha #Desenvolva, durante a 20ª edição da HSM Expo NOW! – maior evento de gestão da América Latina.

Na ocasião ele falou sobre os desafios enfrentados pelas empresas no desenvolvimento de soluções robustas e de alto desempenho para escalar negócios. Em um dos momentos do debate, sua fala resumiu o sentimento dos participantes a respeito do aspecto segurança, considerado um dos pontos que merecem maior atenção no desenvolvimento deste tipo de tecnologia.

“Os sistemas podem ter sido desenhados com a máxima atenção e submetidos a um volumoso conjunto de testes, mas isso não significa a garantia de que são seguros. É quase possível garantir justamente o contrário. Por isso é tão importante desenvolver um plano B”, disse.

O desafio de construir soluções seguras, escaláveis e robustas foi abordado sob o ponto de vista de dois segmentos que realizam operações tão críticas quanto a mineração e os sistemas bancários.

Neste sentido, foram discutidas inovações tão complexas quanto o uso de caminhões autônomos, capazes de transportar 350 toneladas de forma remota, até o Pix, novo modelo de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central, que está prestes a entrar definitivamente em operação comercial.

O diretor de engenharia de software da Modular Mining Paulo Rogerio Andrade explicou, por exemplo, que o foco da empresa no desenvolvimento do caminhão autônomo foi direcionado para a performance e a segurança em quatro áreas distintas que são:
1. Paradigma. É uma solução que envolve segurança de pessoas, então precisa ser bem conservador. Comparando os modelos similares deste tipo de tecnologia como os que estão na mídia – como criações do Google e da Tesla -, a diferença é que estes modelos têm a inteligência instalada no próprio equipamento, ao passo que no projeto da Modular a inteligência está na sala do centro de controle das operações das minas.
2. Planejamento. Nestes casos, os processos de desenvolvimento são mais burocráticos. As análises de riscos, os controles de obsolescência de hardware e software e todo o controle sobre o ciclo de vida da tecnologia é feito de uma forma muito mais rígida.
3. Segurança. Nenhum sistema de software é perfeito. Sempre vai aparecer algum defeito. “Então adotamos como critério testar em uma condição na qual a latência vai ser três vezes pior do que a realidade”, explicou.
4. Desenho do sistema. Considerar que um sistema é à prova de falha não é acreditar que ele não vai falhar, mas é ter a certeza de que, caso ele falhe, a operação será levada um processo seguro. O design deste veículo, por exemplo, foi feito de uma forma que caso o caminhão tenha algum problema, isso seja detectado por diferentes tipos de sensores cobrindo a mesma área em redundância extrema. Em último caso, caso o sistema não receba as comunicações necessárias para tomar decisões, o caminhão simplesmente vai parar.
“O nível de desafios relacionados à inovação depende do tamanho da empresa e do leque de produtos que ela vai desenvolver. No caso do caminhão, por exemplo, foi criado um processo muito mais pesado do que outros que a própria Modular desenvolve”, afirmou.

Por sua vez, o COO da Cateno José Augusto Simões disse que os desafios fazem parte do DNA do mercado de pagamentos. “Desenvolver softwares, gerar escalabilidade e segurança e ter performance são desafios constantes do segmento. Não dá para parar este ciclo. Obter o estado da arte em tecnologia, selecionar ferramentas para estar sempre aderente ao que há de mais moderno e robusto é condição fundamental para se manter no mercado e estar sempre no topo. Ao mesmo tempo, um simples deslize é suficiente para manchar o nome da empresa”, declarou.
Neste sentido, Tiago Barros chamou a atenção para a necessidade de ter cautela no momento, por exemplo, de atualizar os sistemas. “O ideal é ter atualizações incrementais na base. No caso dos caminhões, por exemplo, seria feito inicialmente em uma parte dos veículos de cada vez até atualizar todos. Assim como no mercado financeiro as mudanças são efetivadas primeiro em pequenos grupos de usuários para depois serem expandidas para todos os clientes”, explicou.

Ele exemplificou o conceito citando a forma como o Banco Central conduziu o lançamento do Pix. “Primeiro os testes foram executados por todas as Instituições financeiras e pelo próprio BC. Depois, por cautela, o serviço foi liberado para uma parcela pequena de usuários para identificar problemas não verificados nos testes. Finalmente, depois destas etapas ele será oferecido a toda a massa de usuários”.

Na conclusão dos trabalhos, a Head of Growth North America do CESAR, Flavia Nascimento, que coordenou o debate, ressaltou a necessidade de contar com o máximo de barreiras possíveis para proteger a inovação em meio ao efervescente número de habilitadores que as empresas trabalham na era da transformação digital.
Para isso ela relatou um caso no qual uma empresa teve um enorme prejuízo quando hackers invadiram seus sistemas industriais e conseguiram alterar em alguns milímetros a localização de um furo que precisava ser feito por robôs em uma peça na linha de montagem.

“Quando você habilita tudo online é preciso lembrar que também pode estar habilitando a fraude”, disse.
Tiago então finalizou a discussão alertando para o fato de que neste caso o próprio sistema deveria ter sido programado para que isto não tivesse acontecido. “É o típico caso de falta de um plano B”, ponderou.

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