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24 de Agosto, 2022

Negócios Artigo

Como será o mercado de energia do futuro?

Mercado de energia do futuro

Quando se fala em previsões sobre o futuro da economia, sabe-se que há muito espaço para incertezas. Porém, ao olharmos para a indústria energética, mais precisamente para o setor elétrico, fica muito claro que ele será significativamente diferente daqui a 20 anos.

De acordo com o relatório da ING, as fontes renováveis ​​podem representar quase 70% da matriz energética do mundo, resultando em uma redução de quase 80% de carbono emitido no ar. Embora seja previsto que a demanda global de energia aumentará cerca de 28% até 2040, nosso ar deve ser mais limpo e nosso planeta mais saudável. Este é o cenário do futuro da energia no planeta. 
Um mercado em transformação

Embora o cenário seja promissor sob a perspectiva da sustentabilidade, chegar a esse ponto não será fácil, serão necessários bilhões de dólares em investimentos em novas tecnologias, compromissos de instituições financeiras para financiar projetos de baixo carbono e projetos de energia renovável, além de incentivos públicos para tornar as inovações economicamente viáveis.

Outro ponto que motiva a transformação no mercado é o crescente interesse dos consumidores em empresas que possuem uma agenda sustentável e reconhecem a sua responsabilidade com a sociedade, um cenário que acarreta vantagens para os negócios que estejam liderando esse movimento.   

Tendências para o futuro do mercado de energia

Atualmente é possível mapear alguns desafios enfrentados pelo setor de energia, tais como: produção de energia descarbonizada; disponibilidade de recursos para viabilizar os custos do uso de tecnologias sustentáveis e escassez de investimentos em tecnologias de energia limpa. Essas dores acabam por motivar que organizações se movam em direção a algumas tendências, com o objetivo de solucionar suas lacunas. Confira quais são elas:

Descarbonização

Atualmente, os combustíveis fósseis ainda representam uma enorme porcentagem de geração de eletricidade em muitos países. Porém, o setor elétrico tem se movimentado em direção à descarbonização da produção de energia, seja promovendo a transição da matriz energética para fontes renováveis, produzindo combustíveis fósseis de uma maneira mais ambientalmente eficiente ou reduzindo a quantidade de carbono no ar. 

Contudo, as soluções de energia renovável têm seus desafios - principalmente quando se discute a disponibilidade (ex: crises hídricas que afetam hidrelétricas), portanto, além de pensar em descarbonização, é preciso garantir um maior investimento em projetos de armazenamento de energia, capazes de fornecer um suprimento confiável de eletricidade. Um exemplo disso são os sistemas fotovoltaicos, que estimulam o uso da fonte solar, tornando as estações de geração mais duráveis e eficientes.

Mesmo enfrentando uma crise hídrica, o Brasil segue sendo um dos líderes mundiais no uso de fontes renováveis. De acordo com o Balanço Energético Nacional 2022, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), com a o incremento das fontes eólica e solar na geração de energia elétrica (perda zero) e o biodiesel contribuíram para que a matriz energética brasileira se mantivesse em um patamar renovável de 44,7%, muito superior ao observado no resto do mundo. 

Eletrificação

Fortemente relacionada à descarbonização está a eletrificação, a exemplo da evolução de veículos elétricos que, apesar de benéficos ao ambiente, exigem uma transformação intensa na mobilidade urbana e, consequentemente, um avanço no desenvolvimento de tecnologias, visto que muitos países ainda não possuem estrutura para o abastecimento de carros elétricos.

Porém, antes de promover a transformação da produção de automóveis, é preciso observar a matriz energética e a integração da rede de abastecimento, pois é necessário entender se as fontes de energia são compatíveis com o objetivo, ou seja, se serão capazes de gerar energia suficiente para as demandas da população.

Mercado livre de energia e descentralização

Essa tendência se refere à transição do sistema atual de fornecimento de energia altamente centralizada, administrado por fornecedores monopolistas de energia, em direção a sistemas de produção de energia distribuídos. Em outras palavras, graças ao aumento na oferta de energia renovável, os consumidores podem gerar sua própria eletricidade para suas próprias necessidades. 

No Brasil, o Ambiente de Contratação Livre (ACL) representa a evolução dessa descentralização do mercado, trazendo mais sustentabilidade, economia, autonomia, acessibilidade e liberdade para consumidores, sejam organizações ou até autoridades locais.


Um exemplo da descentralização no Brasil é a crescente produção de energia por meio de painéis solares. Atualmente, cerca de 30% da energia gerada no Brasil é consumida no ACL, porém, segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (ABRACEEL), ainda estamos na penúltima posição no Ranking Internacional de Liberdade de Energia Elétrica.

Internacionalmente, um exemplo do sucesso da descentralização pode ser visto em Glasgow, na Escócia, onde há uma quantidade pequena, mas crescente de geração de energia local oferecida por geradores na cidade e/ou ao seu redor. Também há o incentivo para construtoras civis criarem recursos de energia tanto para seus projetos quanto para prédios vizinhos.

Digitalização

Essa tendência traz o uso de máquinas e tecnologias digitais para otimizar a produção, a infraestrutura e o uso de energia. Em poucas palavras, é tornar inteligente a produção e o consumo de energia. 

Com a crescente descarbonização e descentralização, surge a variedade crescente de fontes de energia, o que significa que as redes de energia se tornarão mais complexas e precisarão de soluções inteligentes para monitorar e gerenciar a demanda flutuante. É aí que entram as ferramentas digitais. 

Algumas tecnologias habilitadoras da digitalização no setor de energia serão:

AI e ferramentas de análise preditiva: voltadas para analisar e prever a demanda, de forma a ajustar e otimizar a geração/transmissão/distribuição da energia;

Internet das Coisas (IoT): tecnologia que possibilita a criação de dispositivos inteligentes que podem ajudar os consumidores a reduzir seu uso de energia. Empresas do setor elétrico usam estes dispositivos para dados para uso em AI;

Fonte: SAP

Gêmeos digitais: podem ser usados ​​para criar uma réplica virtual de uma usina, permitindo que os provedores simulem cenários diferentes, tomem melhores decisões e melhorem a eficiência do fornecimento e gestão de energia.

O papel da inovação na construção de um futuro verde

Para cumprir com o objetivo de um planeta abastecido por fontes renováveis até 2040, o caminho é claro, mas não é simples. Será necessário que empresas, startups, especialistas e centros tecnológicos busquem - ou criem - maneiras mais inovadoras de acelerar esse processo que, apesar de complexo, já tem se tornado uma realidade. De acordo com o Crunchbase, apenas nos EUA já existem mais de 2.500 startups dedicadas a criar soluções inovadoras para a energia limpa. 

Esse cenário abre horizontes para o crescimento de tendências como a inovação aberta, na qual organizações podem abrir seus desafios para que startups submetam suas soluções, cujos MVPs são financiados pela empresa, como no programa Waterlution BRK Acelera, no qual as soluções propostas pelas startups promoviam maior sustentabilidade na saneamento e distribuição de água. 

Por isso, se as organizações quiserem permanecer relevantes em um setor cada vez mais competitivo, devem se movimentar em direção à inovação de soluções e processos. As comercializadoras e os consumidores terão a necessidade cada vez maior de investir em soluções tecnológicas e inovadoras para acompanhar a evolução do mercado livre de energia e da logística sustentável que vem se definindo.

O CESAR é apto a atuar em projetos com recursos da Agência Nacional de Energia Elétrica e da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, tendo respaldo para cumprimento das exigências necessárias de execução e controle de projetos que visam promover e viabilizar o ciclo completo da cadeia de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

Para entender como o CESAR pode ser o parceiro da sua empresa na cocriação de processos e soluções inteligentes, visite a nossa página com conteúdos e soluções dedicados ao setor de energia.

 

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