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08 de Abril, 2022

Design Artigo

Como a abordagem design-driven transforma, acelera e renova negócios

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Grandes organizações começaram a trabalhar com o design em processos internos e de inovação, especialmente quando voltados para intervenções sobre a complexidade e o futuro. Este movimento da cultura de negócios centrada na abordagem design-driven tem trazido a prática da disciplina para o centro das estratégias organizacionais.

Desde o design thinking até projetos mais robustos, é preciso cuidado para criar modelos e resultados de altíssima qualidade, que gerem valor e impacto positivo não só para as organizações, mas para toda a sociedade. Para isso, é preciso responsabilidade e compromisso em construir uma nova visão sobre o que se vai abordar: seja uma visão de problema, de sociedade ou de futuro. A melhoria do pensar, fazer e entregar design cria modelos com níveis mais altos de maturidade para inovação.

Uma organização design-driven


O design ajuda organizações a estabelecer formas de trabalho que permitem obter e analisar insights e, assim, desenvolver soluções que, por sua vez, têm o potencial de resolver esses insights. Ser design-driven é ter uma intenção, operar em um contexto e ter ideias a partir desse contexto. Organizações que não operam nessa lógica esquecem de entender o contexto antes de desenhar soluções. Deixam de se perguntar: qual é o problema com o qual estamos lidando?

Mais que isso, o design faz parte de uma transformação mais profunda, relacionada ao comprometimento da organização com a transformação social. Ser design-driven é trabalhar em torno de um grande objetivo para trazer resultado e valor não só para a instituição, mas para a sociedade como um todo.

E como a gente acelera uma transformação? É preciso entender que o design é um princípio epistemológico diferente da engenharia. A engenharia está muito preocupada com a solução do problema, mas o design vai além: a arte (ou o que é relacionado à arte) é a invenção de outras realidades, percepções e abordagens. Assim, para gerar inovação disruptiva, é preciso ultrapassar determinados limites organizacionais.

Nos últimos anos, o design começou a conquistar mais espaço dentro das empresas, reconhecido por suas capacidades de reconhecimento de público, de problemas, testagem e entrega. Agora é o momento de falar “não” para a simplificação desses processos, para que assim a mentalidade do design possa fazer parte das diversas demandas e oportunidades de gerar transformação real na sociedade.

Para isso, o design não pode ser um processo solitário dentro da empresa. Para se criar impacto em todo o contexto da organização, o design não pode ficar limitado como processo interno – algo que impede que empresas visualizem um contexto social, econômico e ambiental mais amplo.

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Fonte: Infragistics

Como incorporar uma visão mais profunda do design no dia a dia das organizações


Não existem soluções de prateleira. É importante escutar o cliente na realidade dele, entender o contexto e, a partir daí, produzir uma série de relações para que a organização produza de forma satisfatória e chegue a outro estágio de desenvolvimento. Existe então a necessidade de inventar novos métodos, e isso pode ser feito por meio de metadesign.

Caio Vassão, professor do Mestrado Profissional em Design da CESAR School, Head de inovação na Kyvo e fundador da Bootstrap, conceitua metadesign como o design do contexto em que acontece o design, ou seja, o projeto de um caminho para gerar determinadas soluções. Assim, esse primeiro passo (a elaboração de um método) permite que as empresas cheguem a resultados mais eficientes com menos esforço.

Em quase todos os projetos, é importante construir um mapa de ecossistema – uma representação sobre onde a organização se situa socialmente. Muitas vezes, empresas não sabem o impacto que geram na sociedade, e o mapa de ecossistema traz essa visão de forma clara. É um passo importante para trabalhar com a complexidade, uma vez que a percepção de contexto, e o que dela deriva, está diretamente associada à capacidade de entender onde se está.

O desenho de um mapa de ecossistema, por si, produz processos e conhecimentos diversos. Assim, o design gera uma série de aprendizados ao longo de todo o trabalho, o que vai transformando a empresa antes de se chegar aos resultados e entregas finais. É o que torna tangível todo o processo de design, quando trabalhado de forma profunda.

Como o design lida com o futuro


O design é uma ferramenta para chegar à inovação, que vai ajudar a co-criar com as organizações novas realidades e novos impactos. Para estruturar esse processo de modo a olhar o todo e para entender o que está acontecendo na realidade hoje, é importante buscar sinais de futuro: o que temos hoje e o que pode acontecer? Fazer esse questionamento é um passo fundamental para dar início à jornada do design.

Hoje, há ainda o design de transição, um novo campo do conhecimento que tem o objetivo de olhar diversos contextos e cenários a longo prazo para desenhar os sistemas de transição – como chegar nessa projeção. A ideia é tentar antecipar problemas e dilemas e criar pontes para novas visões de mundo, soluções e formatos.

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Fonte: Future Concept Retail

Motores e trajetórias de mudanças são investigados por meio de algumas evidências, apontadas, por exemplo, por meio de análises de especialistas, dados quantitativos e notícias. Muitas vezes um sinal de mudança é uma inovação pequena e local, mas com o potencial de ruptura muito grande, que pode ser uma nova tecnologia, um movimento social e até um fenômeno climático. Assim, apesar de não ser possível prever o futuro, sinais provocam inferências e são indicadores de que algo diferente é viável. 

Conheça três grandes inferências sobre o futuro, apontadas por Jacques Barcia, Designer futurista do IFF (Institute For the Future)


1.  De sustentabilidade para regeneração
A sustentabilidade não é mais capaz de responder aos desafios climáticos e sociais atuais. Sustentabilidade era sobre empatar a conta: interferir no ambiente natural ou humano e projetar processos que reduzissem nosso impacto. Alguns sinais já apontam para tentativas de que todo processo, design e solução não só gere um impacto menor, como produza um impacto positivo: qualquer produto desenvolvido na próxima década vai contar com algum elemento para tentar regenerar o planeta.

2. O fim do crescimento econômico
O design e a inovação são feitos com o objetivo de gerar crescimento, mas o crescimento econômico ilimitado é insustentável, com grandes questões ambientais e sociais associadas. Talvez uma marca da próxima década seja inovar para decrescer: projetar sistemas, negócios, designs, produtos e serviços para reduzir a atuação de grandes organizações. O que acontece quando os modelos de negócio da próxima década têm um limite para crescer?

3. Design e inovação para não humanos
Em várias partes do mundo, ecossistemas naturais, rios, plantas e animais estão ganhando direitos, o que mostra que talvez, na próxima década, existam embates jurídicos entre interesses humanos e não-humanos (ambientais). O reconhecimento de direitos da natureza faz com que seja essencial para o design desenhar não-humanos como stakeholders e como clientes finais.
Quando falamos de design, falamos de projeto.

É comum pensarmos no design como metodologia para solução de problemas, que também marca o universo da engenharia. Mas outro jeito de pensar o design, de modo mais profundo, é como uma abordagem diferente, que exige métodos diferentes. A arte faz intervenções abertas na sociedade, em um processo experimental. No conceito de engenharia para projetos de inovação, a ideia é produzir e, no design, trazer novos insights.

É importante entender que design não é apenas uma reta que liga um problema a uma solução. Design é um processo de construção, criação conjunta e aprendizagem, que vai trazer cenários que vão permitir buscar soluções – a última camada do design. Ele nos leva a novos patamares de pensamento e, a partir de mudanças de percepção, vem o resultado.

O CESAR é uma organização design-driven, e por isso aplica os seus princípios em todos os projetos de inovação que executa. Quer saber mais sobre como promover esse mindset na sua corporação? Fale com um consultor.

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