{"id":2321,"date":"2019-04-26T00:00:00","date_gmt":"2019-04-26T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/insight\/pessoas-e-transformacao-digital-um-olhar-para-o-sujeito-psicologico\/"},"modified":"2026-03-10T14:39:45","modified_gmt":"2026-03-10T17:39:45","slug":"pessoas-e-transformacao-digital-um-olhar-para-o-sujeito-psicologico","status":"publish","type":"insight","link":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/insight\/pessoas-e-transformacao-digital-um-olhar-para-o-sujeito-psicologico\/","title":{"rendered":"Pessoas e transforma\u00e7\u00e3o digital: Um olhar para o sujeito psicol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-article\">\n<p id=\"f50e\" data-selectable-paragraph=\"\"><em>Por\u00a0<\/em><strong><em>Luciano Meira<\/em><\/strong><\/p>\n<p id=\"b32e\" data-selectable-paragraph=\"\"><cite><em>Trata-se, para al\u00e9m de reconhecer esse sujeito como consumidor, colaborador, empreendedor, valoriz\u00e1-lo como pessoa capaz de di\u00e1logo, afeto e visibiliza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/cite><\/p>\n<p id=\"43c2\" data-selectable-paragraph=\"\">No espectro das transforma\u00e7\u00f5es digitais contempor\u00e2neas, as pessoas surgem geralmente como sujeitos do consumo em mercados diversos, ou colaboradores associados a corpora\u00e7\u00f5es, ou empreendedores que lideram startups de inova\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de outros tantos poss\u00edveis pap\u00e9is sociais que lhes emprestam uma identidade, mais ou menos est\u00e1vel, no grande esquema que forma as\u00a0<strong><em>Bases para a Gest\u00e3o de Neg\u00f3cios na Era Digital<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p id=\"8f52\" data-selectable-paragraph=\"\">Tanto estes pap\u00e9is quanto a nossa atua\u00e7\u00e3o efetiva nos neg\u00f3cios digitais, caracterizados pelo que pode ser resolvido, comunicado e potencializado por plataformas computacionais, s\u00e3o discutidos nos demais artigos dessa s\u00e9rie. Nessa breve reflex\u00e3o, convido o leitor para dar um passo \u201catr\u00e1s\u201d e observar as pessoas como sujeitos psicol\u00f3gicos, a fim de nos perguntarmos o que somos \u201cantes\u201d e para al\u00e9m de consumidores, colaboradores, empreendedores etc.<\/p>\n<p id=\"a974\" data-selectable-paragraph=\"\">Segundo Rafael Echeverr\u00eda, um dos formuladores da pr\u00e1tica de Coaching Ontol\u00f3gico e cofundador da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.newfieldconsulting.com\/rafael-echeverria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener ugc nofollow\">Newfield Consulting<\/a>, autor do livro\u00a0<em>Ontolog\u00eda del Lenguaje<\/em>, os sujeitos psicol\u00f3gicos s\u00e3o a orquestra\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes ca\u00f3tica, de tr\u00eas dimens\u00f5es fundamentais da exist\u00eancia: a linguagem, o corpo e a emocionalidade.<\/p>\n<p id=\"318d\" data-selectable-paragraph=\"\">A linguagem \u00e9, por assim dizer, o que funda nossa condi\u00e7\u00e3o humana, nossa subjetividade. H\u00e1 um conjunto relevante de teorias, sistemas conceituais e pesquisas emp\u00edricas na psicologia, na lingu\u00edstica, na filosofia, e at\u00e9 em \u00e1reas como a intelig\u00eancia artificial, que, juntas, fundamentam esse car\u00e1ter fundacional da linguagem. Aqui, adiantarei apenas que a linguagem \u00e9 uma forma de a\u00e7\u00e3o que realiza coisas no mundo. Sendo assim, toda transforma\u00e7\u00e3o requer tamb\u00e9m a constru\u00e7\u00e3o de um discurso realizada atrav\u00e9s da conversa\u00e7\u00e3o, da argumenta\u00e7\u00e3o, da met\u00e1fora, entre outras forma\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas. Se pensarmos na pessoa como consumidor, por exemplo: observe como todo projeto publicit\u00e1rio-mercadol\u00f3gico \u00e9, basicamente, uma tentativa de convencimento do outro atrav\u00e9s de estrat\u00e9gias verbais, visuais e sonoras da linguagem.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Da mesma forma, se pensarmos em nossas organiza\u00e7\u00f5es como sistemas complexos de conversa\u00e7\u00f5es, desde aquelas mais formais que ocorrem nas trocas de e-mails institucionais at\u00e9 as mais informais que emergem no cafezinho, dever\u00edamos ser muito mais atentos (1) ao que se fala, (2) como se fala e (3) a quem nos dirigimos, como formas de percebermos a miss\u00e3o e os valores de nossas institui\u00e7\u00f5es num mundo em constante transforma\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<blockquote>\n<p id=\"71be\" data-selectable-paragraph=\"\"><cite><strong><em>\u201cO maior desafio que os seres humanos enfrentam n\u00e3o \u00e9 nos conhecermos. O maior desafio \u00e9 nos inventarmos. Os seres humanos participam com os deuses do ato sagrado de nossa pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0<\/em><\/strong>Rafael Echeverr\u00eda,\u00a0<em>autor de<\/em>\u00a0Ontolog\u00eda del Lenguaje<\/cite><\/p>\n<\/blockquote>\n<p id=\"1ff7\" data-selectable-paragraph=\"\">A segunda dimens\u00e3o considerada por Echeverr\u00eda parece at\u00e9 \u00f3bvia: somos seres corp\u00f3reos; estamos mergulhados nas possibilidades, desejos, dores e limita\u00e7\u00f5es de um corpo que ao mesmo tempo nos empresta a materialidade da vida e sua inevit\u00e1vel finitude. Mas, nos ambientes de trabalho, o corpo \u00e9 usualmente objetificado pelo confinamento, pelo controle sobre suas din\u00e2micas pr\u00f3prias, pelos pr\u00e9-conceitos sobre seus m\u00faltiplos formatos, cores, g\u00eaneros e sexualidades.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Por outro lado, as organiza\u00e7\u00f5es percebidas como l\u00edderes da transforma\u00e7\u00e3o digital s\u00e3o geralmente aquelas que proporcionam ambientes f\u00edsicos e normas de conduta que visibilizam e acolhem melhor as pessoas na sua diversidade existencial, seja atrav\u00e9s de espa\u00e7os que facilitam a aproxima\u00e7\u00e3o e o trabalho colaborativo, por exemplo, seja atrav\u00e9s de um dress code conectado ao clima local e estilos pessoais.<\/p>\n<p id=\"4d44\" data-selectable-paragraph=\"\">Por fim, a dimens\u00e3o da emocionalidade nos remete a uma concep\u00e7\u00e3o dos sujeitos como seres sociais, participantes ativos de circuitos diversificados de afeto, muito mais que sujeitos de uma racionalidade idealizada. Grande parte daquilo que hoje se fala acerca da import\u00e2ncia da empatia, desde o entendimento do cliente, passando pelas formas de lideran\u00e7a que exercemos at\u00e9 as pr\u00e1ticas de resili\u00eancia empreendedora, depende fundamentalmente do exerc\u00edcio de uma emocionalidade fluida, n\u00e3o determin\u00edstica e aberta \u00e0 emerg\u00eancia do novo.<\/p>\n<figure><a href=\"http:\/\/transformacao.cesar.org.br\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"\/documents\/805050\/0\/ICTD+%281%29.png\/b9d59ea8-6c8b-6d16-e2f1-34f6a7a56b30?t=1649254766657\" alt=\"\" width=\"769\" height=\"167\" \/><\/a><span style=\"font-size: 1rem; text-align: inherit;\">Acesse:\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/transformacao.cesar.org.br\">http:\/\/transformacao.cesar.org.br<\/a><\/figure>\n<p id=\"8e3a\" data-selectable-paragraph=\"\">Essas dimens\u00f5es se articulam dinamicamente para a emerg\u00eancia do sujeito como agente de transforma\u00e7\u00f5es, inclusive como agente das transforma\u00e7\u00f5es digitais nos mercados e nas organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Trata-se, portanto, para al\u00e9m de reconhecer esse sujeito como consumidor, colaborador, empreendedor ou tais quais, valoriz\u00e1-lo como pessoa capaz de di\u00e1logo, afeto e visibiliza\u00e7\u00e3o. Importante observar que essa perspectiva produz ambientes de mais confian\u00e7a e proximidade interpessoal no ambiente de trabalho, um movimento que beneficia n\u00e3o apenas o chamado \u201cclima organizacional\u201d, mas que pode impactar objetivamente a produtividade dos neg\u00f3cios, conforme defendem Carmen Migueles e Marco Tulio Zanini, pesquisadores da FGV \u2014 Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas e da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral na reportagem do jornal Valor Econ\u00f4mico: \u201cOs autores identificaram o que chamam de \u2018passivos organizacionais\u2019 da cultura brasileira que consomem tempo, energia e que resultam em perdas de competitividade e produtividade.<\/p>\n<p data-selectable-paragraph=\"\">Entre eles, est\u00e1 a dist\u00e2ncia entre o poder e a base, a baixa confian\u00e7a que faz com que exista um excesso de regras e controles que engessam a coopera\u00e7\u00e3o interna, a pouca disciplina pessoal e o foco exagerado no curto prazo.\u201d<\/p>\n<h2 id=\"2743\" data-selectable-paragraph=\"\">\n<strong>O sujeito como pilar da transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p id=\"6f35\" data-selectable-paragraph=\"\">\nComo s\u00f3cio-empreendedor da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.joystreet.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener ugc nofollow\">Joy Street<\/a>, empresa de jogos digitais para aprendizagem no Porto Digital em Recife, procuramos implementar pr\u00e1ticas que sustentam um cotidiano pautado por essa percep\u00e7\u00e3o de sujeito. Por exemplo, horizontalizamos quase que completamente o tr\u00e1fego de conversa\u00e7\u00f5es entre nossos cinquenta colaboradores, do estagi\u00e1rio ao CEO, apostando na capacidade dos indiv\u00edduos de autorregula\u00e7\u00e3o e corregula\u00e7\u00e3o, mesmo que mantendo tamb\u00e9m estrat\u00e9gias de monitoramento exercidas por um l\u00edder de opera\u00e7\u00f5es e as ger\u00eancias de projetos, munidas por m\u00e9todos \u00e1geis de gest\u00e3o. Tamb\u00e9m buscamos variar os pap\u00e9is de cada colaborador no desenvolvimento dos projetos, abrindo a oportunidade para a emerg\u00eancia de processos criativos fomentados pela diversidade de vis\u00f5es e, em particular, pelas diferentes formas de envolvimento afetivo e de visibiliza\u00e7\u00e3o exercidas por diferentes pessoas ao longo do tempo.<\/p>\n<p id=\"8ca8\" data-selectable-paragraph=\"\">Somos agentes de uma era em transforma\u00e7\u00e3o digital. Como sujeitos psicol\u00f3gicos, constru\u00edmos continuamente novos paradigmas de exist\u00eancia baseados nos usos que fazemos da linguagem, de nossos corpos e dos circuitos de afetos que emergem nas organiza\u00e7\u00f5es e fora delas. A transforma\u00e7\u00e3o digital \u00e9 resultado de uma articula\u00e7\u00e3o muito particular dessas dimens\u00f5es, que cria diferentes formas de vida em diferentes contextos organizacionais. Nas palavras de Echeverr\u00eda, \u201co maior desafio \u00e9 nos inventarmos\u201d.<\/p>\n<div class=\"portlet-msg-info\"><strong>Luciano Meira<\/strong>\u00a0\u00e9\u00a0<em>Ph.D. em educa\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica pela Universidade da Calif\u00f3rnia (Berkeley\/EUA), mestre em psicologia cognitiva e bacharel em pedagogia. Atua como professor da UFPE \u2014 Universidade Federal de Pernambuco, \u00e9 professor colaborador do Mestrado Profissional em Design do CESAR, coordenador de ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o da Joy Street e pesquisador associado do Lemann Center for Educational Entrepreneurship and Innovation in Brazil pela Stanford University.<\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"featured_media":2322,"template":"","categories":[596],"tags":[100],"formato_insights":[],"class_list":["post-2321","insight","type-insight","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-inovacao-corporativa","tag-transformacao-digital"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/insight\/2321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/insight"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/insight"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2321"},{"taxonomy":"formato_insights","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/formato_insights?post=2321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}