{"id":2069,"date":"2021-09-08T00:00:00","date_gmt":"2021-09-08T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/insight\/o-valor-das-hipoteses-para-a-inovacao-o-que-o-design-tem-a-ver-com-isso\/"},"modified":"2026-06-09T16:41:24","modified_gmt":"2026-06-09T19:41:24","slug":"o-valor-das-hipoteses-para-a-inovacao-o-que-o-design-tem-a-ver-com-isso","status":"publish","type":"insight","link":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/insight\/o-valor-das-hipoteses-para-a-inovacao-o-que-o-design-tem-a-ver-com-isso\/","title":{"rendered":"O valor das hip\u00f3teses para a inova\u00e7\u00e3o: o que o design tem a ver com isso?"},"content":{"rendered":"<div class=\"content-article\">\n<article data-author=\"thiago-souza\">Em processos de inova\u00e7\u00e3o, \u00e9 comum que empresas maduras comecem a fazer proje\u00e7\u00f5es em cima do que estava acontecendo em seus processos e no mercado. Em uma l\u00f3gica indutiva ou dedutiva, \u00e9 a partir do que se observa ao longo do tempo e por experi\u00eancia consolidada que s\u00e3o constru\u00eddos novos\u00a0<strong>produtos e servi\u00e7os<\/strong>\u00a0ou inova\u00e7\u00f5es incrementais.Mas inovar \u00e9 pensar no futuro \u2013 o que n\u00e3o pode ser feito replicando o passado. Para inovar, temos que dar saltos, e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel ter certeza que um produto ou servi\u00e7o \u00e9 inovador ao longo de ciclos de\u00a0<strong>experimenta\u00e7\u00e3o e valida\u00e7\u00e3o<\/strong>, a partir das respostas do mercado.<\/p>\n<p>O in\u00edcio desse processo \u00e9, por natureza, incerto, at\u00e9 porque certeza poderia levar \u00e0 insist\u00eancia em um caminho errado. Por isso, tudo o que temos ao\u00a0<strong>iniciar um processo de<\/strong>\u00a0<strong>inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o hip\u00f3teses, que podem ou n\u00e3o fazer sentido<\/strong>. A\u00ed \u00e9 que est\u00e1 o segredo: \u00e9 importante que empresas operem tamb\u00e9m a partir do pensamento abdutivo.<\/p>\n<h2><b>Racioc\u00ednios dedutivo, indutivo e abdutivo<\/b><\/h2>\n<p>Os pensamentos dedutivo e indutivo s\u00e3o as duas formas dominantes de l\u00f3gica que fundamentam o racioc\u00ednio anal\u00edtico:<\/p>\n<ul>\n<li>L\u00f3gica dedutiva: \u00e9 a l\u00f3gica do que deve ser, com conclus\u00f5es que partem do geral para o espec\u00edfico. No universo corporativo, \u00e9 o caso de uma empresa fazer uma leitura sobre dados passados do mercado e da concorr\u00eancia e, em cima deles, tra\u00e7ar uma estrat\u00e9gia para determinado produto ou servi\u00e7o que oferece.<\/li>\n<li>L\u00f3gica indutiva: a l\u00f3gica do que \u00e9 eficiente, constru\u00edda com argumentos que partem do espec\u00edfico para o geral. Ou seja, uma empresa que observa bons resultados para um de seus produtos e, a partir desses dados, desenvolve um plano de a\u00e7\u00e3o para toda sua linha produtiva.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nota-se que tanto a l\u00f3gica dedutiva quanto a indutiva, apesar de serem ferramentas de racioc\u00ednio de grande poder com uso fundamentado na tradi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, s\u00e3o pensamentos de\u00a0<strong>tomada de decis\u00e3o com base em informa\u00e7\u00f5es do passado<\/strong>.<\/p>\n<p>J\u00e1 o racioc\u00ednio abdutivo prev\u00ea um caminho diferente, ligado \u00e0 criatividade e a mecanismos de experimenta\u00e7\u00e3o que lan\u00e7am um olhar para o futuro. A abdu\u00e7\u00e3o foi proposta por Charles Peirce, e diz do uso de certos dados para se chegar a uma conclus\u00e3o mais ampla: procura-se a melhor explica\u00e7\u00e3o para solucionar determinado problema, buscando uma conclus\u00e3o baseada em\u00a0<strong>ideias, hip\u00f3teses e novas possibilidades<\/strong>.<\/p>\n<p>Assim, pela l\u00f3gica abdutiva, o comportamento do passado pode n\u00e3o ser a melhor explica\u00e7\u00e3o ou trazer o melhor resultado. Por isso, trabalha-se com dados de outra natureza para criar hip\u00f3teses e cen\u00e1rios futuros.<\/p>\n<h2><b>O que aconteceu com a Kodak?<\/b><\/h2>\n<p>Fundada em 1880 nos Estados Unidos, a Kodak dominou o mercado da fotografia por mais de um s\u00e9culo e faliu em 2012 (antes de retornar em 2020). Quando a empresa fechou, o mercado de fotografia estava em plena ascens\u00e3o com as c\u00e2meras digitais, que inclusive foram inven\u00e7\u00e3o de um de seus engenheiros. O que deu errado?<\/p>\n<p>Depois que chegou aos consumidores, a fotografia digital se tornou um caminho sem volta. Mas com uma leitura equivocada do cen\u00e1rio, baseada na evolu\u00e7\u00e3o do mercado at\u00e9 ent\u00e3o, a Kodak manteve o foco em produtos e servi\u00e7os tradicionais de fotos.<\/p>\n<p>\u00c0 frente de uma empresa industrial, a lideran\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o acreditava que a tecnologia demoraria d\u00e9cadas para ganhar qualidade e se tornar acess\u00edvel. A Kodak n\u00e3o previu a velocidade do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico: que n\u00e3o configurou apenas um novo produto, mas uma mudan\u00e7a profunda no mercado. Faltou \u00e0 empresa criar hip\u00f3teses sobre o futuro.<\/p>\n<h2><b>O valor das hip\u00f3teses<\/b><\/h2>\n<p>Quando voc\u00ea cria uma hip\u00f3tese, entra em um processo de aprendizado, que \u00e9 inerente ao universo dos neg\u00f3cios e da inova\u00e7\u00e3o: toda boa ideia, no fundo, \u00e9 uma hip\u00f3tese. E o segredo \u00e9\u00a0<strong>testar essa hip\u00f3tese da forma mais r\u00e1pida e barata<\/strong>\u00a0<strong>poss\u00edvel, com efici\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>Ou seja, ao se identificar um problema, que seja feita formula\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o de uma hip\u00f3tese por meio de observa\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Esse tipo de experimento e de\u00a0<strong>racioc\u00ednio \u00e9 natural dos designers<\/strong>\u00a0\u2013 e da l\u00f3gica abdutiva.<\/p>\n<p>\u00c9 comum tratar o design como desenho e produ\u00e7\u00f5es gr\u00e1ficas ou de produtos. Mas o design vai muito al\u00e9m: tem um papel crucial na identifica\u00e7\u00e3o de oportunidades atrav\u00e9s dos problemas, solucionando-os de maneira mais efetiva.<\/p>\n<p>Assim, um equil\u00edbrio entre os racioc\u00ednios abdutivo, indutivo e dedutivo \u00e9 essencial para se fazer inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio que as pessoas pensem em efici\u00eancia e continuidade; ao mesmo tempo, que questionem o\u00a0<i>status quo<\/i>\u00a0e partam para inova\u00e7\u00e3o disruptiva. \u00c9 uma ambidestria que pode ser desenhada a partir da combina\u00e7\u00e3o de\u00a0uma cultura orientada a dados (data\u00a0<i>driven<\/i>) e a design (design\u00a0<i>driven<\/i>).<\/p>\n<h2><b>Por que ser design\u00a0<\/b><b><i>driven<\/i><\/b><b>?<\/b><\/h2>\n<p>Um dos autores do conceito de design driven \u00e9 o italiano Roberto Verganti, que publicou em 2009 o livro\u00a0<i>Design Driven Innovation<\/i>. Ele<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" src=\"\/documents\/805050\/0\/CESAR--150x150+%281%29.png\" alt=\"\" \/>\u00a0explica que a inova\u00e7\u00e3o que \u00e9 design driven n\u00e3o se baseia em uma resposta \u00e0 demanda do mercado, ela cria novos mercados. Ela tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 implementada somente com base em um novo conjunto de tecnologias, mas sim a partir de novos significados.<\/p>\n<p>Ser design\u00a0<i>driven<\/i>\u00a0torna o CESAR inovador e \u00e9 um dos nossos diferenciais. E esse DNA \u00e9 transferido para empresas que desenvolvem projetos com as nossas equipes e para startups criadas ou aceleradas dentro do centro. Hoje, mais de 100 designers atuam em diversos dos nossos projetos com essas abordagens.<\/p>\n<p>Empresas nos procuram para executar ciclos espec\u00edficos de experimenta\u00e7\u00e3o, com o objetivo<br \/>\nde\u00a0<strong>validar uma nova ideia ou uma melhoria incremental<\/strong>. Buscam tamb\u00e9m o design de produtos e servi\u00e7os digitais que entregam experi\u00eancias incr\u00edveis e resultados relevantes para o mercado.<\/p>\n<h5><\/h5>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"featured_media":2070,"template":"","categories":[1],"tags":[163],"formato_insights":[],"class_list":["post-2069","insight","type-insight","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-design","tag-inovacao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/insight\/2069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/insight"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/types\/insight"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2069"},{"taxonomy":"formato_insights","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cesar.org.br\/painel\/wp-json\/wp\/v2\/formato_insights?post=2069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}