Salvus: Internet das Coisas transformando o mercado da saúde

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é o quarto principal motivo de internações no sistema público de saúde do Brasil e a quarta maior causa de mortes no mundo. Em 2018, o SUS registrou mais de 110 mil internações emergenciais, motivadas principalmente pelo não tratamento e reabilitação, com um custo direto de mais de R$100 milhões.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tsiologia, mais de seis milhões de brasileiros são acometidos com a doença, mas apenas 18% desse total recebeu um diagnóstico e está em tratamento com oxigênio medicinal. Além dos leitos de hospitais, grande parte dos pacientes que precisam da oxigenioterapia está em casa com acompanhamento de profissionais de saúde em home cares.

Esse oxigênio é armazenado e transportado em cilindros, que precisam ser substituídos precisamente e de forma regular, uma vez que atrasos podem acarretar em prejuízos para a saúde dos pacientes, em alguns casos levando ao óbito. No entanto, é comum que o processo de acompanhamento e substituição desses cilindros esbarre em entraves logísticos e burocráticos.

Foi nesse contexto que a Salvus, startup especializada em tecnologias emergentes para a área de saúde, convidou o CESAR para colaborar no desenvolvimento de uma solução que tornasse mais precisa a gestão de consumo de oxigênio seguro para pacientes e não só prático, mas também econômico para as empresas.

Dessa parceria surgiu o ATAS O2, um equipamento que leva Internet das Coisas aos leitos e monitora em tempo real o consumo e estoque de oxigênio, enviando essas informações a um sistema por meio do qual a empresa responsável pode gerenciar o processo de abastecimento.

A solução foi contemplada pelo edital “Pilotos em IoT”, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e recebeu um investimento em torno de R$ 1 milhão da entidade, que busca testar soluções de IoT em larga escala na área de saúde. Além disso, o projeto recebeu aporte de recursos da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) por intermédio do CESAR, que é a unidade Embrapii para Produtos Conectados, e da própria Salvus.

Nossa abordagem

O desafio era desenvolver um dispositivo que se comportasse com a autonomia de um robô, com conectividade e bateria própria que não fosse dependente das circunstâncias estruturais das casas ou dos hospitais onde estivesse alocado. Além disso, era importante que ele não precisasse de configurações complexas – para facilitar o manuseio dos profissionais de saúde – e funcionasse prontamente ao ser ligado.

O CESAR colaborou com a expertise no processo de inovação tecnológica, ao lado da Salvus, evoluindo o produto por meio de diversas fases de design, engenharia eletrônica, mecânica e de software.

Essa parceria desenvolveu o processo desde as fases iniciais de pesquisa com usuários e levantamento de cenários de uso até os ciclos de desenvolvimento e validação da solução, proporcionando melhoras constantes em diversas versões do protótipo criado.

A tecnologia escolhida para a conexão dos dispositivos foi a Sigfox, fornecida pela WND – operadora que provê a tecnologia no Brasil. A rede operada pela WND com a tecnologia Sigfox é exclusiva para IoT com ampla cobertura no território nacional, tendo hoje mais de 150 milhões de mensagens trafegadas por mês.

Resultados

O resultado final se materializou no ATAS O2, um dispositivo acoplado ao cilindro de oxigênio e um sistema web de monitoramento que faz o gerenciamento completo e automatizado do estoque e consumo de oxigênio medicinal.

Com ele, é possível estimar o tempo previsto em horas para o término da carga de oxigênio medicinal através da análise do consumo em litros do oxigênio por minuto em tempo real por aquele paciente. Por meio de um dispositivo acoplado nos cilindros, os sensores conseguem monitorar como está o fluxo de oxigênio e obter as respostas desejadas.

O ATAS provê mais previsibilidade não apenas em relação à necessidade de reposição do estoque de oxigênio para o paciente dentro de um home care ou hospital, mas também cria um comparativo em relação ao que foi prescrito e o que ele está de fato consumindo, colaborando na análise clínica no quadro do usuário.

A solução segue em constante evolução com feedbacks reais do mercado, fazendo com que ele esteja sempre aderente às necessidades reais das pessoas, mas já foi possível reduzir o peso operacional da gestão do oxigênio medicinal e otimizar o processo para cuidadores, hospitais e empresas de home care.

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