A história de como migrei para o mundo do Design de Experiência

A história de como migrei para o mundo do Design de Experiência

Por: Djafran Ático /  UX-UI Sênior Designer

Esse é um relato sobre minha jornada pessoal para sair do universo das agências de publicidade e me tornar um dos designers de interfaces mais felizes que passará pelo seu navegador hoje. Depois de doses maciças de síndrome do impostor, resolvi sair da inércia textual-criativa e publicar meu primeiro texto. 

Há uns dias, tive o prazer de bater um papo delicioso sobre mudança de carreira com Roberto Vedoy (marido de Vanessa Vedoy, UX Designer no CESAR), que chegou até mim através da maravilhosa Thaís Yoshioka (UX Designer no CESAR) e, também há alguns dias, li um documento lindo criado por Priscila Alcântara  (UX Designer no CESAR), uma profissional das mais incríveis que já tive a honra de poder trabalhar e conviver ao longo desses três aninhos de projetos de tecnologia e inovação aqui no CESAR.

A minha transição de carreira

Influenciado por uma pessoa muito próxima na época, meados de 1991/92, fui levado a acreditar que eu seria um excelente engenheiro. E assim o fiz: prestei vestibular e em 1992 fui aprovado para o curso de Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Consegui me arrastar ao longo de três períodos, mas no início do quarto ficou claro que ali não era meu lugar.

Graças a uma aula vaga de Física, fui acompanhar um colega na missão de levar uma entrega para sua prima. E o que essa prima estudava? Sim, ela estudava design! Na época, o curso ainda se chamava Desenho Industrial. No seu caso específico, ela cursava a habilitação em Programação Visual.

Confesso que travei! Parecia um fã que, sem preparação alguma, se depara com seu maior ídolo. Não me recordo a quantidade de tempo que passei observando as paredes da sala de aula rabiscadas com desenhos incríveis, além de frases e poesias que mostravam não apenas o conteúdo intelectual mas também exibiam as habilidades em tipografia script hard core. 

Naquele exato momento eu soube que era isso que eu queria para o resto da minha vida. Simples assim. Abandonei meu curso de engenharia no dia seguinte. Não, não tranquei, eu abandonei mesmo! Do verbo nunca-mais-voltar-a-pisar-no-prédio-da-área-II-da-UFPE.

Comecei a me preparar enquanto esperava a abertura das inscrições para o vestibular. Por não ter muitas opções na época, porque minha mãe não tinha condições de pagar um curso em universidade particular, tentei novamente o ingresso na UFPE. Não consegui, mas também não desisti. 

Mais um ano estudando e, assim como todo ano tem carnaval, no ano seguinte estava lá o vestibular de novo. Dessa vez, o esforço extra valeu a pena: fui aprovado e dei meu primeiro passo nesse caminho sem volta do design.

Ao longo dos anos que seguiram tive o privilégio (sim, privilégio mesmo) de passar por agências toscas escondidas no 10º andar de uma galeria tosca. Tive a experiência de finalizar anúncios de loja de celulares, gravar tudo em dois Zip Drives para o caso de um estragar, eu teria uma cópia extra, e correr às 22h30 para a redação de um grande jornal pernambucano para assinar a documentação de recebimento e ver meu anúncio publicado no domingo. 

Ainda trabalhei em gráficas off-set, abri meu próprio escritório de design, fechei meu próprio escritório de design cinco anos depois, segui carreira solo (nome bonito para dizer que virei freelancer) e, por fim, voei alto em agências renomadas do estado.

Mas foi ao chegar nesse patamar de grandes agências que minhas expectativas começaram a ruir. E rapidinho!

Como a mudança aconteceu 

Agência bacana, escritório transadinho, móveis “com design” e vários designers trabalhando juntos, unindo forças em prol dos melhores resultados para os melhores clientes, com as melhores campanhas. Certo? Errado!

O problema é que, apesar de parecer legal e o trabalho dos sonhos, eu tive experiências complicadas: sem perceber, voltei para a época em que fazia engenharia onde ninguém se ajudava ou cooperava para o sucesso do coleguinha. A maioria dos “colegas” eram pessoas com quem se dividia a mesma sala com ambiente criativo, mas o colaborativismo era algo que ficava só no imaginário mesmo. 

Comecei a me sentir sozinho no meio de tanta gente. Até o ponto em que isso mudou e eu comecei a me sentir mal. Eram muitos pedidos de ajuda para pouca oferta em troca, apenas para te fazerem sentir ruim naquilo que você sempre se propôs a fazer. E foi aí que todos os sentimentos começaram e se transformar em raiva. Raiva do ambiente tóxico, das críticas injustas, dos comportamentos desnecessários.

Passei a entrar em um mundo onde comecei a acreditar que, se todos estavam errados, eu seria a única pessoa certa, sabe? E pelo número da amostragem, achei que o problema estava em mim. Rapidamente parti para a opção mais óbvia: desistir do design. Simples assim. “Se está claro que eu sou péssimo nisso, é melhor começar outra coisa do zero para eu tentar fazer bem feito”. E comecei a sondar cursos para outra carreira. 

Nessas sortes da vida, encontrei com duas pessoas amigas de longa data e em um intervalo de três dias. Para a minha sorte, ambas me deram os mesmos conselhos: “Dja, migra para UX/UI”.

Em um caminho completamente inverso do que estava experimentando com as pessoas dentro das agências, elas foram super pacientes e me explicaram tudo: cursos, livros, como montar portfólio, autores, empresas… tudo! Foi nesse momento que a chave virou e o ódio me moveu. Sair daquele universo tinha se transformado uma missão pessoal!

Tentei não contar com a sorte

Ao longo da minha jornada, nada foi fácil e não ia ser uma mudança de carreira que viria para mudar isso, né? Depois de muita pesquisa (e compras de livros na Amazon), eu estava munido para iniciar minha nova jornada.

Escolhi um curso online para entender todas as dinâmicas, processos e ferramentas que faziam um mero mortal como eu se transformar em UX/UI. E logo de cara já entrei com tudo. Na época eu tinha duas horas de intervalo no almoço: comia em vinte minutos e passava o restante do tempo assistindo às vídeoaulas e praticando os exercícios propostos. Ao chegar em casa tarde da noite, lia os livros até onde dava para me manter acordado e recomeçava tudo no dia seguinte, de novo e de novo e de novo.

Depois de sentir que já conhecia minimamente alguns processos de design thinking, era hora de criar um problema na minha cabeça para tentar resolvê-lo e assim ter material para um primeiro e único trabalho no meu novo portfólio. 

A grande diferença que percebi quando entrei nesse universo do design thinking: eu não precisava exibir todas as melhores peças das melhores campanhas com os melhores recursos visuais que já fiz. Em inovação, basta um trabalho estruturado, bem justificado,  junto com um bom papo, para te deixar apto para conversar com qualquer empresa de TI que possua um time de design. Trabalho pronto. LinkedIn atualizado. Hora de ir à luta.

A rotina entre entrevistas e dinâmicas até a aprovação

Minha história de seleções é curta. Porém certeira. Comecei a mergulhar profundamente no mundo das plataformas que oferecem oportunidades de emprego: Catho, Trampos, Vagasonline, LinkedIn e etc. Para a minha surpresa, em menos de um mês apareceu a primeira oportunidade de entrevista para uma vaga de Designer de Interação.

Primeira entrevista da vida na minha nova área. Várias perguntas específicas e eu, café-com-leite na área, me enrolei todo. Ficou óbvio para o entrevistador que minha experiência era longa, mas não na área de UX/UI e o saldo não poderia ser diferente: reprovado.

Fiquei meio triste mas a reprovação me deu mais energia para fazer melhorias no meu portfólio e estudar um pouco mais. Dessa vez buscando também as respostas que não soube dar ao entrevistador. Bingo! Outra empresa me liga e a minha segunda entrevista de emprego virou realidade. E para minha alegria e surpresa, uma outra entrevista de emprego pintou com uma diferença de apenas quatro dias.

O objetivo era que eu enviasse uma proposta de resolução até às 23h59 do sexto dia a partir da confirmação por email. Com a correria dentro da agência, já perdi logo de cara três dias dos cinco que eu tinha. Comecei na sexta à noite e quando terminei e olhei ao redor já eram 5h20 da manhã da segunda-feira. Sem dormir e comendo os pedaços da pizza que pedi na noite da sexta-feira, eu consegui honrar o prazo.

Corri para a agência para trabalhar depois de pouco mais de cinquenta horas sem dormir. Aproveitei para escanear por lá alguns dos rabiscos que fiz à mão para adicionar no PDF da minha entrega (aqui registro meu muito obrigado ao scanner da agência). Imagens anexadas. Última revisada no conteúdo. Fiz aquela figa marota (sim, eu fiz mesmo!) e cliquei em ENVIAR.

Paralelamente, o terceiro contato rendeu frutos e evoluiu para uma dinâmica em grupo. Muito medo, daqueles que te deixam com uma quase certeza de que já está eliminado (lembram da Síndrome do Impostor que falei lá no início?), fui. Deu tudo certo, mas sem nenhuma garantia de nada. A única garantia era de que, se nada desse certo até aquele momento, eu iria levantar a cabeça, arregaçar as mangas e seguir adiante.

Todos os processos foram rolando. A coisa seguiu fluindo e eu fui ultrapassando cada etapa dos desafios que as empresas me lançavam. Nesse meio tempo, recebi meu Golden Call. O telefonema que eu esperei ao longo dos meus 42 anos (na época).

– “Alô. Djafran? Tudo bem. Aqui é Fulaninha do CESAR. Estou ligando para dizer que você foi selecionado para a vaga na qual você se candidatou!”

Eu juro! Não aguentava mais adoecer minhas tias nem minha vozinha para poder fugir da agência e correr para mais uma entrevista/dinâmica /apresentação. Mas já que era pra ir, eu ia!

-“Joia! Então quando é a próxima etapa?”

-“Não, Djafran. Estou ligando para dizer que você foi APROVADO como DESIGNER DE INTERFACES II no CESAR. Você tem interesse na vaga?” 

Juro pelas minhas filhas: nessa hora eu só conseguia chorar — escondido em uma das salas de reunião da agência para que ninguém me ouvisse. Eu havia conseguido! EU HAVIA CONSEGUIDOOO!

-“Você tem disponibilidade para começar quando?” disse a moça e eu apenas perguntei “qual ônibus passava na frente do CESAR?” para que eu pudesse ir naquela mesma hora. A coisa toda foi tão marcante que eu jamais vou esquecer daquele 10 de dezembro de 2018 quando pôneis multicoloridos voaram na minha frente e anjos cantaram alguma música do The Cure no meu ouvido. CESAR, aqui vou eu!

Ei CESAR, posso te beijar?

No mais, lembre-se sempre: sejam pessoas bacanas, sejam amigos e nunca desistam.

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