Educação inovadora valoriza a experiência e atua de forma responsiva às demandas da sociedade

Educação inovadora valoriza a experiência e atua de forma responsiva às demandas da sociedade

Formuladores de políticas públicas enfatizam a necessidade de uma atualização no sentido de diminuir a distância entre o rigor das normas técnicas e a vida prática das pessoas

A maior parte dos pais que ajudam seus filhos nas tarefas escolares já foram desafiados a responder aos estudantes a difícil pergunta sobre a razão de eles terem a obrigatoriedade de aprender uma determinada fórmula matemática, uma vez que dificilmente esse conhecimento será usado em suas atividades práticas. Embora os adultos costumem responder a esta indagação com um autoritário ‘porque sim’, não é esta a visão dos especialistas a respeito do assunto. Para os profissionais da área, é justamente a diminuição deste distanciamento entre o aprendizado na sala de aula e a experiência de vida que está na base de uma inovação profunda na educação para as novas gerações.
Essa foi uma das principais constatações do painel: “Inovação na Educação: formação e geração de conhecimento aplicado ao mercado”. O evento foi realizado nesta segunda (9) na Trilha #Desenvolva, coordenada pelo CESAR, maior centro de inovação e transformação digital do país, como parte da programação da 20ª edição da HSM Expo NOW! – maior evento de gestão da América Latina.

Em sua fala a Consultora Educacional na CESAR School Walquíria Lins explicou que, ao longo do tempo, a tarefa da escola passou a ser o rigor da norma escrita, assim como do algoritmo na matemática, por exemplo. Desta forma, o texto assumiu o lugar do objeto.

“A formalização da escola distancia tanto o aluno da prática que as pessoas até conseguem usar a matemática na vida cotidiana, por exemplo, mas na escola não conseguem fazer o uso correto do algoritmo em operações simples como soma e divisão”, explicou.

Segundo ela, essa estrutura mantém a formalização do conhecimento por meio de um currículo não responsivo às demandas do mundo e os formuladores de políticas públicas enfatizam a necessidade de uma atualização.

“As competências do século 21 exigem um conjunto de conhecimentos não mais baseado no texto pelo texto, nem no algoritmo pelo algoritmo. Isto não serve mais. É preciso avançar para um tipo de aprendizagem que leve a um novo valor e que ele seja significativo para a sociedade”, disse.

Para a superintendente de Educação na Fundação Zerrenner, Patricia Lage, a educação inovadora deve levar o aluno a absorver não só o conteúdo, mas a razão do conteúdo.

“A experiência precisa ser trazida para o centro deste movimento da aprendizagem. Todo espaço escolar é um espaço pedagógico e tem que ser utilizado com intenção de aprendizagem. A pandemia mostrou como esse espaço ultrapassou o muro das escolas. Agora é o momento de otimizar as experiências”, observou.

Segundo ela, a escola deve ser um espaço destinado a promover experiências, um ambiente dedicado integralmente a produzir inovação. “A prioridade deve ser deslocar o foco do que o aluno aprende para o entendimento sobre o que ele faz com aquilo que ele aprende”, disse.

Neste sentido, toda a experiência das aulas virtuais trazida pela pandemia também acabou exercendo um papel disruptivo. Patricia Lage afirmou que este fenômeno permitiu abrir novas oportunidades para oferecer o aprendizado.

“A observação do desempenho e do aproveitamento permitiu ampliar as formas de entender sobre como o aluno aprende. Existem aqueles que conseguem melhores resultados com as aulas presenciais e outros que evoluem melhor com as aulas virtuais. Desta forma, os educadores precisam primeiro entender como seus alunos aprendem e aí, se for o caso, utilizar tecnologias que vão de encontro a como ele aprende”, explicou.

A VP de Transformação Digital da Ânima Educação Patricia Fumagalli ressaltou o papel importante que as escolas de inovação podem desempenhar no desenvolvimento deste novo conceito. Apesar disso, segundo ela a primeira coisa a fazer é diminuir a separação entre escolas de inovação e escolas normais.

“Quando observamos os casos de fracasso nas iniciativas de inovação das empresas uma coisa comum é o fato de terem escolhido pessoas consideradas criativas, isolado elas em grupos e atribuído somente a elas toda a responsabilidade pela inovação. Ao mesmo tempo, quando olhamos para as iniciativas de sucesso o que encontramos é justamente o contrário. As organizações que trataram a inovação como responsabilidade de todos foram as que tiveram êxito. Na educação deve ocorrer o mesmo. Todas as escolas devem ser consideradas como ambientes de inovação e construção de experiências”, disse.

A moderadora do painel, Karla Godoy, COO do CESAR, chamou a atenção das debatedoras a respeito da necessidade de acelerar a inovação da educação no sentido de suprir a necessidade do mercado em termos de formação de mão de obra capacitada. Ela trouxe a informação de que o Brasil forma anualmente cerca de 40 mil profissionais de TI, mas que seria necessário formar pelo menos 70 mil.

Patricia Fumagalli confirmou que esta é realmente uma necessidade urgente. “Esse é um aspecto que merece toda a atenção pois oferece risco de impactos diretos na produtividade e na capacidade de digitalização das empresas”, observou.

Segundo ela, até pouco tempo, só empresas de tecnologia contratavam profissionais de TI, mas atualmente, com os efeitos da Transformação Digital, companhias de todos os setores são demandantes de profissionais da área.
“Me parece mais uma questão de conscientização. Nós temos um contingente enorme de jovens desempregados e de outro lado uma demanda por profissionais capacitados. Parece óbvio que a solução seja investir na capacitação desses jovens, mas infelizmente isto não é feito”, disse.

Sua proposta é que o interesse por ciência e tecnologia seja desenvolvido desde o ensino fundamental, pois isso, por si só, já produziria um grande resultado.

“Só para ter uma ideia, áreas como administração e direito ainda dominam o interesse dos formandos brasileiros com 36% da preferência. Enquanto isso, os setores de ciência, matemática e estatística ainda ficam muito abaixo, com cerca de 3% do total”, ressaltou.

De acordo com ela, ainda prevalece a percepção dos pais de que as áreas de administração e direito seriam garantias de carreiras sólidas, quando os números mostram que as melhores oportunidades estão justamente nas habilidades ligadas ao mundo da lógica digital.

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