Cultura de startup: ciclo de aprendizagem é a base da inovação

Cultura de startup: ciclo de aprendizagem é a base da inovação

Quando se fala em “cultura de startup”, a grosso modo, se desenha um modelo de desenvolvimento de negócios que admite o processo de aprendizagem – entre erros e acertos – até se chegar ao produto ou serviço desejado. É um modo inteligente de crescimento que tem como medida a velocidade do aprendizado. “Quanto mais eu experimento, vou encontrando o caminho de fazer certo e mais rapidamente estou aprendendo”, ensina o diretor executivo do CESAR Labs, Ivan Patriota. A velocidade do aprendizado é o ponto-chave.

Para inovar é preciso experimentar. E inovar vai além de criar novos produtos ou serviços, mas inclui, essencialmente, a renovação de modelos de negócios que permitirão concorrer melhor no mercado ou contribuir mais com o ecossistema em que a empresa está inserida, sendo mais ágil e mudando processos internos. No entanto, alerta Patriota, o erro deve ser visto como um aprendizado. Quando a inovação dá certo, saindo da fase de experimentação, e se aprendeu a executar, a ideia vira “o novo”, para dentro da empresa ou para o mercado, aí ela se torna operação. “Aí, óbvio, você não vai admitir mais o erro, vai querer aumentar vendas”, pondera.

Analista de empreendedorismo do CESAR, Julyenne Moura relembra que ser uma startup é um estágio, mas pode também ser visto como um processo organizacional, uma sistemática que tem muito a ensinar ao mercado. “É preciso saber que empreender é um estado de espírito. Você está apto a assumir os riscos”, diz a analista, que atua no CESAR Labs, braço da instituição focado em experimentação e empreendedorismo.

E essa “cultura” tem muito a ensinar ao mercado, às empresas de todos os portes. Julyenne cita o caráter inovador – “muito ligado à imersão nesses contextos” – e os processos em times enxutos, além de recursos limitados. Noutras palavras, inteligência, resiliência e estratégias bem pensadas, além de menos burocracia.

Escutar é inovador
A escuta é uma atitude de quem quer inovar. Na inovação, muito se usa o termo “experimentar”, mas antes disso se observa e a escuta ativa é uma forma de fazer essa observação. “A gente realmente faz isso: estamos em um grupo do Whatsapp que tem centenas de pessoas do Banco do Brasil, nosso cliente. São caixas, gerentes, e a gente escuta o que eles têm a dizer e respondemos também. A gente vive com quem trabalha na ponta do banco, de verdade – o banco que está no sertão neste momento de covid-19 atendendo seus clientes”, exemplifica Ivan Patriota.

O CESAR ajudou ao Banco do Brasil a utilizar ferramentas de escuta e incentivou o envio de ideias. Vinte e seis mil funcionários que ocupam posições de liderança média participaram de um jogo e os 1.500 primeiros colocados foram provocados a enviar um tipo de projeto: 359 propostas foram recebidas e uma seleção elegeu 50. Seus autores passaram por uma capacitação, aprenderam a fazer um pitch com apoio do CESAR. “As 10 ideias finalistas vão ser lapidadas e, quem sabe, prototipadas para virarem um novo produto do banco”, diz a assessora de Cultura e Pessoas do Banco do Brasil, Alessandra Volkmer.

Essa escuta é um ponto destacado pelo cliente: ao se sentir ouvido, vê projetos caminhando e começa a reavaliar seus próprios processos. “Nessa experiência, o que vejo de muito positivo no CESAR é que a equipe dá muito valor ao nosso feedback. Em todas as etapas pelas quais passam o projeto, se aplica um formulário para ouvir o que pensamos e fazer ajustes. Vejo como uma preocupação genuína e que surte efeito”, resume Alessandra.

E nessa retroalimentação entre erros e acertos, chama atenção de Alessandra como falhas ainda são vistas como algo negativo, e como o trabalho com o CESAR tem ajudado a modificar esse olhar. Afinal, alguns processos são mesmo um espaço para a experimentação.

Esse modus operandi tem resultados diversos e tem mantido as equipes do banco motivadas. Já existe o planejamento para uma imersão online – adiada por causa da pandemia – com cerca de 50 pessoas no CESAR. “Nosso trabalho começou em março e, mesmo com o isolamento, tudo tem dado certo”, elogia.

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  1. Eu amo a Fabi.

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