Isolamento: é preciso redobrar os cuidados com a proteção de dados

Isolamento: é preciso redobrar os cuidados com a proteção de dados

Isolado em casa, o consumidor se vê obrigado a recorrer aos serviços de delivery, às lojas online, onde tudo depende do cadastro, da cessão de dados, inclusive bancários, para efetivação da compra. Da mesma forma, com funcionários em home office, as empresas foram impelidas a criar estratégias para minimizar as limitações e manter trabalho e produtividade sem se desproteger totalmente. O momento é de transformação digital mais acelerada, sim, e é ainda mais importante lembrar que estamos às vésperas da entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13.709/18).

“A invasão de privacidade não tem limites e, na pandemia, a busca por mapear a saúde dos indivíduos causa ainda mais exposição em prol de um bem maior, que seria a saúde pública. De toda maneira, esses dados precisam ser tratados com a devida privacidade e isso depende da ética dos governos, e ainda há risco de vazamento das informações. Nunca se consegue 100% de proteção”, diz a gerente jurídica do CESAR, Cláudia Cunha.

Para o gerente de TI do CESAR Carlos Sampaio, todo o processo instaura riscos. Em condições normais, uma empresa que atue ou não com tecnologia terá várias áreas interligadas e submetidas a normas de segurança. Quando o ambiente de trabalho vai para o residencial, perde-se o controle sobre a rede do funcionário. “Posso ter um colaborador muito cuidadoso e um cara que divide o computador com outras pessoas em casa ou usa internet comunitária. Nesses termos, se uma pessoa resolve fazer algo fora dos padrões, pode estar gerando uma interferência para dentro da empresa. As informações estão distribuídas além das paredes corporativas”, explica.

Por parte do usuário-consumidor, Cláudia enfatiza que todo esse movimento intensificado pelo uso remoto tem o seguinte efeito colateral: passamos a ser ainda mais mapeados, procurados, rastreados. “Somos parte desse sistema. E o que acontece é que deixa de ser a questão de simples cadastro em sites de lojas e vai além. É preciso questionar como fica a privacidade de cada indivíduo e até que ponto se está disposto a abrir mão dela. E será que os indivíduos sabem do que eles estão abrindo mão?”, questiona.

Aí entra a questão da proteção dessa privacidade, e Cláudia se coloca a favor do direito de escolha. Concordando com o posicionamento de Cláudia, Carlos lembra ainda que as adesões aos termos são impostas e que ninguém lê os extensos documentos dessas políticas. “Muitas vezes o consumidor precisa aceitar de olhos fechados, e a normatização veio para impor limites. Veremos que, com a legislação, a solicitação e o uso de dados poderão ser questionados”, diz, exemplificando que a implementação do Código de Defesa do Consumidor, ainda na década de 1990, impôs uma mudança nas relações de consumo e que as empresas precisaram se adaptar. 

Proteção do CESAR

Carlos Sampaio conta que, uma vez decidido o trabalho em home office no CESAR, por causa da pandemia, foi preciso pensar na proteção de dados. Parte na nuvem, parte nos servidores, as informações podem ser acessadas remotamente com algumas ferramentas de segurança. Obviamente que o CESAR já tinha experiência com trabalhos remotos, mas precisou de ajustes para esvaziar sua sede e colocar os colaboradores em segurança.

“Para coisas simples, como um formulário de solicitação de compra, as aplicações podem ser validadas com o nosso usuário corporativo. Para informações mais restritas da empresa, como financeiras, de Recursos Humanos ou acompanhamento de projetos, usamos a VPN (Virtual Private Network), que cria um túnel criptografado entre a máquina do colaborador e o servidor dentro da rede interna. É como se o colaborador estivesse dentro da empresa”.

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