Digitalização do ser humano e Human Augmentation estão entre as próximas fronteiras da IA

Digitalização do ser humano e Human Augmentation estão entre as próximas fronteiras da IA

De coaches virtuais aos robôs da ficção científica, João Paulo Magalhães, especialista do CESAR, aponta cinco novas tecnologias que estão a caminho num futuro muito próximo

A onda crescente da transformação digital acelera a obsolescência dos modelos de negócio tradicionais enquanto cria outros muitos mais maleáveis e fluidos. Nesse cenário, empresas do mundo todo buscam se reinventar para se manterem relevantes no mercado. A tecnologia trouxe a informação para a palma das mãos com os smartphones e ressignificou a forma de nos comunicarmos. Mas não parou por aí. Assistentes virtuais apagam luzes e colocam o filme na Smartv, relógios medem nossa saúde por meio dos sinais vitais emitidos em tempo real, lojas recomendam produtos com base em nossos gostos e perfis de compra, programas de reconhecimento facial prometem mais segurança às operações financeiras do dia a dia e bots resolvem problemas e tiram dúvidas dos consumidores nos chats online dos varejistas.

Nada disso seria possível sem o desenvolvimento constante e rápido da inteligência artificial (IA), hoje parte integrante de praticamente todos os segmentos da indústria. Isso porque, em vez de serem programadas para fazer alguma tarefa, as máquinas hoje são programadas para aprender, observando padrões dentro do Big Data e fazendo inferências. Dados não faltam. Eles são produzidos 24 horas por dia por meio de quase todos os dispositivos eletrônicos que usamos hoje.

O que ainda vai acontecer é muito difícil de prever, vista a velocidade dessa revolução tecnológica. Mas muito já está a caminho, conforme aponta João Paulo Magalhães, consultor em Machine Learning e IA do CESAR, um dos principais centros de inovação do Brasil, sediado no Porto Digital, parque tecnológico de Recife, e professor da CESAR School, escola de inovação da instituição.

Confira cinco tendências em Inteligência Artificial que o especialista destaca para a próxima década:

  1. IA onipresente

Com o crescimento da IoT (internet das coisas), Big Data e 5G, basicamente todo e qualquer dispositivo vai apresentar alguma forma de interação inteligente com os humanos, a exemplo dos carros autônomos, que já estão em desenvolvimento, inclusive. “IA é uma área que vem recebendo muitos investimentos das empresas”, destaca Magalhães. Segundo a consultoria IDC, os gastos globais com sistemas de inteligência artificial encerram 2019 na casa dos US$ 35,8 bilhões, um aumento de 44% sobre 2018. A tendência é que os números dobrem até 2022, chegando a US$ 80 bilhões.

  1. “Coach” virtual

A moda vai pegar até entre as máquinas. Segundo Magalhães, assistentes virtuais seguirão a tendência de onipresença da IA e estarão em todos os lugares. “Hoje já temos alguns exemplos incipientes, como a Alexa. Mas vai ser algo muito mais amplo e massificado, com mais facilidade de uso”, afirma o especialista. Esses assistentes poderão ser genéricos, como a própria Alexa, que identifica o que o usuário quer e qual programa executa tal finalidade, ou especializados, como um conselheiro profissional. “A IA pode assumir o papel de coach, mentor, professor. Imagine que a IA pode guiar a vida educacional de uma pessoa. A partir de um objetivo, ela traça um mapa de aprendizado. Isso pode ajudar, inclusive, a universalizar a educação”, complementa. Mas o papel do professor não vai acabar. “O que a tecnologia vai fazer é tornar o ensino mais personalizado, auxiliando no acompanhamento individual de cada aluno”, exemplifica.

  1. Digitalização completa do ser humano

Com o crescimento das redes sociais, hoje já é possível ter dados de uma pessoa desde que ela nasceu, acompanhando o desenvolvimento de cada uma desde muito cedo. Somado a isso, a IoT vai ajudar a coletar uma infinidade de informações em tempo real, desde batimento cardíaco e propensão ao desenvolvimento de alguma doença, a atividades realizadas no momento, e até o contexto envolvido, como trajeto, parâmetros de médicos e personal trainer, dados produzidos não só pela pessoa, mas também pelos objetos ao seu redor, como casa, carro e gadgets variados. Estas informações serão avaliadas pela IA, gerando insights e predições. “Como um ‘The Sims’ do mundo real, teremos uma versão digitalizada que poderá interagir digitalmente por nós e com a qual produtos, serviços e outras pessoas poderão interagir, com reflexo imediato no mundo real”, diz Magalhães.

  1. Autonomia no aprendizado da máquina

Conhecida como Artificial General Intelligence (AGI, ou IA generalizada), a tendência é que a máquina aprenda a aprender sozinha. “Hoje é o ser humano quem identifica um problema e coloca a inteligência artificial para resolvê-lo por meio de modelos que ele criou. A AGI, contudo, é mais parecida com os filmes de ficção científica, em que a máquina é capaz de entender, por conta própria, qual é o problema que ela tem de resolver e desvendar meios de solucioná-los, com muito mais autonomia”, explica Magalhães.

  1. Human Augmentation

Assim como usamos óculos para enxergar melhor, em poucos anos estaremos usando aparelhos e sistemas no próprio corpo para apurar os sentidos e aumentar a capacidade de execução de tarefas variadas. “Teremos remédios personalizados para cada um de nós, possivelmente sem efeitos indesejados. Será possível, com um aparelho similar a um óculos atual, dar zoom e fotografar algum detalhe do que estamos vendo, conversar com alguém de outro país falando em nossa própria língua em tempo real, etc”, cita Magalhães.

Desafios à massificação da IA

Ao passo da evolução das tecnologias, contudo, será necessário que a sociedade também evolua em muitos aspectos. De acordo com Magalhães, os ambientes de trabalho onde as novas tecnologias são produzidas deverão se tornar mais diversos, seguros e responsáveis. “Os algoritmos aprendem a partir de dados. Se eles são coletados em amostras repletas de privilégios sociais e preconceitos, a IA vai replicar tudo isso”, alerta. Uma forma de minimizar esse problema é trazer mais diversidade ao mundo da programação. “Desta forma, as máquinas poderão aprender a ir além, ponderando os dados nas suas inferências”, complementa.

A sociedade também deverá se tornar mais participativa e vigilante. “Será preciso um marco regulatório mais completo e abrangente. Um exemplo de como necessitamos aprimorar a legislação está na disseminação de fake news, massificadas inclusive com a ajuda de bots nas redes sociais”, diz o especialista do CESAR. Ainda no arcabouço legal, as empresas precisam se adequar à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para evitar o uso indevido e abusivo das informações contidas no Big Data.

Independentemente da área de atuação, a tecnologia vai estar presente. Nesse contexto, o ser humano precisa se atualizar constantemente. Até escritórios de advocacia têm utilizado IA. Muitos já automatizaram a análise de precedentes para trazer mais agilidade aos processos legais. “Não acredito que a máquina vai tomar o emprego do ser humano, mas vai transformá-lo muito rapidamente, tornando-o mais estratégico. As opções hoje são: ou você se adapta e evolui, ou vai ficar para trás”, pondera.

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