Conhecer as tecnologias de amanhã transforma ameaças em oportunidades

Conhecer as tecnologias de amanhã transforma ameaças em oportunidades

Fabio Maia, do CESAR, Rafael Palermo, da BitBlue, e Rodrigo Ferreira, da B3 (Foto: Rodrigo Rodrigues/Divulgação)

Companhias precisam mapear tendências e buscar identificar possíveis sinergias entre o que está surgindo e suas operações

A possibilidade de uma nova tecnologia surgir de repente e causar disrupção é um fator de preocupação que atinge desde empresas centenárias até startups, mas existe uma forma de dormir razoavelmente tranquilo em relação a isso – justamente não ignorar o fato de que isso pode acontecer. Assim, as empresas mantêm o radar ligado e ao invés de serem surpreendidas por uma ameaça, podem acabar descobrindo grandes oportunidades.

Esta foi a principal constatação do painel “As tecnologias de amanhã nos dias de hoje”, realizado no auditório CESAR da HSM Expo. 

O debate contou com a participação do diretor de Novos Negócios e Inovação da B3 Rodrigo Ferreira e de Rafael Palermo, da corretora de criptoativos Bitblue, com moderação do gerente de projetos do CESAR Fabio Maia, que iniciou a conversa fazendo uma provocação aos convidados ao perguntar se fazia sentido falar em Transformação Digital para empresas estruturadas sobre forte base tecnológica. 

Após ambos responderem positivamente o debate entrou no campo das possíveis ameaças que podem se transformar em grandes problemas se não forem detectadas a tempo. 

Rodrigo Ferreira explicou que este monitoramento das novidades é uma prática consolidada na B3. “Temos uma área dedicada a observar e identificar oportunidades. Um laboratório com 10 a 15 pessoas que mapeiam as principais ferramentas que estão surgindo e tentam encontrar sinergia entre elas e a nossa atuação”, disse.

É preciso gerar de casos de uso com as novas tecnologias

O especialista conta que em 2015, quando já se falava muito sobre blockchain, por exemplo, a Bolsa acompanhava de perto o assunto e num determinado momento a decisão foi por participar do consórcio R3 para que, junto com outras instituições ao redor do mundo, a organização pudesse estar envolvida na geração de casos de uso com essa tecnologia.

“Hoje podemos dizer que a B3 tem o domínio do uso desta tecnologia. Sabemos que ela pode ser usada em algumas aplicações da nossa operação, mas não vemos a necessidade e nem a urgência de migrar toda nossa estrutura para o blockchain”, disse. 

Rafael Palermo afirma que a Bitblue também se preocupa com a transformação digital e as novas tendências. 

“Embora sejamos uma empresa nativa digital, sabemos que dentro de casa existem situações que precisam ser melhoradas e existem ferramentas tecnológicas que nos ajudariam nisso”, diz.

O representante da B3 informou que atualmente a companhia estuda machine learning e Inteligência Artificial. “Temos um centro de excelência para identificar onde podemos aplicar estas tecnologias dentro dos nossos clientes e dentro da própria B3”, disse.

De acordo com o executivo, a organização mapeia mais de 50 oportunidades. Outros focos de atenção são Internet das Coisas e Realidade Aumentada.

“Identificamos nessas tecnologias um forte potencial para criar soluções que nos ajudem a atrair mais pessoas físicas para a Bolsa”, revela.

Em sua avaliação, a interação da Bolsa com o segmento relacionado à propriedade de veículos pode ser bastante afetada. “A IoT pode auxiliar na localização dos veículos, ao mesmo tempo em que a Realidade Aumentada pode contribuir na parte de sinistros”, falou.

A estratégia da corporação estabelece como critério a escolha de duas ou três oportunidades para serem exploradas de uma forma mais prática, com prototipagem e interação com os clientes.

É possível inverter o jogo e criar tecnologias para impactar o mercado

Mas da mesma forma como podem ser impactadas pelo surgimento de uma nova tecnologia, as empresas podem inverter o jogo e criarem elas mesmas novas tecnologias que podem impactar o mercado. 

De acordo com Rafael Palermo, a Bitblue tem buscado esta via. A empresa desenvolveu uma solução de pagamentos em forma de maquininha de cartão que permite a todo tipo de estabelecimento do país receber criptoativos como forma de pagamento. Outra aposta da companhia é um hard wallet ledger, dispositivo que pode ser usado para aumentar a segurança em operações de autenticação. 

Encerrando o debate, Rodrigo Ferreira explicou que o conceito de ameaça está diretamente ligado ao desconhecimento do que está por vir.

“Hoje nós conseguimos ter uma visibilidade a respeito das inovações que podem surgir. Fazemos estudos e avaliamos a aplicabilidade das tecnologias para a indústria. Desta forma elas acabam sendo vistas mais como oportunidades do que ameaças”, concluiu. 

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