Clareza no foco para geração de valor impulsiona crescimento das plataformas

Clareza no foco para geração de valor impulsiona crescimento das plataformas

Giordano Cabral, do CESAR, Douglas Tokuno, do Waze Carpool, e Leandro Caldeira, da Gympass (Foto: Rodrigo Rodrigues/Divulgação)

Modelo exige o desenvolvimento de uma forte demanda de serviços para que o grande volume permita uma política de precificação que traga vantagens a todas as partes envolvidas

“Para começar a pensar no modelo de plataforma, a primeira coisa a se considerar é a demanda. Se não tiver pessoas interessadas pelo que está sendo oferecido não existe condições de precificar o produto da forma adequada”. 

Com essa declaração o Diretor de Canais Indiretos do Gympass, Mateus Xavier, começou a desvendar os segredos do chamado ‘mundo em plataforma’ que foi o tema de encerramento dos trabalhos no segundo dia de atividades do auditório CESAR, na HSM Expo.

Provocado por Giordano Cabral, do CESAR, a responder se o mercado das plataformas é uma briga apenas para cachorros grandes, Xavier explicou que não se trata do tamanho, mas sim da qualidade da oferta. 

Ele começou a resposta lembrando que todo cachorro grande já foi pequeno um dia. Desta forma, sua orientação para quem está pensando em empreender neste segmento foi de que o mais importante é saber para quem você vai gerar valor. 

“Tendo clareza sobre isso, o passo seguinte é gerar algo tão especial para este público que este mundo conectado se encarregará de desenvolver rapidamente comunidades de usuários numa proporção suficiente para que a plataforma se torne grande muito rapidamente. Temos diversos exemplos disso”, afirmou. 

O Head do Waze Carpool na América Latina, Douglas Tokuno, explicou que foi com essa oferta clara de valor que nasceu o Waze. “Queríamos economizar o tempo das pessoas. Hoje temos uma comunidade formada por mais de 130 milhões de usuários com uma empresa composta por apenas 500 pessoas”, disse. 

A defesa de uma causa de valor abrangente também está na base da fundação do próprio Gympass. A empresa nasceu com o propósito de combater o sedentarismo. 

Sua história começa com a dificuldade de executivos que viajavam muito a trabalho e não encontravam academias nos lugares onde iam para satisfazer o desejo pela atividade física. “A ideia então era centralizar o mercado pulverizado das academias para que através de uma única plataforma fosse possível encontrar o serviço em qualquer localidade”, lembrou Xavier.

O que nos trouxe até aqui não é certeza que vai nos levar para o futuro

Mas foi consenso no debate o conceito de que o sucesso de ontem não garante o mesmo resultado amanhã. Desta forma Tokuno fez uma rápida explicação a respeito da decisão do Waze de mudar o foco de sua atuação de uma plataforma focada em prestar serviço de navegação para um projeto destinado a incentivar o hábito de dar caronas. 

“No fundo, o propósito continua sendo o mesmo. Queremos trabalhar para melhorar a mobilidade nas cidades e a qualidade de vida das pessoas”, disse. 

“Mas o que nos trouxe até aqui não é certeza que vai nos levar para o futuro”, acrescenta. “Então, contamos com o suporte de pessoas visionárias para identificar oportunidades e isso consegue unir toda a empresa em torno de um novo modelo”, disse. 

Segundo ele, hoje entre 60% a 70 % das pessoas que usam carro fazem isso sozinhas. O que leva à necessidade de trabalhar na questão da educação. “Se você está sozinho no seu carro sua posição é de fazer parte do problema do trânsito. Mas se dá carona para alguém, então está do lado da solução”, adverte.  

“Queremos que quando alguém fale em carona a reação seja a mesma que as pessoas têm quando se fala em transporte por aplicativos”, revela. 

Para isso o Waze já conta com milhões de usuários do aplicativo, tendo que operar na ativação desta carteira. “Estamos fazendo campanhas junto ao RH das empresas e outras iniciativas”, revelou. 

Atenção às tendências gera mudanças para atender aos clientes

Este tipo de parceria também impulsionou o crescimento do Gympass. Segundo Xavier, no início da operação a empresa detectou que o percentual de pessoas que fazem exercício físico em estabelecimentos fica em 5% da população empregada. A companhia entendeu que a falta de exercícios também é um problema para as empresas, pois o sedentarismo gera complicações que levam ao absenteísmo, à falta de produtividade e outros prejuízos. 

“Desta forma decidimos mudar o foco de nossa operação de um formato B2C para um benefício corporativo que o RH das empresas pode oferecer aos colaboradores. Assim conseguimos alcançar um patamar de 30% da população empregada praticando atividade física”, contou.

O desafio agora é convencer mais e mais pessoas a praticarem atividade física e reforçar o combate ao sedentarismo. “Cada um de nós é um potencial parceiro motivador. Podemos influenciar os amigos ou o mundo corporativo por meio do RH. São formas de investir neste propósito. Se exercício físico fosse uma pílula todo mundo faria, mas mesmo não sendo nós continuamos acreditando em mudar o mundo pela atividade física”, declarou.

O painel foi encerrado com a conclusão do representante do Waze de que seja qual for a proposta de valor, a verdade é que, também no mundo das plataformas, quem não estiver atento às mudanças e tendências e não cuidar de forma correta do cliente conhecerá alguém que fará uma proposta melhor,  e ele se transformará em seu maior concorrente.

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