Acelerar a mudança exige constante conflito construtivo e capacidade de convencimento

Acelerar a mudança exige constante conflito construtivo e capacidade de convencimento

Ivan Patriota, do CESAR Labs, Fernando Freitas, do Bradesco, e Marco Bego, do HC-FMUSP (Foto: Rodrigo Rodrigues/Divulgação)

Cada vez mais se consolida o conceito de que espaços de inovação não são ambientes destinados a cavaleiros solitários e nem iluminados super criativos

“A principal competência para atuar em grupos que lideram hubs de inovação nas empresas é a de ser como a cabra da montanha. Significa que você tem que estar sempre tentando subir um morro que ninguém acredita ser possível, mas você não desiste”. 

O Superintendente Executivo do Departamento de Inovação do Bradesco e responsável pelo inovaBra Habitat Fernando Freitas escolheu essa frase para resumir o perfil do profissional ideal para liderar a transformação digital nas empresas. 

A afirmação foi feita durante o painel “Espaços para inovação: coexistindo para acelerar a mudança”, que encerrou os trabalhos no auditório CESAR na HSM Expo 2019. 

A discussão foi coordenada pelo Diretor Executivo do CESAR Labs Ivan Patriota e contou ainda com a participação de Marco Bego, Diretor de Inovação e responsável pelo programa Inova HC.

Os especialistas concordaram que está acontecendo um amadurecimento da visão das empresas sobre o tema, e que isto tem produzido avanços em relação a critérios de acompanhamento e avaliação. 

Marco Bego afirmou que tem notado uma diminuição da chamada ‘espuma’ sobre o tema da inovação.  “As pessoas estão começando a notar que todo mundo fala do unicórnio, mas esquece que tem milhares de empresas que ficaram pelo caminho com produtos não tão bons. Então saber medir isso é importante”, diz.

Neste sentido, Fernando admitiu que o Bradesco não acertou no princípio, ao começar a avaliar a inovação pelo ponto de vista do ROI. “Desta forma os projetos entravam numa fila junto com todos os demais e sempre perdiam na avaliação para as ideias geradas dentro dos processos tradicionais criados no departamento de TI do banco”, lembrou 

De acordo com ele, esse formato evoluiu e hoje são usados outros critérios. Em alguns casos, como no da BIA (Inteligência Artificial), a avaliação é feita sobre o impacto em termos de mudar o hábito das pessoas. “Neste caso o resultado foi totalmente satisfatório, pois já são registrados milhões de interações por este canal”, explica.

Inovação estruturada transforma a cultura das empresas

Mas independente dos resultados mensuráveis, os debatedores concordam que a busca pela inovação estruturada tem a capacidade de transformar a cultura das empresas. 

Marco Bego ressaltou que isto foi nítido na relação do HC com startups por meio do programa Inova HC.

Segundo ele, quando o assunto começou a ser discutido dentro do hospital a instituição tinha até dificuldade de se relacionar com o mundo corporativo. “Quem tentava fazer essa conexão entre os dois mundos era até mal visto”, explicou.  

O executivo explica que hoje é comum inclusive o contato com startups e a mentalidade delas está transformando o negócio. 

Além de mudar o que elas se propõem a fazer, as empresas nascentes estão modificando também a própria mentalidade de todo o grupo que está trabalhado ao seu redor.

“São pessoas que vêm com gás novo para começar a pensar fora da caixa. Mostrar que as coisas podem ser feitas de forma mais barata, mas rápida. Com isso elas acabam inclusive provocando as multinacionais, e isso é muito interessante”, diz. 

No caso do Bradesco não é diferente. Fernando Freitas comenta que a provocação que uma empresa dessa consegue fazer dentro de casa é muito impactante. 

É fundamental formar pessoas para ter a capacidade de fazer inovação

“Nós estávamos acostumados a receber projetos de grandes empresas de tecnologia que tinham um método de inovação com o qual estávamos acostumados. De repente, com o InovaBra, mais de três mil startups começaram a ser avaliadas dentro do banco. Isso foi uma revolução porque foram empresas pensando fora do status quo e provocando a todos nós”, relatou.

O representante do HC observou, no entanto, que, especialmente no ambiente de saúde, é fundamental formar pessoas para ter a capacidade de fazer essa inovação. “Na saúde não existem especialistas para fazer inovação, então o que acaba acontecendo é que falta metodologia e, por isso é jogado muito dinheiro fora já que não são observados no início dos projetos alguns aspectos básicos de regulação e segurança que são imperativos no setor”, afirmou.

A saída encontrada foi buscar uma maior aproximação com a universidade. “Um exemplo é o uso dos laboratórios. Muitas vezes eles ficam ociosos e nós estamos tentando permitir que eles sejam usados pelas startups para   desenvolvimento de soluções”, informou. 

Neste ponto, Ivan Patriota lembrou que o CESAR nasceu dentro da Universidade Federal de Pernambuco e que na visão da instituição o mundo acadêmico é primordial quando se fala em inovação. 

“Costumamos dizer para os professores: é muito bacana ter o estudo publicado num paper, mas talvez seja ainda melhor nos ajudar com a aplicação deste conhecimento na resolução de um problema do nosso cliente”, disse. 

Seja como for, o fato é que, conforme disse o representante do InovaBra, os anticorpos de uma organização lutam contra inovação. Por isso, ele encerrou a discussão deixando a mensagem de que é preciso ter a capacidade de discutir, dialogar e não desistir nunca, da mesma forma que a cabra da montanha faz todos os dias para sobreviver.

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