Redesenhar processos exige superar a barreira do ‘não’ para dizer: ‘me convença!’

Redesenhar processos exige superar a barreira do ‘não’ para dizer: ‘me convença!’

Thaís Yoshioka, do CESAR, Francisco Carvalho, da Neoenergia, e Antonio Thevernard, da Petrobras (Foto: Rodrigo Rodrigues/Divulgação)

As empresas não conseguirão fazer transformação digital sem se livrarem dos processos mecânicos que as pessoas fazem sem saber a razão

“Estamos num momento muito rico de buscar soluções diferentes para coisas que se fazem da mesma forma há muitos anos, mas melhorar o processo não significa necessariamente automatizar e nem colocar tecnologia”. A frase dita pelo diretor setorial de formação e gestão de recursos críticos da Petrobras, Antonio Thevenard, norteou as reflexões do painel “Redesign de Processos: colocando o usuário no centro”, realizado na abertura do segundo dia de atividades do auditório CESAR na HSM Expo. 

Com moderação da UX designer do CESAR Thaís Yoshioka, a dinâmica contou ainda com a participação do Superintendente de Inovação, Sustentabilidade, Qualidade e Meio Ambiente da Neoenergia Francisco Carvalho. 

Em concordância com o pensamento de Thevenard, Carvalho declarou que a inovação não necessariamente está ligada à tecnologia. Ele contou o caso de um supermercado perto de sua casa onde o funcionário encarregado apenas pela função de pesar frutas e verduras teve um insight inovador com resultados diretos no faturamento do estabelecimento. Ao notar que as bananas mais verdes, assim como as mais maduras, acabavam sempre sobrando na gôndola, ele tomou a iniciativa de escolher justamente estas frutas para oferecer de forma ostensiva aos amigos e clientes mais próximos.

O gerente percebeu que esta ação começou a dar certo e a incorporou no processo formal de vendas. Ele foi até uma lan house, encomendou alguns panfletos e transformou as bananas que não estavam no melhor momento de consumo em um produto diferenciado. As pessoas passaram a ver valor naquela atitude por não desperdiçar o alimento e o pacote de bananas começou a ter um volume significativo de vendas. 

“Neste episódio foram usados todos os passos do processo de inovação sem que tivesse sido necessária a aplicação de nenhum tipo de tecnologia”, declarou.

Segundo ele, a abordagem do design consegue justamente trazer esse olhar sobre a real necessidade do projeto. “Às vezes as empresas têm um batalhão de pessoas digitando alguma coisa de forma desnecessária e errada. Aí, pela vontade de aplicar tecnologia em tudo, a direção toma a decisão de automatizar esse processo. Quando ela faz isso, ao invés de resolver o problema, o que ela consegue é ampliar muitas vezes o volume e a gravidade deste erro”, afirmou.

Com a inovação a empresa aplica conhecimento para gerar dinheiro

Mas em sua avaliação, quando o processo de inovação é feito de uma forma eficaz, consegue inverter a lógica de investimento e retorno. “Com o tradicional processo de pesquisa a empresa investe dinheiro para gerar conhecimento, já com a inovação a empresa aplica conhecimento para gerar dinheiro”, resume. 

Foi essa a visão que orientou a Petrobras a intensificar a busca pela transformação. De acordo com Thevenard, após passar por diversos problemas que quase a levaram ao fim, chegou-se à conclusão que que a transformação digital ou a transformação cultural era a única forma de mudar a empresa.

A partir desse momento a área de processos lançou a hashtag #Simplifica, que incentivava todos os funcionários a darem ideias de melhorias. Então os colaboradores entusiastas da metodologia ágil começaram a pensar: por que não fazer Design Thinking para resolver esses problemas?  E esse grupo foi conquistando os demais porque eles traziam resultados.

Inovação precisa ser colaborativa e naturalmente sem hierarquias

“Antigamente, quando surgia alguém com uma sugestão diferente o comum era ouvir o não. Agora, ao invés disso o que dizemos é: me convença. O incentivo a testar o diferente é fundamental para avançar no sentido da inovação”, afirma. 

Francisco Carvalho reforça esta nova forma de abordar as situações. Ele diz que a Neoenergia está passando por um momento de extrema evolução no ambiente de transformação digital. E isso se deve ao entendimento de um mecanismo de seleção natural no qual não são os mais fortes e nem os mais rápidos que sobrevivem, mas sim os que têm a maior capacidade de se adaptar.

“Nós tivemos a preocupação de atuar para ter colaboradores com ideais de valor. Criamos um núcleo pequeno com a ideia de afirmar que era possível fazer não só no discurso, mas sim com resultados. Essa é a única forma de consolidar essa capacidade de adaptação. As empresas não conseguirão fazer a transformação digital sem se livrar dos processos mecânicos que as pessoas fazem sem nem mesmo saberem por que estão fazendo isso”, completa.

O amadurecimento da inovação da Petrobras, segundo Antonio Thevenard, levou à formação de um grupo que estuda a viabilidade das ideias, o retorno que elas terão e se as pessoas que deram essas ideias estão engajadas. “Esse modelo veio da parceria com o CESAR. Criamos um comitê e ali agora é discutido se a solução é commodity, se ela existe no mercado, se é uma ideia de transformação digital e outros aspectos”, disse. 

“Estamos nos abrindo para conhecer outras empresas de inovação há pouco tempo. Aí conhecemos o CESAR, e estamos trabalhando nesta parceria para apoiar essas alavancagens digitais”, ressaltou. 

Thaís Yoshioka declarou que a inovação aberta é um processo fluido e horizontal que ajuda o CESAR também a evoluir. “A inovação precisa ser colaborativa e naturalmente sem hierarquias”, concluiu.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

div#stuning-header .dfd-stuning-header-bg-container {background-image: url(https://www.cesar.org.br/wp-content/uploads/2018/08/IMG_9090-1.jpg);background-size: initial;background-position: top center;background-attachment: initial;background-repeat: initial;}#stuning-header div.page-title-inner {min-height: 650px;}