IoT: De produtos a serviços

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Até 2025, cerca de 80 bilhões de objetos serão conectados à internet, gerando um impacto de US$ 11 trilhões na economia. É provável, então, que nada será como antes

Por Eduardo Peixoto

Internet das Coisas, IoT do inglês “Internet of Things”, não é uma nova tecnologia, mas, como antecipou Greenfield (2006), uma era onde todos os objetos serão capazes de capturar, receber, transmitir, armazenar, processar e mostrar informação e, eventualmente, agir em contexto por e para nós, nos orientando como assistentes inteligentes ou tomando decisões.

A IoT começou a tomar forma por volta de 2010. A internet, já bem mais popularizada, passou a ser usada como meio de conexão para objetos. Foi quando surgiu o termo smart. Computadores, telefones, TVs, veículos… Todo e qualquer objeto capaz de entender algum contexto local (posição, temperatura, movimento, humor etc.) e de enriquecê-lo através de conexões na web com outros objetos ou sistemas tornou-se potencialmente um grande conselheiro, um assistente inteligente. “Pegue esta rua, ao invés daquela, para ir para a casa de seus pais”; “Quando entrar no metrô, leia este livro”; “Já que está na TV, assista hoje a este filme”; “E que tal marcar seu exame preventivo? O último já faz mais de dois anos”.

Até 2025, cerca de 80 bilhões de objetos serão conectados à internet, gerando um impacto de US$ 11 trilhões na economia global. É provável, então, que nada será como antes. Nas casas, podemos imaginar fogões que conversam com geladeiras, que pedem receitas que contenham os alimentos mais próximos do prazo de validade. No carro, que tal ele avisar quando é tempo de fazer a revisão? Os cenários são milhares. E maiores ainda são os desafios. Segurança e privacidade estão no topo da lista. Como nos adaptaremos a um mundo nu? Nu por permitir a antecipação de muitos, senão todos os nossos passos (viveremos bem, sem surpresas ou imprevistos, sem segredos?). A interoperabilidade dá sequência à lista: como preservar os investimentos se ainda não há padrões (nem de fato, nem de direito)?

De mecânicos e isolados a inteligentes e conectados

Até então, os objetos ou produtos que nos cercavam eram, em sua grande maioria, isolados, não conectados à internet ou à outra rede qualquer. A evolução dos circuitos integrados passou a conferir aos objetos capacidade de processamento e comunicação, e, os dois combinados, inteligência! É o que já acontece com o carro. Os mais sofisticados chegam a ter 70 unidades de processamento e podem reconhecer placas na estrada, nos alertar sobre limites de velocidade ou mesmo frear por nós em situações de risco.

Mas a transformação de produtos isolados em produtos inteligentes e conectados pode ter uma amplitude muito maior. Produtos similares conectados podem ser geridos por algoritmos para aumentar o desempenho do conjunto. Por exemplo, uma frota de carros conectados pode ser orquestrada para minimizar o deslocamento, o tempo de atendimento do usuário e a quantidade de carros necessários rodando.

Existe ainda uma outra forma de otimização possível para produtos conectados em rede. Produtos conectados a sistemas na internet podem acessar informações relevantes para ampliação do seu funcionamento ou tomada de decisão. Por exemplo, equipamentos de irrigação isolados podem ter seu desempenho otimizado localmente. Porém, um conjunto de equipamentos de irrigação inteligentes e conectados, coletando dados do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais  sobre pluviometria e incidência solar, e da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, sobre o tipo de solo, podem otimizar o uso da água e maximizar a produção agrícola.

Encurtando a distância entre quem produz e quem consome

Software são produtos virtuais, que desempenham funções específicas em hardware (computadores) de propósito genérico. Os produtos conectados também são produtos de software, mas que executam sobre objetos (hardware) específicos: lâmpadas, purificadores de água, bicicletas, carros etc. Os produtos conectados, como objetos híbridos (de hardware e software), e cada vez mais intensivos em software, herdam características similares aos produtos da indústria de software. E uma delas é a possibilidade de evolução do produto enquanto o uso (tudo ficará mais parecido com o seu smartphone).

É que a conexão do produto habilita um fluxo constante de dados entre o produto conectado e o fabricante. O que só poderia ser feito por pesquisa de campo, será constante. O fabricante poderá observar padrões de uso e desempenho do produto, e então, corrigir falhas, modificar características que melhorem o desempenho ou mesmo adicionar novas funcionalidades, tudo enquanto em uso (e sem que o usuário necessariamente se aperceba ou tenha consciência do que está ocorrendo).

Produtos ou Serviços?

Em estudo conduzido na Eindhoven University of Technology sobre modelos de negócios para a IoT, Dijkman et al. (2015) apontam que software e desenvolvedores de software como os tipos mais importantes dos modelos de negócios para produtos conectados.

O software embarcado e a conexão do produto à internet permitirão que novos modelos de negócios, mais similares aos praticados na indústria de software, sejam explorados e acelerem a orientação dos produtos conectados a serviços.

Então, talvez esta seja a principal questão para os atuais fabricantes de produtos: uma vez tendo a opção, continuaremos pagando pelo produto em si ou pelo que ele entrega? UBER e AIRBNB crescem exponencialmente sem possuir um único ativo que usam para entregar um serviço (transporte e hospedagem, respectivamente).

Caminhamos para um mundo conectado, onde o acesso está na palma da mão (celular). Neste contexto, vamos optar pela posse (produto) ou pelo uso (serviço)?

 

Eduardo Peixoto é Chief Design Officer do CESAR e Coordenador do Programa Executivo de Gestão de Negócios na Era Digital (www.cesar.school/gned)

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