O que eu aprendi nas mentorias de Design

O que eu aprendi nas mentorias de Design

Não é de hoje que as grandes empresas já entenderam a importância de se desenvolver produtos e serviços focados nas necessidades de seus usuários. E se você já conhece o CESAR, também sabe que a gente já fala e pratica isso há muito tempo. Esse texto da Giselle Rossi conta bem a nossa missão. Considerando esse aumento de importância da figura do UX designer, eu tenho observado a relevância de algumas demandas que têm pouquíssima relação com wireframes e fluxos de navegação e que são bem valiosas.

Nos últimos anos tive oportunidade de lecionar para turmas da graduação, pós-graduação e também pude fazer parte da experiência incrível de ser mentora de UX no Summer Job. O Summer Job (aqui você entende como tudo começou) é um programa do CESAR que, durante 6 semanas, oferece a estudantes universitários a experiência de trabalhar em equipes multidisciplinares, focados na resolução de um desafio proposto pelos patrocinadores do programa. Um dos objetivos do Summer Job é disseminar a ideia de que, para promover inovação, é preciso que exista uma abordagem colaborativa, ampliando o olhar para uma perspectiva mais humanizada, que pode ser aplicada em qualquer área de negócio. Durante as semanas do programa os alunos são estimulados a respirar inovação 24h por dia. Para alguns participantes, é o primeiro contato com a vida fora dos muros da universidade. E quase tudo é novidade.

E qual o papel dos mentores nessa história? Cada equipe possui um grupo de mentores, todos colaboradores do CESAR, que geralmente são divididos de acordo com a problemática técnica trazida pelo patrocinador. Esse grupo de mentoria geralmente é formado por um engenheiro, um UX designer, um gerentes de negócio e um gerente de projeto. Cada mentor tem como responsabilidade apoiar o grupo na sua área de atuação, participar do processo de visita ao patrocinador e pesquisas de campo, fornecer treinamentos técnicos sobre algo que seja relevante para a equipe ou para todos os grupos participantes do programa, além de alinhar expectativa entre participantes e patrocinador. O mentor precisa estar sempre presente dando feedback sobre a evolução da equipe e orientando as atividades.

É extremamente desafiador orientar jovens cheios de ansiedade, ávidos por botar a mão na massa a compreender que primeiro é preciso identificar, investigar e entender o problema antes de tentar resolvê-lo. Durante esse momento de identificação, eles são apresentados ao processo de design centrado no usuário e ao uso de ferramentas e técnicas de pesquisa, que irão auxiliar o entendimento do desafio. Mais importante que apresentar e tentar aplicar fórmulas de sucesso, esse é um momento onde é preciso dar suporte para que o repertório de experiências que os estudantes já possuem seja transformado em elementos que serão aproveitados no decorrer do programa.

Assim como a CESAR School, o Summer Job adota o PBL como base pedagógica. E isso faz toda a diferença. A imersão dentro de um cenário específico faz com que os estudantes se apropriem de um contexto que não é familiar, exercitando o olhar de forma mais objetiva na identificação de alternativas viáveis para a resolução do problema proposto. A definição da solução que será entregue ao final do programa precisa atender às necessidade dos usuários, ser viável tecnicamente, além de atender aos objetivos de negócio do patrocinador.
Turma Summer Job 2018.1 no CESAR Curitiba

Nesse processo de descobertas, experimentações e validação constantes, o papel do mentor de UX é fazer com que estudantes e patrocinadores incorporem em seu DNA que a melhor forma de encontrar a solução para o problema é testando, ajustando e reajustando. Esse talvez seja o momento onde a sensação de missão cumprida é mais presente. É um exercício de argumentação constante que, ao longo dos anos, fortaleceu a importância do UX nesse processo.

Participar de programas como o Summer Job me fez entender melhor sobre a importância de ser/estar mais atuante como agente multiplicador de todo esse processo, transformando essas experiências em uma troca constante. Embora pareça tarefa simples participar de programas de mentoria, conduzir uma apresentação ou uma discussão estratégica sobre um produto/serviço não é trivial, mas deveriam fazer parte do nosso dia a dia. O Summer Job é, em sua essência, uma ótima oportunidade para que a comunidade de designers do CESAR possa desenvolver soft skills que vão “além do wireframe”. No Summer Job, ao invés de botarmos a mão na massa como fazemos diariamente nos projetos, nós fazemos muita (e também aprendemos a desenvolver nossa habilidade em) facilitação. Seja entre os estudantes e o CESAR (e outros colaboradores que também se engajam para ajudar as equipes durante o processo), entre estudantes e patrocinadores, sempre apontando direções, recursos e alternativas. Afinal, nem só de wireframe vive um UX.

 

Renata Souza – UX Designer do CESAR

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