Um gigante em mutação acelerada

Um gigante em mutação acelerada

por Daniel Lindenberg

Vem aí um dos processos mais importantes de disruptura setorial promovida pela tecnologia em todos os tempos. De forma definitiva, rápida, eficiente e conveniente, conceitos contemporâneos de Saúde e Bem-estar irão incomodar e tirar do setor muitos players até aqui relevantes e tradicionais.

A profunda transformação pela qual passa o setor da Saúde nos Estados Unidos já há alguns anos (segundo a CB Insights foram 629 negócios em digital health que movimentaram mais de US$4 bilhões apenas no primeiro semestre de 2016) começa a chegar com força no Brasil pelos mesmos motivos, puxada pela tecnologia e pela inviabilidade econômica de muitos modelos de negócios. Os sinais são cada vez mais claros, como o lançamento das plataformas que aproximam médicos e pacientes para atendimentos a domicílio (um ‘Uber de médicos’), à formação do primeiro cluster de saúde no país que une importantes startups do setor para que tenham peso em negociações comerciais e o lançamento da ABSS, Associação Brasileira das Startups de Saúde, assim como outras iniciativas que têm surgido por aqui.

Segundo Steven Krein, cofundador e CEO da StartUp Health, o movimento de transformação acontece, por um lado, porque muitos empreendedores que no passado lideraram disrupturas em setores como os da música, mídia, viagens e turismo, hoje estão mais velhos e o tema saúde tornou-se mais presente em suas vidas. Seus pais, que agora estão idosos, e seus filhos pequenos tornam a necessidade de consumir serviços de saúde algo mais frequente, e então surge a constatação: tem que haver um jeito mais fácil de se fazer isto. E também por outro motivo bem menos lúdico, nós temos um modelo de negócio inviável economicamente. O custo das terapias, as imposições regulatórias, o envelhecimento da população e o comportamento de médicos e pacientes levaram o setor a um resultado negativo na Saúde Suplementar de R$500 milhões em 2015, mesmo depois de ter movimentado mais de R$140 bilhões, segundo dados da Fenasaúde.

Portanto, vem aí um dos processos mais importantes de disruptura setorial promovida pela tecnologia em todos os tempos. De forma definitiva, rápida (por meio de MVPs), eficiente e conveniente, conceitos contemporâneos de Saúde e Bem-Estar irão incomodar e tirar do setor muitos players até aqui relevantes e tradicionais (quem não se lembra das grandes distribuidoras de discos/CDs?). Além disso, irão impor soluções em IoT, wearables, Realidade Virtual (VR), Inteligência Artificial (AI) e soluções de PEP (prontuário eletrônico do paciente), entre outros, tudo para que o setor esteja alinhado com as expectativas de um consumidor cada dia mais conectado e com o contexto em que a sociedade moderna está inserida.

Alguns se perguntam por qual motivo a mudança na Saúde vem com uma década de defasagem se comparada a outros setores. Classifico os empreendimentos de diferentes setores em três categorias de criticidade e complexidade: os que ‘facilitam a nossa vida’; os que ‘ajudam no que nos preocupa’; e os que ‘resolvem o que nos tira o sono’. Serviços como Uber e iFood classifico como aqueles que ‘facilitam a nossa vida’, e por esta condição são mais fáceis de serem assimilados; Airbnb e Waze ‘ajudam no que nos preocupa’, e como dependem de condições estruturais levam um tempo a mais para serem adotados; já os serviços em saúde, que ‘resolvem o que nos tira o sono’, levaram mais tempo para chegar porque mexem com questões complexas de infraestrutura, mudança de comportamento e questões éticas em algo que é bastante crítico. Porém a rápida adoção demonstra como há uma importante demanda reprimida. Os negócios e as pessoas agradecem.

Daniel Lindenberg atua no setor de Internet há 20 anos e com saúde há 15 anos, é empreendedor e fundou em janeiro de 2016 a startup Dr.Vem!, de tecnologia em saúde que aproxima pacientes de médicos e de profissionais da saúde para atendimentos domiciliares. Em 2008 fundou a M2G, de CRM, que atende operadoras de saúde, dentre as quais algumas das maiores do Brasil. Em 1996 fez parte da primeira equipe que fundou o UOL e trabalhou em empresas digitais como StarMedia e Publicis / Web Intelligence Team. Em 2001 foi um dos idealizadores do TV Interativa Focus Group, da Universidade de São Paulo — USP e atualmente também colabora com a fundação da ABSS — Associação Brasileira de Startups de Saúde.

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