O mundo realmente precisa de IoT?

O mundo realmente precisa de IoT?

por Leonardo Lima, ­ Antropólogo e Designer de interação

Em um mundo que parece todos os dias nos trazer crises e potencialidades na mesma medida, fica evidente a necessidade de aprimorar a comunicação e automatização de nossas “battlesuits”.

Afinal, o mundo realmente precisa da internet das coisas? Este questionamento pode parecer estranho vindo de um pesquisador de um instituto de inovação como o CESAR, sobretudo quando IoT (Internet of Things) é uma das grandes buzz words do momento, que já movimenta milhares de dólares em pesquisas, novos produtos e startups. Mas são questionamentos como este que nos diferenciam de outros institutos de pesquisa e apontam para um deslocamento de paradigmas. Independente da “tecnologia do momento”, o foco central de nossas pesquisas são as pessoas. Porque quando olhamos com atenção para qualquer tecnologia, podemos observar que no centro sempre estão as pessoas. Eu, você, o vizinho, o colega de trabalho, o amigo virtual de outro Estado ou outro País, sempre o ser humano, ponto de partida para o desenvolvimento da internet das coisas.

A IoT assume o seu sentido maior quando suas soluções são calcadas nas necessidades reais do ser humano, gente que moldou e foi moldada pela tecnologia, que estabeleceu uma grande rede de conexões sem precedentes na história, que nos permite explorar o mundo e novas formas de pensar para que opiniões, pesquisas, inquietações e anseios de diversas partes do globo sejam compartilhados. Segundo dados da União Internacional de Telecomunicações, órgão vinculado à ONU, em 2000 éramos 400 milhões de internautas no mundo. Em 2015, passamos a somar 3,2 bilhões de pessoas ligadas pela internet em todo o mundo — e ainda há 4 bilhões desconectadas.

É a partir deste compartilhamento constante de informações no qual estamos imersos que surgem novas oportunidades de negócios, oportunidades de criar um amanhã melhor para todos. É o anseio por uma vida melhor que faz com que as pessoas se conectem, fazendo florescer uma intricada gama de conexões. E são nessas conexões que o potencial da internet das coisas está dormente: ao conectarmos os objetos para que eles automaticamente resolvam problemas repetitivos, nós criamos tempo para que as pessoas estabeleçam mais e melhores conexões, desenvolvendo assim o potencial de gerar resultados de grande escala.

Portanto, ao investigar, desenvolver e propagar tecnologias que favorecem a conexão das coisas nós potencializamos também a qualidade das conexões entre as pessoas, melhorando a vida em comunidade, melhorando nossa convivência em grupos nessa grande aldeia global em que vivemos atualmente. Foi justamente essa conexão que permitiu que os nossos antepassados sobrevivessem aos maiores desafios de seus tempos — individualmente, os seres humanos possuem poucas condições de sobrevivência, mas, em grupo, no coletivo, temos o potencial de tocar as estrelas!

É diante disso que podemos entender as cidades como uma das mais importantes tecnologias que a espécie humana desenvolveu. E, nelas, um sem número de necessidades para explorarmos no nosso dia a dia no contexto da mobilidade urbana, do comportamento, da saúde, dos ambientes de trabalho. Em seu artigo de 2009 para a iO9, Matt Jones, atualmente Diretor de Design de Interação no Google Creative Lab e autor do blog Magical Nihilism, defende que “the city is a battlesuit for surviving the future”[1]. Em um mundo que parece produzir todos os dias crises e potencialidades na mesma medida, fica evidente a necessidade de aprimorar a comunicação e a automatização de nossos “battlesuits”.

Arrisco então responder à pergunta inicial afirmando que sim, o mundo precisa realmente de IoT. Não porque seja mais uma buzz word do momento, mas porque é um mundo feito por pessoas e para pessoas. Porque as conexões entre elas precisam ser desenvolvidas e aprofundadas.

Estamos criando futuros possíveis. Nosso papel é entender as necessidades das pessoas para que efetivamente a internet das coisas cumpra a sua função e se torne um negócio sustentável e escalável. É com tudo isso em mente que nos debruçamos sobre as pesquisas, para aprimorar as tecnologias que nos permitam moldar o amanhã escrevendo cotidianamente nosso futuro.

[1] http://io9.gizmodo.com/5362912/the-city-is-a-battlesuit-for-surviving-the-future

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