STARTUPS, APRENDAM OU MORRAM!

STARTUPS, APRENDAM OU MORRAM!

O título acima vem de um livro que acabei de ler, o título original é Learn or Die: Using Science to Build a Leading-Edge Learning Organization escrito por Edward D. Hess. O argumento é simples: ou as organizações, e seus colaboradores, aprendem continuamente ou perecem neste mundo altamente competitivo e com mudanças cada vez mais velozes.

Curiosamente, por esses dias saiu um estudo do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, mostrando que apenas 8% dos brasileiros são capazes de se expressar plenamente. Traduzindo, são capazes de entender e elaborar textos de diferentes tipos, como mensagens (um e-mail), descrições (um verbete da Wikipédia) ou argumentação (um post para um blog), além de serem capaz de opinar sobre o posicionamento ou estilo do autor do texto.

Ao juntarmos os dois parágrafos anteriores, vemos o tamanho do problema que temos em país. Por um lado, ou aprendemos ou morremos, por outro temos baixíssima capacidade de aprendizado.

Mas, voltando ao nosso livro, o autor destaca descobertas recentes no mundo do aprendizado, tais como o papel das emoções, como criar culturas organizacionais propícias ao aprendizado, compartilhamento de conhecimento e experimentação, uso de mecanismos de defesa para tomada de decisão e, também, a motivação internas das pessoas para o aprendizado. É uma leitura bastante estimulante e que nos leva a reflexão sobre como cada um de nós aprende e também como podemos voltar as nossas organizações para o aprendizado.

No nosso ambiente de aceleração, o CESAR.LABS busca, sempre, propiciar as empresas que passam por aqui, práticas similares. Ou seja, não nos posicionamos como aqueles que sabem as respostas que o empreendedor busca, porém fazemos dezenas de perguntas que buscam incitar os empreendedores a aprenderem sobre o que estão fazendo, para quem, por que, como e sempre com base em experimentos com clientes. Também gostamos muito de indicar livros e temos uma boa biblioteca que pode ser usada pelas empresas em aceleração. As empresas aceleradas aqui também tem acesso gratuito aos conteúdos de EAD do CESAR.EDU e descontos de 50% nos demais cursos.

Contamos também com um conjunto de profissionais do CESAR, das áreas de engenharia, design e negócios, que são muito curiosos e extremamente focados em aprendizado. Estes profissionais também são fonte de conhecimento para as empresas do nosso portfólio e podem ser consultados durante o processo de aceleração.

Para materializar este foco no aprendizado, podemos falar um pouco da Ex-Machina, que iniciou seu processo de aceleração com um protótipo promissor que, coincidentemente com o tema deste post, aprende padrões utilizando redes neurais a partir de dados gerados em sensores diversos. O protótipo já apresentava excelentes resultados em laboratório, mas ainda era muito genérico na sua aplicação e não possuía um foco bem delineado, capaz de gerar as respostas apropriadas para um conjunto de problemas bem definidos por clientes de um segmento de mercado específico.

Uma das nossas primeiras percepções, foi que muito do que foi construído deveria ser simplificado para a adoção dos primeiros clientes. E ainda, muito do que seria descoberto através dos primeiros contatos com o mercado deveria ser ponderado, reconstruído e adicionado em novas versões do produto.

Fizemos uma série de reuniões e seções de mentoria com objetivo de identificar quais aprendizados mínimos a startup tinha que adquirir para transformar seu promissor protótipo em um MVP. Só para mencionar algumas, foram 4 mentorias com foco em desenvolvimento do negócio e identificação do mercado-alvo – utilizamos profissionais do CESAR e de 3 empresas parceiras. Fizemos 2 seções sobre modelo de precificação com a equipe da aceleradora e um dos membros da aceleradora chegou a acompanhar os empreendedores em uma visita a cliente potencial (early adopter).

É importante dizer que estas reuniões ocorreram de maneira espessada, intercaladas por visitas a clientes potenciais, onde foram buscadas respostas para perguntas formuladas durante as reuniões e seções de mentoria. Este feedback dos clientes foi fundamental para realimentar o processo de acumulação de conhecimento dentro da startup e de direcionar seus esforços iniciais junto a um mercado específico. O que aconteceu além da simplificação da solução, foi a descoberta de um problema específico e menos abstrato como o imaginado inicialmente. Ou seja, a solução foi simplificada porque o problema bem definido foi descoberto. Isso só foi possível com o aprendizado externo vindo do contato com clientes potenciais.

Atualmente, a Ex-Machina está em fase de implantação de três pilotos do seu primeiro produto, o Arin-Mangará, capaz de detectar ruptura de padrões em fluídos utilizados no processo industrial. Este segmento de mercado específico tem requisitos que, por si só, demandaram identificação de respostas e adaptações da tecnologia por parte da startup.

Estamos aguardando ansiosamente os resultados destes pilotos, do conhecimento que a startup vai acumular e dos insumos que eles gerarão para novas rodadas de formulação de perguntas, para evoluir o produto, para interagir novamente com os clientes, para gerar aprendizado… e o ciclo nunca acaba desde que a startup sempre aprenda – ou morra.

Filipe Pessoa é Executivo Chefe da Área de Empreendedorismo do CESAR
Artigo publicado originalmente no Blog do CESAR.LABS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

div#stuning-header .dfd-stuning-header-bg-container {background-image: url(https://www.cesar.org.br/wp-content/uploads/2018/08/IMG_9090-1.jpg);background-size: initial;background-position: top center;background-attachment: initial;background-repeat: initial;}#stuning-header div.page-title-inner {min-height: 650px;}