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09 de Februar, 2022

Tecnologia LENOVO

Lenovo: pesquisa e experimentação para construir tecnologia de inclusão

tecnologia de inclusão

Mais de 10 milhões de brasileiros possuem algum nível de deficiência auditiva. Segundo o último censo demográfico do IBGE, isso corresponde a 5% da população brasileira, entre a qual 2,7 milhões de pessoas possuem surdez profunda. Recursos tecnológicos concebidos para um contexto de acessibilidade têm o potencial de promover inclusão e a interação dessas pessoas com espaços, experiências e outras pessoas. É o caso de computadores interativos que apresentem informações importantes para a circulação e a experiência em espaços públicos; de aplicativos que ofereçam mapas, serviços por voz ou por libras (língua brasileira de sinais); e de diversas outras inovações que produzam autonomia.

Assim como ferramentas de tradução online, que convertem automaticamente textos de uma língua para outra, seria possível desenvolver uma solução que realize a tradução simultânea de libras para o português, e vice-versa? Com essa pergunta e o objetivo de tornar produtos e serviços mais acessíveis para usuários surdos, a Lenovo, multinacional de tecnologia, buscou o apoio do CESAR em 2019. 

Desde então, times formados por pessoas da área de engenharia de software, experiência de usuário, linguística e design do centro têm trabalhado em frentes de pesquisa de usuário e desenvolvimento de tecnologia de Inteligência Artificial, e chegaram a algumas alternativas de soluções que servirão de base para a construção de provas de conceito e de MVPs (mínimo produto viável). Apesar de serem ferramentas mais simples, a ideia é que já entreguem valor agora para a comunidade de surdos – com a possibilidade de gerarem aprendizado para um dia construir a almejada ferramenta de tradução simultânea português-libras.

Da solução para o problema

Tudo começou em uma rodada de conversas dentro da Lenovo. Uma desenvolvedora de software da empresa, fluente em libras que atua como intérprete voluntária em seu tempo livre, falou sobre os desafios das pessoas surdas em usar dispositivos diversos, de caixas eletrônicos a aplicativos de comunicação. Surgiu daí a pergunta: como fazer com que os produtos da empresa incorporem a inclusão de usuários surdos de forma ativa e não reativa?

A Lenovo buscou então o CESAR, com o objetivo de desenvolver um chat em tempo real português-libras, que pudesse ser usado em canais digitais de comunicação. A empresa já apresentou, então, junto a um mix de expectativas, uma solução a ser construída. Essa solução ideal consiste em o usuário surdo efetuar os sinais para a câmera do dispositivo, e um algoritmo fará a tradução simultânea para outra pessoa, do outro lado, em texto.

Entre os primeiros passos do projeto, os times entenderam que, apesar de ideal, a visão do chat em tempo real é um desafio tecnológico muito grande para se obter uma solução pronta logo de início. Na frente de Inteligência Artificial (IA), só a pesquisa e construção da base de dados sobre como identificar visualmente um sinal e traduzir para o português já é um projeto muito extenso e altamente complexo. Começaram, então, a direcionar o olhar para o problema.

A Lenovo apresentou ao CESAR quais as dificuldades uma pessoa surda poderia enfrentar ao buscar o suporte, e os pesquisadores ampliaram essa investigação para toda a jornada de compra e interação com o produto por um usuário surdo. Foram realizados grupos focais e pesquisas diversas com o público, além da consulta a especialistas em diversas camadas do processo.

Com a tecnologia, começaram a trabalhar com soluções menores, menos complexas, mas que possam ajudar a vida do usuário surdo em momentos pontuais. Na frente de IA, estudaram como construir as soluções por baixo da camada visual, ou seja, em vez de olhar e traduzir sinal a sinal, reconhecer as posições das mãos – o que gera uma base reduzida para entender o que está sendo falado em libras. 

“Eu acho que, no CESAR, nós somos especialistas em aprender. Nesse projeto, aprendemos muito a explorar um problema que é quase inacessível: se você olha de longe, começa a se assustar. A gente aprendeu a quebrar o problema, de uma forma que a gente consegue entendê-lo, resolver e entregar valor ao longo de todo o trajeto. O importante é gerar passos intermediários e aprender com experimentação em ciclos cada vez menores, tanto sobre o público quanto sobre a tecnologia. É importante vislumbrar o próximo passo, não o topo da montanha”, diz Willian Grillo, designer de interação do CESAR.

Tecnologia e inclusão

Inclusão é palavra-chave que vem acompanhando todo o processo de desenvolvimento do projeto, e é prova da importância de times diversos para produzir tecnologia e inovação. CESAR e Lenovo encararam o desafio de construir uma solução que seja feita, de fato, por e para usuários surdos. Assim, além de testes exaustivos e consulta a especialistas, designers e engenheiros com deficiência auditiva foram integrados à equipe.

Descobriram, entre outros pontos, que os momentos de maior dor para o usuário surdo ocorrem ao buscar informação e detalhes sobre o que comprar – o que resultou em algumas alternativas de solução. Apesar de ainda não existir uma previsão final para o término do projeto, o caminho agora é de tornar tangível todo o trabalho de pesquisa e experimentação em um produto. De um dicionário que permita busca através de libras a um chatbot que converse em libras, ainda é cedo para definir qual ferramenta específica será construída. Hoje, o projeto de pesquisa já é uma ponte para a inclusão.

“Internamente, o projeto tem altíssimo impacto: está no core da Lenovo fazer tecnologia mais inteligente para todos. Externamente, estamos sendo mais cautelosos, porque queremos entregar um produto pronto e que gere muito valor para o usuário. No fim do dia, a deficiência é nossa, porque eles conseguem conversar, a gente que não entende o idioma. Esse projeto vai além da missão da tecnologia”, diz Hildebrando Lima, Diretor de P&D da Lenovo no Brasil.

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